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O PRIMEIRO BEIJO



					    
Antigamente o beijo era uma carícia em que os namorados evitavam exprimir-se na via pública. Normalmente, procuravam locais mais isolados, principalmente certos recantos aprazíveis, jardins, parques... Hoje em dia, o beijo é um acto normal que se vê a toda a hora, por todos os locais. A liberdade veio dar ao homem e à mulher, uma certa emancipação do acto de beijar... e tudo se transformou numa rotina diária. Vê por todo o lado, ( até mesmo nas escolas) os namorados, beijando-se mutuamente, sem se importar com quem passa... - Ah! Mas outrora não era assim! Recordo muito bem do que a minha bisavó, muito preconceituosa , a toda a hora me dizia: - De mão dada? Já andas como marido e mulher? Nem pensar! Primeiro, era o namoro à janela... Às vezes, esta, era demasiado alta....e nas ruas havia sempre os «espreitões» que contavam as histórias dos beijos... Até um simples beijo dado sem mal, era proibido... qual quê? Cada um fazia o que podia, mas às escondidas...claro! Eu vivia sempre com receio... comecei a namorar, mas já não podia ser à janela por causa da censura da vizinhança. O namorado entrava em casa, a nosso lado havia sempre o « pau de cabeleira» ( a velha tia, a irmã mais velha ou avó), não fosse a nova geração poluir os canais do amor... Depois, ainda por cima, minha bisavó, sempre a insinuar, sempre a recomendar, no seu jeito subtil e nós... nada percebíamos: - Um beijinho, não «emprenha» mas daí é que se engenha!- alertava constantemente. Minha mãe também era muito complicada, havia perdido o marido e eu, ainda muito criança e ingénua, nada percebia... e interrogava-me, mas afinal que mal haverá num simples beijo? Um certo dia comecei a namorar, ainda estudante....mas na escola era o mesmo. Surgiam sempre complicações! Quem fosse apanhado a beijar, ou seguir com o namorado até 200 metros da área respectiva, era castigado e avisavam os pais. - Que bonito seria por um beijo dado, ter problemas em casa ! Não faltaria «um sermão e missa cantada» ou talvez alguma «senhora tareia» e dantes que os educadores tinham «as mãos mais leves»... era bom! Era!... Mesmo coisas da era... A minha mãe que tanto recomendava prudência... e nem sequer admitia que andasse de mão dada, com o meu namorado... E assim, deste jeito, era difícil um beijo entre dois namorados... havia sempre «falta de à vontade» pelos constantes avisos... A falta de liberdade era tremenda!... Mas a história do beijo que vos vou contar, marca a melhor prova de afecto que cimenta um puro amor... Adoeci com uma grave doença pulmonar. As análises revelavam-se positivas. Eu havia adquirido o «bacilo de Kock»... O meu namorado, visitava-me com frequência...passava longas horas a ler-me livros, romances ou outros para me distrair enquanto eu repousava...Depois...olhava para mim tão fixamente, como que a querer consolar-me, de alguma forma do meu «infortúnio» ou talvez o ímpeto da paixão que me dominava. Agora já ninguém vigiava, mas que poderia fazer uma jovem doente? Que loucura seria a do rapaz que fosse beijar uma tuberculosa? Talvez minha mãe pensasse assim? Ou seria por piedade, que me deixava naquela sala, a sós, com o meu namorado? Quantas vezes eu pensei assim... Quantas lágrimas eu derramei... pensando que jamais teria o direito a um beijo de amor? De qualquer forma... de nada já valia, deixarem-nos naquela sala sozinhos... Mas quando o amor é forte... nada teme e as ocasiões surgem... Eu havia agarrado um frasco de «Rimifon» - medicamento que bebia na altura, então, ele antes de eu beber aquele remédio, num abraço, enlaçou-me pele cintura, e deu-me um, o seu primeiro beijo de amor, terno, suave e apaixonado...as lágrimas caíram pelo meu rosto e assomaram ao seu olhar, quando eu lhe disse: - Agora, depois do que fizeste, vais ficar contagiado, eu não quero que voltes a repetir o beijo, por favor! Então, ele respondeu-me: - Eu não me importo do contágio, porque se tu não tiveres saúde, eu não vou beijar mais ninguém e morro por ti! Esta é a história do mais lindo beijo de amor que vivi... E na verdade, nem ele, nem eu morremos da doença e hoje, morremos ambos de saudade, desses beijos dos velhos tempos de outrora... "Saudades do bem que se teve, duram mais do que os aborrecimentos do mal que os acompanha."
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Comentários dos leitores

Lindo texto, mais lindo ainda porque é memória do coração!

Postado por lucia maria em 20-11-2012

Um retrato fiel "daquela época" e uma linda história de um verdadeiro amor. Parabéns!

Postado por Liwa em 28-05-2007

Alô, Marizé! Realmente, o primeiro beijo, ninguém esquece! Parabéns!

Postado por Silvino em 09-05-2007

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