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O MENINO DAS GOELAS ESTREITAS



					    
Viviam os pais do Pedro, numa aldeia distante, numa casinha térrea. O menino era muito manhoso e nunca queria comer, pelo que muito havia custado a criar. Já em bébé rejeitava o seio materno e as mamadas de “biberon”, quase nem chegavam a meio. Os pais vivam numa amargura constante. Receavam que o seu menino não resistisse sem comer. Era o que se chamava “de má boca”. Foi o cabo dos trabalhos, até que começasse a comer as primeiras refeições. Ele nem engolia o leite, muito menos as sopas passadas... Para não comer chantagiava os pais e vomitava tudo. Mesmo ele o fazia de propósito. O menino continuava a rejeitar tudo! No quintal de sua casa, o pai cuidava dos animais domésticos que possuíam. Fizera um lindo galinheiro, onde criava lindas galinhas e galos. - Olha a sorte que Deus me deu! As aves comem tudo e o meu filho nada! Certo dia a mãe que já não suportava tal estado de coisas, meteu o filho na capoeira. - Pedro, agora só daí sairás, quando deixares de ter goela estreita! De nada serviu o Menino protestar. Nem mesmo o pai se atreveu a tirar o menino da capoeira, para não dar parte de fraco na decisão da mulher. O menino sentou-se na capoeira, porque esta era quase uma pequena casa. Demais aproximavam-se os dias de verão e o menino não morreria de frio. Quando o galo se recolheu à capoeira, viu que o Menino estava a chorar. A Galinha que estava acocorada a um canto, a pôr um ovo, nem sequer se mexeu quando ele entrou. Já conheciam o Pedro, por isso não estranharam o visitante. Todavia, o Galo Cantador, perguntou-lhe: - O que fazes aqui, Menino da Goela Estreita! Que ainda é mais estreita que a minha! - Eu não sou de goela estreita, chamo-me Pedro! A Galinha Refilona, resmungou: - Nem o S. Pedro te abre a porta do céu! Quanto mais a capoeira! - Não és de goela estreita? Continuou o Galo.... eu é que não sou.... eu como os pequenos grãos de milho e cevada e tu nem de grão em grão enches o seirão! - E eu sou lá galo, p’ra comer milho? Refila o Pedro. - Pois nisso é que tu te enganas, o milho também os homens o comem, só que os grãos desfazem em farinha, porque não são como as aves que não se engasgam com eles! Se calhar julgas que o milho só serve para alimentar os animais de galinheiro? Olha que há muitos meninos gulosos que gostam de pipocas e de “corn flakes” que se fabricam do milho. - Mal dos teus pais se não fizessem de vez em quando um “xarém” - diz a Galinha lampeira... nem forças já teriam para te aturar. - Olha Pedro, aqui tens de aprender a comer. Amanhã vou arranjar um funil para te pôr na boca e comeres até alargares a goela. Nem vale a pena dizer que não queres, porque não sais da capoeira enquanto não alargares as goelas. - Na manhã seguinte o galo trouxe um funil, colocou-o na boca do Pedro, após ter roubado um ovo que a galinha tinha posto. Debicou o ovo e em seguida, verteu o seu conteúdo pela boca abaixo do rapaz. No segundo dia em vez de um, deitou dois ovos pelo funil. No terceiro dia, três ovos... e assim sucessivamente até o menino poder engolir duma vez só, uma dúzia de ovos de galinha. Nos primeiros dias o Pedro questionava, mas de nada lhe serviu, enquanto não aguentou com a dose toda. À noite, fazia-o engolir um grão de milho, como se fosse um comprimido e deitava água pelo funil que introduzia na boca do menino. Também teria de comer 12 grãos de milho num dia só para fazer o tratamento completo. - Até os brasileiros também comem milho em grãos! - dizia o Galo - deixa estar que não morres. Depois de alguns dias, o Galo avisou os pais que o Pedro estava quase