Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Galeria de Autores & Leitores

Caro leitor,

Este é um trabalho já aprovado pelo público!

Sinta-se à vontade para, depois de lê-lo, deixar seus comentários.

Bons Textos!

> Ler outra crônica <   < Ler contos > < Ler poemas >


< Ler outro trabalho de Silvino >


< Visite a Página Pessoal de Silvino >


Éramos felizes? E não sabíamos?



					    
Era uma tarde de sábado, como tantas outras, com mais uma daquelas "adoráveis" festinhas de aniversário de criança. Para quem não conhece, “Festinha de aniversário infantil” é um evento todo especial, em que um bando de criancinhas fica, o tempo todo, correndo pra cima e pra baixo, berrando feito loucas e atropelando tudo o que está a sua frente. Isso, quando não são ajudadas por aquelas "maravilhosas" cornetinhas ou apitos, que normalmente compõem o “maquiavélico” kit de lembrancinhas, distribuídas aos convidados, sob o sórdido pretexto de "animar" (mais ainda!) a festinha do aniversariante. Eu já havia levado uns dez pisões na minha unha encravada, alguns chutes na canela, além de um ou dois copos de refrigerante derramados em partes variadas de minha roupa, ou seja, corria tudo na mais perfeita "normalidade", quando minha esposa se aproximou de mim e, com um sorriso disfarçado, me disse, bem discretamente: - Preciso da chave do carro. Tenho que ir pegar "você-já-sabe-o-quê"! Não sei bem como explicar, mas meu "sexto sentido" soprou-me uma dica: Ela precisa pegar um absorvente! Enquanto eu lhe entregava a chave do carro, comecei a divagar. Instantaneamente, como que disparado por um gatilho invisível, veio-me a lembrança da velha piada do caipira que foi trabalhar em uma grande loja de departamentos (se você não conhece a piada, dê uma lida no final desta crônica) e acabou vendendo todos os artigos de pesca da loja para um único cliente. O que mais me chamou a atenção nessa piada era que o absorvente era identificado pelo seu nome: MODESS. Sim, um produto conhecido pela sua marca! (N.A. - Preciso deixar claro que não estou recebendo nada, de nenhum fabricante, para fazer esse merchandising!). A divagação não parou por aí, ela continuou com uma interessante constatação: na época da piada (lá pelos idos dos anos 60 ou 70), as coisas eram conhecidas pelas suas marcas. É isso mesmo, caro leitor! Tínhamos o Bombril, a Gilete, o Modess, a maionese Helmann's e tantos outros produtos que, por só existir um único fabricante, sua marca passava a ser sinônimo do produto. Nessa época, também tínhamos os refrigerantes que, na maioria das vezes, eram classificados em coca ou guaraná. Embora existissem algumas outras poucas opções, como alternativa, era muito comum se oferecer a alguém uma coca ou um guaraná. A primeira era normalmente uma opção de adultos, porque crianças só deviam beber guaraná. Por falar em refrigerante, nessa época foi lançada o que se denominou de “embalagem econômica”: a “Coca-Cola Família”. Sim, uma embalagem que dava para uma família inteira (de quatro pessoas!) e, ainda mais fantástico, sobrava um pouquinho para o mais guloso dos quatro. Agora vem a revelação incrível: essa embalagem maravilhosa continha o volume absurdo de ....... ! ! ! ! Desculpe-me o suspense, caro(a) leitor(a), mas antes de revelar esse volume, eu gostaria de saber quanto você está imaginando. Dois litros? Três? Cinco litros? Dez litros?!? NÃÃÃÃO! Nada disso, amigo(a) leitor(a)! A “Coca-Cola Família” tinha o surpreendente volume de 750 mililitros. Isso mesmo, apenas 0,75 litro! Achou pouco? Pois é! Mas essa quantidade realmente dava para quatro pessoas e ainda sobrava um pouquinho. Talvez porque naquela época, as pessoas fossem mais contidas do que hoje em dia e se satisfaziam com quantidades menores. Naquela época, um copo de refrigerante (de uns 150 ou 200 ml) era o suficiente para uma pessoa. Bem diferente de hoje em dia, em que há copos com volumes de 1 litro ou até mais. E a pipoca, então? Existiam apenas dois tamanhos básicos: o saquinho de Cr$100,00 (isso pode ser lido como “cem dinheiros da época”) e de Cr$200,00. O primeiro era de tamanho pequeno (uns 150 ml) e o outro o tamanho grande (algo em torno dos 300ml). Seus tamanhos eram próximos ao de um