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MISTÉRIO



					    
17 de abril de 2299 Era uma manhã fresca e tranqüila de Abril. A primavera em Londres era vivamente anunciada pela grande quantidade de flores que desabrochavam nas copas das árvores e ao longo dos canteiros que circundavam os parques. O céu azul e muito limpo prometia um dia agradável e bem atípico para o clima londrino. O Sol sugeria que as pessoas tirassem os seus pesados casacos para melhor desfrutá-lo. As crianças que brincavam nos gramados dos parques começavam a tirar suas blusas para aproveitar os benefícios dos raios solares. O ar, ainda um pouco frio, carregava um leve odor de flores e folhas frescas. A cada minuto que passava, o movimento na cidade ia aumentando visivelmente. O trânsito de veículos começava a ficar intenso, ao mesmo tempo em que um grande fluxo de pessoas se deslocava pelas calçadas, saindo e entrando pelos acessos do velho "Underground" (Metrô da cidade de Londres). As lojas e outros estabelecimentos comerciais começavam a abrir as suas portas, atraindo parte das pessoas que passavam pelas calçadas. O ruído começava a crescer, atingindo rapidamente os níveis característicos de um típico dia de semana na velha Londres. Enfim, mais um dia se iniciava! A grande quantidade de veículos que chegava das auto-estradas dava a impressão de que em pouco tempo não seria mais possível circular pelas ruas daquela típica cidade R3 (classificação das cidades, em função de seus recursos sócio-comerciais). Contudo, todos os veículos eram dotados de um confiável sistema computadorizado de controle e direção que possibilitava transitar-se a uma velocidade média acima dos 90 km/h na maioria das ruas e avenidas da cidade, impedindo assim a ocorrência de engarrafamentos. Todas as ruas possuíam um eficiente sistema de balizamento eletrônico que garantia a segurança dos veículos, mesmo deslocando-se a uma velocidade urbana inconcebível há algumas décadas atrás. A criação das auto-estradas automáticas, onde os veículos são movimentados em trilhos a velocidades superiores a 200 km/h, possibilitou a melhor distribuição da população pelas redondezas daquele antigo centro de poder do extinto Reino Unido. Hoje em dia, mais da metade da população ativa de Londres reside em condomínios localizados a mais de 150 quilômetros de distância do seu gigantesco centro urbano. O emprego de veículos temporários (Veículos alugados para uso em pequenos trajetos. O usuário utiliza o veículo para se deslocar de um local para outro e, lá chegando, deixa-o para ser utilizado por outra pessoa) pela grande maioria dos motoristas dispensa a necessidade de extensas áreas de estacionamento. Mais de 500 mil veículos chegam e saem todos os dias de Londres. Encontrar lugar para estacionar todos esses automóveis seria impossível! A evolução do trânsito era atentamente acompanhada pelo Serviço de Controle do Tráfego. As câmeras de vídeo monitoravam todos os movimentos do complexo sistema viário da cidade, possibilitando a previsão de eventuais congestionamentos ou a detecção de qualquer fato estranho no trânsito. Os veículos elétricos deslocavam-se de forma rápida e bastante silenciosa pelas ruas e avenidas da cidade. Para alguém desacostumado, a visão daquela enorme quantidade de carros deslocando-se a velocidades tão altas causava uma estranha sensação de insegurança, dando a impressão de que um acidente ocorreria a qualquer momento, mas a alta confiabilidade dos equipamentos de controle assegurava a tranqüilidade dos motoristas. Há mais de dez anos não ocorria um só acidente envolvendo veículos nas ruas de Londres. Esse fato era a maior prova de que o sistema era realmente confiável e muito seguro para os seus usuários. Versões modernas movidas a eletricidade dos antigos “Big Red” (Ônibus de dois andares, pintados de vermelho, tradicionais da cidade de Londres) circulavam pelas ruas, despejando seus passageiros e aumentando mais ainda o número de pessoas que transitavam pelo centro da cidade. O trânsito estava bastante tranqüilo na ponte da Torre de Londres, embora uma grande quantidade de veículos estivesse passando por aquele local. Ao dar um giro por