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MEMÓRIAS



					    
- CONTINUE OLHANDO PARA FRENTE E MANTENHA SUAS MÃOS NO VOLANTE! Aquela mensagem fria interrompeu os pensamentos de Alice. Ela aguardava o sinal abrir e estava totalmente distraída, imaginando qual seria o melhor trajeto para a escola de Luiz, a tempo de lá deixá-lo antes do início das aulas. Sua distração era tal que não se apercebeu da chegada de uma moto com dois homens, ambos armados. Alice já havia sido assaltada diversas vezes e adquirira considerável experiência sobre como agir naquela situação. Seguiu as ordens do assaltante, mantendo suas mãos ao volante sem olhar para nenhum dos lados. Suas expectativas eram de que, como das vezes anteriores, os assaltantes mandassem que ela saísse lentamente do carro, pegasse Luiz no banco traseiro e se afastasse, sem olhar para trás. A situação espantou Alice quando, ao invés do esperado, um dos homens dirigiu-se para o banco de trás e sentou-se ao lado de Luiz , apontando-lhe uma arma. Alice sentiu seu sangue gelar ao ver seu filho sob ameaça. Mesmo tentando manter a calma, começou a transpirar copiosamente, dando sinais visíveis de desespero. Tentou em vão controlar sua respiração, buscando uma forma de acabar logo com aquela situação: - O senhor pode levar o carro e tudo que há nele, mas deixe eu e meu filho irmos embora - disse ela, complementando - Dou-lhe a minha palavra que não faremos nenhum tipo de registro policial, apenas peço-lhe que nos deixe ir. A resposta aumentou mais ainda sua visível inquietação: - Não é o carro que queremos e muito menos o que tem nele.- disse o marginal - Nós queremos vocês dois, cujo resgate poderá nos render umas mil vezes o valor desse carro. Alice viu tudo girar ao seu redor mas, ao sentir a arma fria em sua nuca, recobrou rapidamente a consciência, falando para si mesma que a última coisa que poderia fazer naquela hora seria desmaiar. A vida de seu filho e a sua dependiam do seu autocontrole. Naquele momento milhares de coisas passaram pela cabeça de Alice, desde tentar negociar com o bandido até acionar o alarme do rastreador satélite, instalado em seu carro para aquele tipo de situação. Mas, com o pensamento bastante confuso, ela não achava lógica em nenhuma das ações que conseguia imaginar. Para cada uma delas, Alice imaginava o que poderia dar errado e acabava desistindo. Assim que o sinal abriu, o seqüestrador ordenou que seguisse em frente. Enquanto dirigia, Alice imaginava como poderia resolver o mais rápido possível aquela situação. Silenciosamente, ao mesmo tempo que dirigia, fazia suas preces pedindo para que tudo acabasse bem e o mais rápido possível. Sua preocupação aumentou quando Luiz começou a chorar. Ela temia que o marginal pudesse fazer algo de mal ao seu filho, que acabara de completar quatro anos de idade. Começou a cantarolar uma velha cantiga para Luiz, na tentativa de acalmá-lo, mas foi interrompida pelo bandido, que mandou que ela se calasse e prestasse atenção ao volante. Alice estava desesperada, principalmente quando constatou que estava sendo acompanhada pela moto que a abordara e por um carro com mais três indivíduos. De tempos em tempos, a moto passava pelo carro de Alice, apenas para lhe lembrar que ela estava sendo vigiada e que não fizesse nenhuma tentativa de escapar. De modo similar, o carro a acompanhava de perto, piscando o farol para também lembrá-la de que ela não estava sozinha. Quando o carro parou no sinal seguinte, Luiz, que se encontrava bastante assustado, voltou a chorar de tal modo que Alice entrou em pânico. Ela realmente temia que o bandido pudesse bater nele, algo diante do qual ela não sabia como reagiria. O seqüestrador que demonstrava visível impaciência diante da choradeira de Luiz, gritou com a criança e, apontando a arma para a cabeça de Alice, ordenou-lhe que não mais olhasse para trás e que cuidasse apenas do volante. Assim que o sinal abriu, o marginal ordenou a Alice que saísse logo, mantendo a pistola engatilhada em sua nuca. Repentinamente, um veículo avançou o sinal contrário, cruzando a frente do carro de Alice, forçando-a a frear abruptamente para evitar a colisão. Nesse momento, o marginal, ao ser jogado para a frente pela freada brusca, apertou o gatilho da arma, disparando-a. O projétil atravessou a cabeça de Alice e perfurou o painel do carro, banhando o pára-brisa do veículo com sangue e pedaços de massa encefálica. - Meu filho...