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O ACERTO DE CONTAS



					    
De repente, uma luz muito forte apareceu logo atrás dos dois seres, destacando mais ainda suas grandes asas. Assim que Zé se deu conta do que estava acontecendo, ele e os dois seres estavam dentro de um caminho luminoso. Em um piscar de olhos, tudo a sua volta estava totalmente enevoado, como se eles estivessem dentro de uma grande nuvem. Sem entender nada do que estava ocorrendo à sua volta, mas ainda acreditando ser tudo uma grande brincadeira, Zé avistou uma outra pessoa a sua frente. Era uma pessoa idosa, com barbas e cabelos grisalhos e muito longos. A grande chave pendurada em seu pescoço lhe lembrou alguém bem conhecido. Mas não era possível! – pensou ele. - O senhor é São Pedro? – perguntou Zé bastante confuso. - Deixa disso! – respondeu o ancião – Você pode me chamar apenas de Pedro, afinal estamos todos no mesmo barco! - Está bem Seu Pedro! O que eu estou fazendo aqui? - Espere aí, meu rapaz! Ou você me chama de Pedro ou então usa o meu título correto, afinal “Seu Pedro” não fica nada bem para mim. - Tá bom, “meu tio” (tratamento para alguém bem mais velho)! Mas o que eu estou fazendo aqui? - Caro Zé, você ainda não se apercebeu, mas você passou daquela para melhor e esta é a hora do seu acerto de contas! - Peraí, eu não estou devendo nada a ninguém! – retrucou Zé – Eu nunca pendurei conta nenhuma, nunca fiz fiado e muito menos peguei dinheiro emprestado, então não tenho nenhuma conta para pagar! - Não é esse tipo de conta de que estou falando! – respondeu São Pedro que começava a ficar impaciente com a incompreensão de Zé. - Ah! Já entendi! Deve ser conta de luz! – respondeu Zé – Lá na minha casa, a gente só usa vela e lampião. Eu não tenho luz e nem água encanada. - Mas ... – São Pedro tentou interromper. - Como eu estou desempregado há mais de ano, também não tenho nenhum imposto para pagar. – continuou Zé, falando feito um papagaio – Assim, acho que não tenho nenhuma conta para prestar. Agora se o senhor, quero dizer você, me permite eu vou voltar para a minha patroa que já deve estar preocupada comigo. - Você não vai a lugar nenhum! Vamos logo fazer esse acerto de contas! – exclamou São Pedro demonstrando irritação com a demora. - Peraí! Não precisa engrossar! Eu já lhe disse que não tenho nenhuma conta pra acertar! Se o senhor me dá licença, até mais ver! Antes que Zé pensasse em dar meia volta, os dois anjos se colocaram diante dele, bloqueando a sua passagem. - Você não vai a lugar nenhum! – exclamou Gabriel, um dos anjos que acompanhavam Zé – Trate de fazer o que São Pedro lhe mandar! - Afinal ele é São Pedro, é Pedro, ou é o quê? – perguntou Zé, meio confuso. - Chega de conversa e vamos ao que interessa! – exclamou São Pedro já bastante irritado com aquilo tudo – Há muitas outras almas para serem atendidas. Não é porque você fez uns milagrinhos que terá atendimento especial. Aqui todos são iguais! - “Ôxe” (contração de ôxente = ô gente!)! Chega de brincadeira e vê se me deixa voltar para casa, “meu bom” (meu camarada)! – falou Zé, tentando reparar a situação e conseguir um meio de voltar para sua casa. - É! – disse Rafael, o outro anjo – Você realmente não está entendendo nada mesmo! - E tem alguma coisa para entender? Eu só quero voltar para minha casa! - Aqui será sua casa daqui para frente! – disse São Pedro – Agora fique quieto e assista ao filme de sua vida! Toda a vida de Zé foi projetada diante dele num relance. Em um piscar de olhos, Zé assistiu toda a sua passagem pela vida terrena, desde seu nascimento até o tombo fatal que marcou sua despedida. - Que filme mais estranho! – exclamou ele – Mal começou e já acabou! E que história mais “peba” (mixuruca), não aconteceu nada de interessante! Mas num é que o artista até se parecia comigo? - Esta foi a sua vida! – falou São Pedro – Vamos agora ao acerto de contas! Uma enorme balança dourada desceu do alto. Em cada um de