aquela área, uma das câmeras detectou a parada de um pequeno veículo que estacionou bem no meio da ponte. Era um modelo VH azul metálico, muito popular entre os motoristas mais jovens. Aparentemente havia algum problema em uma das rodas, pois seu motorista, depois de ficar alguns instantes sentado ao volante, acionou o Sinalizador Auxiliar de Segurança (Uma versão moderna do antigo “Triângulo de Segurança”, dotada de um sinalizador visual e sonoro, destinada a alertar as pessoas. Todos os veículos são equipados com um Sinalizador de Segurança que, na parada do veículo ou na redução brusca de sua velocidade, emite sinais de rádio para os carros que se aproximam, fazendo com que desviem automaticamente do veículo), saiu do carro e foi até o porta-malas, onde pegou o estepe do veículo. A placa BK5LX483, que indicava tratar-se de um veículo particular, foi imediatamente registrada e enviada ao serviço de apoio aos motoristas. Na Central de Controle, as imagens recebidas da câmera eram atentamente observadas por um jovem estagiário que ali estava em período de experiência, há menos de uma semana. Ao constatar que o motorista havia abandonado o veículo, Mohamed Al-Kapur chamou imediatamente o Supervisor: - Senhor, acabo de detectar uma atitude muito suspeita. Conforme o Regulamento devemos comunicá-lo ao Departamento de Polícia. – disse o rapaz. - Que tipo de atitude suspeita? – perguntou o Supervisor, acreditando tratar-se de excesso de zelo por inexperiência do jovem estagiário. - Abandono de veículo em logradouro público, senhor! Segundo o Regulamento, este tipo de fato deve ser imediatamente comunicado à Polícia, pois pode tratar-se de algum atentado. - Veja bem, meu jovem, pois eu apenas vejo no monitor um motorista com um pneu em seus braços e nada mais! Vale também a pena lembrar que há mais de um século nós não temos nenhum tipo de atentado. - Mas, senhor! O motorista está se afastando do veículo. Caso ele tivesse a intenção de trocar o pneu, ele estaria abaixado próximo ao carro e não no meio da calçada, distanciando-se do automóvel! Solicito sua autorização para fazer a comunicação! – disse o jovem, em tom decisivo. - Tudo bem! Faça-o! – foi a resposta sem nenhum entusiasmo do Supervisor. Mohamed acionou um botão vermelho em seu painel e digitou a placa do veículo além do código da infração. Imediatamente as informações foram enviadas ao Departamento de Polícia que acusou o recebimento e informou estar enviando dois policiais ao local. A apreensão do jovem aumentou, quando observou que o motorista já estava muito próximo à amurada da ponte. As pessoas que passavam pelo local, todas muito reservadas, ainda não haviam percebido nada de estranho. Cada uma delas tinha seus próprios afazeres e, além disso, o que os outros faziam não era da sua conta. Contudo, alguns transeuntes estranharam quando o motorista, segurando firmemente o estepe com um de seus braços, começou a escalar a amurada da ponte, ficando sobre a mesma, imóvel por alguns minutos, fitando fixamente as águas do rio Tâmisa. Diante do estranho comportamento do motorista, muitos dos passantes pararam para ver o que acontecia. Alguns tentavam chamar a atenção daquele cidadão de atitudes tão estranhas, na tentativa de demovê-lo daquela ação irracional. O motorista, porém, continuava imóvel, agarrado ao pneu e alheio a tudo o que se passava à sua volta. Os policiais tiveram muita dificuldade em chegar até a amurada da ponte, devido à grande quantidade de pessoas que se aglomeravam no local. Um dos policiais deu ordens explícitas ao motorista para que retornasse imediatamente à calçada. O outro até cogitou de usar sua arma neural (Dispositivo utilizado pelos policiais, em substituição às velhas armas de fogo, que possui capacidade de interferir à distância no sistema nervoso das pessoas. Os efeitos causados vão desde uma leve tontura até espasmos de dor semelhantes a um ataque cardíaco. Na graduação mais forte, essa arma leva suas vítimas a ter uma sensação de prazer semelhante ao clímax sexual e, em menos de um segundo, à sensação de estar com todo o corpo em chamas. Essa variação sensorial abrupta causa a total paralisação da vítima por um