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RECORDAÇÕES DE NATAL



					    
Desde criança que o hábito de pôr o sapatinho à chaminé se tem mantido pela vida fora. São costumes enraizados, que embora evoluíssem continuam de pé. E deste modo, hoje como ontem, filhos e netos (sim porque sou já avó) mantêm vivo o velho hábito de oferecer as prendas ou pondo o sapato à chaminé ou colocando junto das árvores de Natal, o que toda a gente sabe ser portador das ofertas. Todavia, nalgumas casas, os pais, um amigo ou algum familiar, vestem-se de “pai natal” para iludir alguns mais ingénuos. Nesta euforia que se vê por toda a parte, as artérias das cidades e vilas muito iluminadas, maravilhosamente decoradas com motivos de natal, as multidões que se apinham nas ruas e nos estabelecimentos comerciais, nas grandes superfícies, igualmente enfeitadas a primor, há uma enorme loucura que nos faz pensar na mudança dos tempos, em que o Natal não era tão comercial, tão diferente da sua essência de humildade, simplicidade, sem luxos, sem riqueza... Que diferença entre as luzes dos candelabros da velha aldeia, em que o acendedor subia as escadas para iluminar a noite com a chama ardente dos velhos candeeiros a petróleo e a azeite! E lá andava ele de escada ao ombro, tal como o Pai Natal com o saco às costas, subindo e descendo para tornar a noite mais clara, para dar luz às ruas, se não fora as noites enluaradas a dar-lhes um pouco mais de visibilidade Foi numa destas noites de Dezembro ao ver o Ti Manel subir uma escada para acender um lampião da rua que a pequenita Isabel lhe perguntou: - Ó Ti Manel, é o senhor que empresta essa escada ao Menino Jesus, para ele descer à chaminé? - Não minha pequenita, o Menino Jesus não precisa de escadas para subir e descer às chaminés! responde o bom homem. - Então como é que ele pode subir e descer sem escada? Eu vou dizer-te: - O menino Jesus é anjo, um anjo bom, que sobe e desce porque tem asas! - Ah! Assim tem outro jeito, por isso ele voa pelo mundo inteiro, porque no céu tem também nuvens brancas em que ele descansa. E na capacidade de sonhar da jovem pequenita, no seu imaginário ela entendia a beleza desse mundo. Era uma loucura, um renascer de esperanças em cada ano nesta época natalícia... Por vezes, os desejos das crianças eram insatisfeitos. Enquanto umas se alegravam com as prendas do sapato, havia sempre crianças que ficavam na espera de melhores dias. Na casa do avô de Isabel, os sapatos nunca tinham um brinquedo. O avô era um grande “ferreta”, porque era padeiro, amassava uns pãezinhos, com os mais diversos formatos: passarinhos, bonecos, corações, etc. Uns eram de massa doce, outros recheados com “linguiça” fininha, era a forma que ele tinha de poder presentear os netos. Mas ascrianças sonhavam com outros brinquedos. Mas que brinquedos? Se naquele tempo maior parte das crianças, brincavam com bonecos e bolas de trapos, papagaios de papel, barquinhos de cortiça, carrinhos de madeira e lata... E os bonecos... bonecos de papelão, outros de celulóide, carrinhos de corda, só apareciam aos olhos das crianças, nas barracas dos feirantes... Esses... nem o Pai Natal trazia no saco! Nem as árvores de Natal modernas que existem actualmente, apenas algum pinheiro trazido dalgum pinheiral das redondezas, que eram enfeitados, quando havia por tabletes de chocolate e rebuçados de mel. Num certo Natal, apareceu então para alegria de Isabel, um lindo boneco com a cabeça e cara de porcelana e o corpito de pano, mais ou menos idêntico aos chorões que andaram em moda nos anos sessenta. O pai de Isabel havia trazido de Lisboa dois lindos bonecos de porcelana, um para ela e outro para a irmã mais nova. Foi a prenda mais querida e emocionante de toda sua vida! Foi um Natal em que o sapatinho lhe dera a melhor prenda. Mas nem sempre a felicidade é completa em nossas vidas... Meses mais tarde Isabel perde o seu pai. A mãe jamais deixava as filhas brincar com os seus bonecos de porcelana com receio de que se partissem. Isabel ficou sempre com o desejo que em outros natais, outros bonecos como aquele viesse povoar os seus sonhos de criança, tudo fora e vão... Passava os dias a fitar aquele boneco que um dia o seu Natal mais feliz. O Menino nunca mais descera à sua chaminé, só mais tarde compreendeu porque ele já não descia... e também porque a sua mãe preservava aquela relíquia. Hoje a vida deu-lhe lindos netos de carne e osso e a Isabel então mulher, sente mais feliz com os lindos netos, vendo neles os bonecos que nunca teve e também para que eles guardem do seu Natal melhores recordações. MARIZÉ - Maria José Fraqueza
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Comentários dos leitores

Alô, Marizé! Uma história, ao mesmo tempo, bonita e triste. Parabéns!

Postado por Silvino em 31-01-2007

Parabéns!

Postado por Marcelo Torca em 06-01-2007

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