seus dois pratos havia uma inscrição. No prato da esquerda estava gravado a palavra “Pecados” e no da direita podia ser lido “Boas-Ações”. O fiel da balança estava bem no meio da escala indicando o veredicto final: “Purgatório”. - Vejo que seu destino está traçado! – disse São Pedro. - Senhor, peço que espere um pouco! – intercedeu o anjo Gabriel – Ainda há algumas considerações a fazer! - Seja breve! – respondeu São Pedro, começando novamente a ficar irritado – Temos muito trabalho pela frente, pois ainda há muitas almas para serem julgadas. - Senhor, esse é um caso especial em que temos que aplicar um fator de correção. - O que há de especial neste caso? – indagou São Pedro demonstrando impaciência com a demora do julgamento. - Esse desencarnado já operou três milagres por puro amor! – intercedeu o anjo – Na condição de seu anjo da guarda, sinto-me no dever de informar que ele, enquanto ainda era vivo, nunca me deu nenhum trabalho. - E daí? – perguntou São Pedro. - Além disso, devemos também considerar que o coitado nunca teve grandes oportunidades para fazer boas ações. Isso também dificulta a avaliação do seu lado bom. - Está bem! Está bem! – falou São Pedro – Onde você quer chegar? - Senhor, como seu defensor, eu quero invocar o primeiro parágrafo do artigo 3º do Regulamento Espiritual, que foi aprovado no último Conselho Celeste! - Não pode ser! – exclamou São Pedro espantado com a solicitação – Você está querendo classificá-lo como “Beatus Novatus”? - Sim senhor! Os milagres operados por essa alma, embora tenham sido de pequena grandeza, já estão surtindo efeitos importantes. A comunidade de onde ele vem já está organizando romarias para visitar a igreja local. Além disso, o número de fiéis aumentou consideravelmente com a notícia destes pequenos milagres. Esse humilde espírito conseguiu angariar um grande número de devotos em apenas um dia. - Acho que você está superestimando esses fatos. Isso poderá abrir sérios precedentes no futuro. - Senhor, mesmo assim, proponho considerá-lo um “Beatus Novatus” em treinamento e encaminhá-lo para um estágio na Câmara Celestial. Lá ele poderá ser acompanhado mais de perto para uma melhor avaliação. Assim não será cometida nenhuma injustiça. Se o desencarnado não corresponder às expectativas, ele poderá ser mandado de volta. - Gostei da sua sugestão! SEJA FEITO! Assim que São Pedro deu a ordem, os dois anjos pegaram Zé pelo braço e seguiram para uma plataforma que levou os três para as alturas. A viagem foi muito rápida e num piscar de olhos eles chegaram a um local que parecia ser todo forrado com nuvens. Tudo em volta possuía um tom branco azulado que transmitia uma paz intensa. Até Zé se sentiu mais calmo naquele lugar. - Lugarzinho “porreta” (legal) esse aqui, velho! Mas eu prefiro ir pra minha casa ficar “de junto” (junto) da minha Zefinha! - Fique quieto e aproveite a sua chance! – disse o anjo Gabriel – Trate de prestar bastante atenção em tudo que você ver daqui para frente! Assim que chegaram até o ponto mais alto, uma jovem figura feminina estava à espera dos três. Com sua pele rosada, vestes vermelhas, lenço branco sobre os cabelos castanhos e forte sotaque italiano, ela olhou bem para o Zé, abriu seus braços e disse: - Veja! Seja bem-vindo à Câmara Celestial! Eu sou Luzia e serei sua guia daqui para frente! - Prazer, Dona Luzia! Eu me chamo Zé! - Veja, você pode me chamar apenas de Luzia! - Tudo bem, dona! - Olhe! Eu observei que você está apertando sua vista para ver as coisas mais distantes! Precisamos dar um jeito nisso. Resolver problemas de visão é a minha especialidade! - A senhora é “dotôra” oculista? - Deixe pra lá! Pegue isso e coloque no seu pescoço. – disse a santa após dispensar os dois anjos que escoltavam Zé. Santa Luzia entregou ao Zé um reluzente crachá alaranjado, onde se podia ler as inscrições “José da Silva” e “Beatus Novatus”. Depois de colocá-lo, Zé observou que ela também portava um crachá de cor azul