- suspirou Alice, caindo morta sobre o painel do carro. A confusão que se seguiu foi indescritível. Logo em seguida à queda de Alice, os dois veículos pararam ao lado de seu carro. Houve uma enorme discussão, que girou em torno do que fazer diante daquela situação. O líder da quadrilha berrava com o bandido que estava no carro de Alice, que tentava se desculpar, alegando ter sido um acidente. Os demais falavam em pegar Luiz e sair o mais rápido dali, ao mesmo tempo que discutiam sobre a possibilidade do garoto lhes dar trabalho. A discussão rapidamente esquentou, os ânimos se acirraram, culminando com um tiro certeiro, disparado pelo chefe da quadrilha, no peito do assassino de Alice. Rapidamente, todos abandonaram o local do crime, fugindo em disparada, cada veículo em uma direção diferente. Naquele triste cenário somente ficara o garoto e os dois corpos. - Mamãe, mamãe, fale comigo! - gritava Luiz desesperado, enquanto tentava inutilmente se desvencilhar do corpo do assassino caído por cima dele - Eles já foram embora! Até aquele momento Luiz ainda não se dera conta do acontecido. Na verdade, era muito difícil para uma criança daquela idade compreender o que era morte e o que acontecera naqueles últimos instantes. Poucos minutos depois, a polícia chegou, cercando o local do crime e tomando conta da situação. Flávio, o pai de Luiz, fora chamado e, meia hora depois, lá estava ele representando a personificação da perplexidade, diante daquele cenário lúgubre e desesperador. Esse episódio violento foi a única memória que permaneceu viva durante muito tempo na mente do pequeno Luiz, que nunca conseguira compreender o que realmente havia se passado. Para ele, nada justificava a morte estúpida de sua mãe. A pobre criança não tivera uma noite de sono tranqüilo nos meses que se seguiram. Toda noite, Luiz sonhava a mesma cena: Alice cantarolava sua cantiga predileta e, repentinamente, era interrompida por um estampido alto e seco. As palavras "Meu filho..." ecoavam e, normalmente, o menino acordava aos prantos, sem saber ao certo se aquilo tinha sido apenas um sonho ou se era a sua trágica experiência repetindo-se novamente. Tal foi o trauma de Luiz, que Flávio se viu forçado a interná-lo em uma clínica psicológica infantil para amenizar a dor de seu filho. Flávio também ficou profundamente afetado com o fato. Todas as vezes que saía de casa tinha sérias dificuldades em afastar o medo de que alguém tentasse seqüestrar Luiz. Esse era o preço que ele pagava pelo seu sucesso profissional e financeiro, ocorrido repentinamente nos últimos meses, como resultado de um trabalho realizado para uma empresa multinacional de mineração. Os temores de Flávio cresceram a tal ponto que ele decidiu matricular Luiz em um colégio interno localizado em outro estado. A localização e os detalhes sobre esse colégio eram segredo mantido a sete chaves por Flávio. Na sua opinião, a separação de Luiz, que após a morte da mãe se apegara muito a ele, seria o alto preço a ser pago pela sua segurança. (Do livro "DOMINANDO O RAIO" - versão completa)
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Comentários dos leitores

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Postado por Edemilson Reis em 18-02-2007

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