saquinho de cachorro-quente desses de festinha de aniversário (Uiii! Acabei de levar outro chute na canela, dado por um garotinho adorável!). Ao comparar com hoje em dia, em que encontramos nas bombonieres dos cinemas, tamanhos “super-hiper-jumbo” (ou coisa que o valha) com seus 2, 3 ou mais litros de volume, eu concluo que, naquela época, a gente se contentava em comer pipoca e não de se empanturrar com ela. Impressionante, não? Mas tem mais! A TV era “preto-e-branco”, havia apenas uns quatro ou cinco canais e, além disso, só funcionava uma parte do dia. Normalmente encerrava a programação, lá pelas onze da noite. Isso sem falar que, volta e meia, durante a programação normal, de repente, saía do ar, por uns cinco ou dez minutos para "troca de transmissores" ou coisa que o valha. Acha pouco? Não havia gravação de programas! Estes eram realizados "ao vivo". Ah! Também não havia satélites (isso era Ficção Científica naquela época). A programação em cada estado era única. Para um programa passar em duas cidades diferentes, como Rio e São Paulo, por exemplo, era necessário que os atores ou apresentadores fossem até os estúdios daquelas cidades. Quando chegou o "videotape", começaram a gravar as novelas. Mesmo assim, havia uma defasagem de uma semana, entre os capítulos passados de uma cidade para outra. Fantástico, não? Nessa época, era muito comum, um visitante, vindo de outra cidade, ser questionado sobre o fim de uma novela, quem era o assassino, se o mocinho acabou com a mocinha e coisas desse gênero. E as músicas, então? A grande maioria era versão de música estrangeira. Era cada letra de apavorar, só para acompanhar o ritmo da música original. Mas fazia um sucesso danado! Era só o cantor dar bobeira na rua e acabava sendo rasgado (isso mesmo, arrancavam pedaços de suas roupas) pelas fãs. Isso acontecia em todo lugar, tanto no Brasil, como no exterior. Os equipamentos de som das bandas (que, na época, chamavam-se “conjuntos”) eram fantásticos. Os equipamentos mais potentes, como dos lendários “The Beatles”, tinham a inimaginável potência de 50 Watts (isso mesmo, a potência normal de qualquer “CD player” portátil, feito na China, hoje em dia!). Jogos eletrônicos, Internet, computador, TV por assinatura e tantas outras trivialidades de hoje em dia eram apenas itens que existiam nos cenários fantásticos de filmes futuristas ou das histórias em quadrinhos. A diversão da garotada da época era tomar banho de rio (que ainda não conheciam poluição. Outra “modernidade”!) jogar bola de gude (conhece?), soltar pipa, brincar de pique, soltar pião, colecionar figurinhas, pular corda, além do futebol (não tão globalizado, nem organizado, como hoje em dia). Os times eram basicamente os “com camisa” e os “sem camisa”. A bola podia ser de qualquer coisa que rolasse ou escorregasse, como tampinha de cerveja ou a saudosa “bola de meia” (isso mesmo, feito de meia de colocar no pé!). Isso sem falar no carrinho de rolimã e tantas outras brincadeiras que, normalmente, acabavam em uma boa briga. Briga de rua, sem compromisso, e sem maiores conseqüências. No dia seguinte, estava todo mundo brincando junto novamente. Naquela época, não havia estresse, nem traumas, nem obesidade infantil. Psicólogo era coisa de filme americano. Dietista, Nutricionista, Cardiologista Infantil e tantos outros profissionais, essenciais à boa saúde das crianças de hoje, eram apenas “coisa para pessoas muito ricas” e totalmente desnecessário para os mortais. E, cá entre nós, realmente não faziam falta nenhuma! Essa era a rotina daquela época: pouquíssimas opções. Isso, quando elas existiam! Pouca quantidade de produtos, poucos recursos e brincadeiras infantis, que só dependiam das próprias crianças, sem requerer pilhas, equipamentos de alta tecnologia, nem nada que elas mesmas não pudessem providenciar. Tudo isso me fez pensar se toda essa oferta de opções, recursos, alternativas, não estariam causando problemas psicológicos nas pessoas de hoje. Será que a receita da felicidade não estaria na simplicidade? Em nos contentarmos com pouco e aproveitá-lo ao máximo? De que vale podermos escolher um entre 250 canais de TV, se acabamos usando, na realidade, os mesmos dois ou três canais prediletos? Será