bom, mas ainda teria que passar por uma nova experiência para ficar totalmente curado. Os pais ficaram contentes com a informação do Galo. Embora com muito custo, mas era a única maneira de lhe dar uma lição. O Galo resolveu então levar o Menino ao ninho da Comadre Cegonha que vivia no alto duma árvore, um pouco distante da sua casa. - Vamos dar um passeio! - disse ele ao Pedro. - Tá bem! - disse o rapaz. E lá seguiram os dois estrada fora... Quando o galo avistou a cegonha, começou a cantar para se fazer notado. - Coró...cócó ... Coró...cócó... Coró...cócó A Cegonha Voadora lá do alto, pergunta-lhe: - O que quereis Senhor Galo Cantador? - Trago aqui um amiguinho que sofria por ter “goelas estreitas” e preciso duns ovos maiores, como os teus, que os da minha companheira Galinha Poedeira, já não bastam para o alargamento necessário. - Ai! Meu Querido Amigo, eu por agora não o posso servir. Estamos no defeso! Como sabe não há ovos todo o ano! - Então, a comadre não sabe de alguma ave que nos possa arranjar solução? A cegonha pensou e finalmente lembrou que só na floresta poderiam encontrar bandos de aves que pudessem dispor de ovos em quantidade. - Mas como posso eu, um pobre galo voar com este menino até à floresta? - Eu vou resolver o problema desse Menino! - disse a cegonha. O menino que até aqui se mantivera calado, disse: - Já sei como a cegonha vai levar-me! A mãe disse-me que eu vim no bico da cegonha! O galo e a cegonha deram uma risada... e disseram um para o outro... - São sempre assim os homens....enganam as crianças, animais, as aves... Após conselho da cegonha, partiram os dois - Galo e Pedro, montados na cegonha. A cegonha foi voando... voando... como era lindo tudo lá em cima! As grandes asas da cegonha pareciam um avião em flecha sobre as nuvens de prata! Galgaram montes e vales, extasiaram-se a olhar a Natureza, os rios a correr, o arvoredo... Finalmente chegaram à floresta. Perto dumas aves frondosas e espessas estava um bando de avestruzes. Ao verem aqueles visitantes, uma avestruz veio em direcção a eles, indagando: - Que quereis amiga cegonha destes nossos domínios? A cegonha tentou explicar ao que vinha, desejava duas dúzias de ovos de avestruz, para curar um Menino de Goelas Estreitas. A primeira dúzia teria que ser dada pela Avestruz Mãe, e a segunda dúzia seria para o Menino entregar à mãe para fazer um bolo. A avestruz mandou buscar os ovos e um funil grande para fazer a experiência mágica. Mexeu a dúzia de ovos, com uma varinha de pau dentro duma “cucharro de cortiça”, e dessa gemada introduziu pelo funil na boca do Pedro. - Bravo! Gritaram as aves todas em bando! Ele já tem as goelas largas! Depois daquela alegria enorme os três amigos despediram-se e agradeceram às avestruzes aquela linda recepção. Seguiram o seu caminho, rumo às suas residências. Finalmente, vão entregar o Menino à mãe já curado, com uma condição. Fazer um grande bolo, da dúzia de ovos que as avestruzes lhe deram de presente, para a consolidação e verificação da cura. Os amigos do Pedro seriam todos convidados, assim como a Comadre Cegonha, o Galo Cantador e Galinha Poedeira. A mãe não cabia em si de contente e foi fazer o enorme bolo de pão de ló. Imaginem que o Pedro era quem comia mais depressa! Os pais estavam encantados. O Galo Cantador cantava sorridente... e o Pedro radiante exclama para a assistência presente: - Como vêem eu não sou o Menino das Goelas Estreitas! - Eu sou um PIMPÃO! E o Menino continuava a comer com gosto as fatias do bolo e outras iguarias que a Mãe havia feito para festejar esse dia inesquecível! Maria José Fraqueza
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