considerável período de tempo) mas, ao considerar que o motorista poderia cair da ponte, desistiu da idéia. Um dos policiais subiu na amurada, na tentativa de chegar até o motorista, que continuava impassível de olhos fixos nas águas que lentamente corriam sob a ponte. O indivíduo, sem dar a mínima atenção aos que estavam à sua volta, completamente alheio a tudo e a todos, fez uma longa expiração, fechou seus olhos e, poucos minutos depois, caiu da ponte, firmemente abraçado ao pneu, ignorando os gritos dos passantes que lhe pediam para não fazer aquilo. Todo aquele acontecimento tão estranho fora gravado pelo estagiário do Serviço de Controle do Tráfego, para o caso de alguma investigação posterior. O motorista caiu e logo afundou. Muitas pessoas tentavam localizar o homem que rapidamente desapareceu sob as águas do rio. Minutos depois, uma lancha da polícia londrina estava no local, enviando mergulhadores para resgatar o motorista. Os depoimentos colhidos das testemunhas confirmavam tratar-se de um caso muito estranho. Afinal, nada havia acontecido para que o homicida tivesse uma atitude tão bizarra. Após quase quinze minutos de buscas, o corpo do motorista foi finalmente encontrado envolto na espessa vegetação do fundo do rio, ainda firmemente abraçado ao pneu que, por ter se enchido de água durante a queda, mantinha o corpo preso ao fundo. Os mergulhadores tiveram grande dificuldade em trazer o corpo à tona, o que só foi conseguido após a separação do pneu, através de sua destruição parcial. Após a retirada do cadáver das águas geladas do Tâmisa, todas as tentativas para reanimá-lo (As normas de Primeiros Socorros atualmente vigentes estabelecem a obrigatoriedade de se tentar reanimar pessoas afogadas por até 60 minutos. O estabelecimento dessas normas baseiam-se em fatos históricos de sucessos obtidos com pessoas afogadas em águas geladas por mais de 30 minutos) foram feitas, porém sem nenhum sucesso. O corpo do suicida foi encaminhado ao Serviço de Medicina Legal que procedeu a sua perícia, retirando amostras de sangue, unhas, cabelo e de diversos órgãos. O material colhido seria de grande importância para as investigações sobre aquele crime tão estranho. Durante a necropsia três chips de identificação (Microcircuitos inseridos em partes específicas do corpo, logo após o nascimento da pessoa. Neles são registrados todos dados principais do indivíduo e de sua vida, desde nome, filiação, data e local de nascimento até informações escolares, profissionais e posição bancária. Esses chips dispensam o uso de qualquer tipo de documento de identificação. Até 30 anos atrás eram usados três chips em cada indivíduo, mas desde então apenas um microcircuito é implantado no polegar direito) foram retirados do cadáver. As informações contidas nesses chips indicavam que o indivíduo era originário da cidade de Grenoble, que estava em Londres há dois anos para atualização profissional e que possuía crédito (Possuir crédito significa o mesmo que possuir boa situação financeira). Os chips foram devidamente embalados para serem enviados à Polícia. A autopsia acabou por revelar aspectos ainda mais misteriosos sobre o indivíduo. Os médicos legistas se surpreenderam ao comprovar que o homicida havia pulado no rio e, em hora nenhuma, ingerira uma gota d’água sequer. O laudo, emitido por três legistas, foi indiscutível: O pobre homem morrera por asfixia, ou seja, ele simplesmente parou de respirar. Seus pulmões estavam secos e, exceto pela pele enrugada, devido ao longo período de exposição à água, nada poderia indicar que aquele homem havia morrido dentro d’água. Na verdade, dois dos três médicos que examinaram o corpo acreditavam que o indivíduo praticou seu suicídio ainda na amurada da ponte, apenas parando de respirar. O maior mistério em toda essa história residia no fato de alguém ter conseguido contrariar expontaneamente um dos princípios básicos da sobrevivência humana. (trecho inicial de conto de ficção em elaboração pelo autor, com título provisório de "A AMEAÇA")
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Postado por Edemilson Reis em 18-02-2007

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