que todo esse excesso de opções não estaria sobrecarregando nosso cérebro, levando-o a ter que decidir, entre dezenas ou centenas de alternativas, até para as coisas mais triviais? Voltando ao fatídico sábado em que eu realmente estava, concluí que todo esse pensamento deixou-me com uma tremenda saudade de uma época em que, com toda a dificuldade e limitações, éramos felizes ao pensar que o futuro nos guardava melhores recursos e maiores opções, sem imaginarmos o preço que pagaríamos por tudo isso. Minha divagação foi interrompida pela chegada de minha esposa: - Aqui está a chave! - disse ela, com um embrulho em suas mãos, ao me devolver a chave - Eu havia esquecido de trazer o presente do aniversariante! ************************************* Piada do caipira: Um caipira foi morar na cidade grande e, como precisava de um emprego para se sustentar, ofereceu-se como vendedor em uma grande loja de departamentos (na piada original, a loja também tinha nome: MESBLA! Já falida há mais de dez anos.) O gerente, insatisfeito em dar o emprego para o caipira, resolveu colocá-lo em um departamento com pouquíssimas vendas: “Artigos de Caça e Pesca”. Se não vendesse nada até o final do dia, ele seria demitido. O gerente deixou o caipira no setor e saiu para cuidar de outros afazeres. Duas horas depois, foi ver como o novo vendedor estava se saindo, quando presenciou a seguinte conversa, entre caipira e um cliente: - Bom, já que o senhor vai comprar o anzol, porque não compra também essa vara de pesca especial. Ela não deixa escapar nenhum peixe! - Boa idéia! - respondeu o cliente, colocando a vara de pesca no carrinho de compras. - Mas para pescar, o senhor precisa de um barco. Esse aqui tem um bom tamanho e já vem equipado com um motor de popa muito bom. - Gostei! - disse o cliente - Vou levá-lo também! - Acho que o senhor também poderia comprar um trailer para passar todo o final de semana acampado. Para rebocá-lo, seria bom também comprar essa picape aqui, que pode levá-lo para qualquer lugar..... E o caipira continuou vendendo cada item do departamento para o cliente que, muito interessado, aceitou de bom grado as sugestões do vendedor. No final da venda, o cliente pagou tudo e foi embora, feliz da vida com suas aquisições. Surpreso com aquela venda recorde, o gerente pegou o caipira pelo braço e o levou à Diretoria, anunciando o vendedor como a salvação da loja. Chegando lá, ele pediu ao caipira para explicar qual era a técnica, que ele havia usado para vender todo o material encalhado no Departamento de Caça e Pesca, para um único cliente. E o caipira explicou: - Bom, na verdade, o cliente estava perdido na loja e veio me pedir uma informação. - Ele me perguntou onde ficava o setor em que se vendia MODESS (absorvente) e eu, aproveitando a deixa, lhe disse: “Bom, já que o seu final de semana vai ser monótono, porque o senhor não vai pescar? Que tal comprar um anzol?”.
Copyright Silvino © 2006
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 1544 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para Silvino.

Comentários dos leitores

Tá vendo, você divagou daqui e dali, pensou nos vários caminhos em que o consumidor se perde... e era só um pacotinho esquecido no carro.

Postado por lucia maria em 17-10-2012

É verdade Silvino, como diz um amigo meu, "não sei como sobrevivi sem Internet, celular, email...", belas lembranças...

Postado por messiano em 27-10-2006

O texto está engraçado. Recorda-nos, ao mesmo tempo, um artigo de jornal e uma passagem dum diário.

Postado por Niafna em 20-10-2006

Olá Silvino! Gostei muito do texto. Você me fez voltar no meu tempo de adolescente. Eu era feliz e sabia. Anna Célia

Postado por Annacelia em 18-10-2006

Ter muita opção atrapalha quando não sabemos escolher, a evolução de hoje é melhor do que antes, mas implica em sabermos o que de fato queremos. Quando o autor cita o consumo de refrigerante, talvez tenhamos de voltar como era, a obesidade é problema.

Postado por Marcelo Torca em 04-10-2006

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.


> Ler outra crônica <   < Ler contos > < Ler poemas >


< Ler outro trabalho de Silvino >

Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.