celeste com as inscrições “Luzia” e “Sanctus Plenus”. Santa Luzia conduziu Zé pelos corredores da Câmara Celestial, mostrando para ele todas as dependências do lugar e como as coisas funcionavam por ali. - Vixe! Pelo tamanho disso aqui vai ser uma boa paletada ! – falou Zé. Enquanto os dois caminhavam pelos corredores da Câmara Celestial, Santa Luzia ia dando as explicações necessárias: - Veja bem! Aqui na Câmara Celestial são discutidos os diversos assuntos celestiais. – iniciou a santa – Todos os milagres, canonizações, bênçãos e beatificações são analisados e decididos nesta casa e sempre precisam contar com a aprovação da maioria. - É? - Depois de analisadas e aprovadas, as propostas são submetidas à apreciação do Cenáculo que, depois de também analisá-las e aprová-las, as encaminha ao Altíssimo para ser sancionado ou vetado. – continuou a santa – Ao ser sancionada, a proposta é efetivada e entra em vigor imediatamente. - Muito interessante isso tudo que a Sra. está falando, – disse Zé, se divertindo com aquilo tudo e ainda sem entender nada do que estava acontecendo à sua volta – mas quando eu vou poder ver a minha Zefinha? - Olhe! As atividades da Câmara Celestial são realizadas de têrça a quinta-feira. Assim todos nós podemos nos ausentar nos outros dias para visitarmos os nossos fiéis. - Ôxe! Mas hoje não é segunda-feira? Falou Zé – Então eu posso ir ver a Zefinha! - Veja bem, Zé! Nesta semana está ocorrendo uma convocação especial para a análise de algumas propostas especiais. Há uma série de pedidos de milagres que requerem análise urgente. - E daí? - Olhe! Isso significa que nesta semana haverá expediente todos os dias, mas será por uma causa nobre! Agora vamos continuar nossa visita pela Câmara Celestial, pois há muito para se ver. Enquanto os dois corriam a Câmara Celestial, Zé se deparou com uma fisionomia, muito bem conhecida por ele, trajada com seu impecável hábito escuro e portando um crachá azul celeste com as inscrições “Dulce” e “Sanctus Novatus”. - Aff (Minha nossa)! Irmã Dulce, que bom ver a Sra. por aqui! – exclamou Zé, bastante surpreso com aquele encontro. - Como vai meu filho? – foi a resposta recebida juntamente com um sorriso. - Vou bem, obrigado! Mas eu ouvi dizer que a senhora tinha morrido! - Quem crê no Altíssimo não morre nunca! - Isso é verdade! – respondeu Zé automaticamente, ainda sem entender nada do que se passava ao seu redor. - Como vai aquele seu afilhado? – perguntou Santa Dulce – Como era mesmo o nome dele? - A senhora deve estar falando do Jonilson! - Ele mesmo! – respondeu a santa novata. - Ah! Ele está muito bem! Depois que foi internado na sua Casa de Saúde, lá em Salvador, ele ficou um menino novo e está forte feito um cavalo! - Dou graças por saber disso! - Qualquer dia eu trago ele aqui para lhe fazer uma visita. - Não será necessário, meu filho! Tenho certeza de que ele está bem e que ainda é muito cedo para ele vir para cá! - A senhora é quem sabe, irmã. – disse Zé, sem entender ao certo o que realmente significava a resposta recebida. - Vejam bem! Nós ainda temos muito o que ver, então seria bom continuarmos nossa visita. – disse Santa Luzia, tentando encerrar aquela conversa e dar prosseguimento à apresentação da Câmara Celestial. - Bem, se você me dá licença, – disse Santa Dulce – eu tenho alguns trabalhos pra concluir. Até logo, meu filho! - Até logo, irmã! (Do livro "A INCRÍVEL HISTÓRIA DE SÃO JOSÉ....DA SILVA" - escrita em baianês - ainda não publicado)
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Comentários dos leitores

Grande Silvino! Maravilha de texto... Meus sinceros parabéns! Agradecimentos oportunos ao meu singelo texto "AS HORAS".

Postado por COLIBRI em 10-07-2008

Oi, Seu Silvino! Gostei muito do acerto de contas do Zé. Espero que, na balança dourada, o meu prato da direita pese bem mais do que o da esquerda.

Postado por Annacelia em 01-02-2007

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