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AS FILARMÓNICAS DO REI



					    
As bandas tiveram o maior impacto no século XIX e princípios do século XX, muito embora em algumas localidades algarvias se tenha nos últimos anos, dado maior incremento a estes agrupamentos musicais. Elas jamais deixaram de acompanhar as procissões e eventos religiosos. Algumas instituições musicais as mantiveram desde sempre, entre outras nacionais a Banda da Armada Portuguesa, que se manteve activa. Também é de destacar as corporações de bombeiros, e, justiça lhes seja feita a alguns dos seus elementos - os famosos soldados da paz, que têm sido alguns percursores mais directos desta evolução, que actualmente se está a verificar. No Algarve, quando alguma personalidade importante, visitava alguma localidade, eram sempre as bandas que davam as boas vindas aos visitantes. Existiam no Algarve, no período da monarquia algumas importantes bandas de música, nomeadamente: Paderne, Loulé, Tavira, Castro Marim, Olhão, Moncarapacho, Lagos, etc... É de realçar esta tentativa de preservar o património cultural que as antigas bandas tinham na sociedade. A par das tradições e costumes elas mantêm-se de pé, e intensificam-se esforços nesse sentido. Todavia, na geração mais moderna cresce uma tendência mais acentuada, para as bandas jazz e rocK, que assumem na música um cariz moderno, com acentuadas diferenças não só de estilo, como da finalidade a que se destinam. Todavia, nas bandas mais tradicionais que ainda hoje existem, nota-se a presença de muita juventude e muito especial das mulheres que não incluíam nas antigas bandas, apenas constituídas por homens. Era muito interessante o papel que as bandas tinham na sociedade de outrora. É desses que hoje vou contar alguma coisa do que me contaram os meus bisavós e que ainda criança apreciei. Como sempre as bandas acompanhavam as procissões e todas as festas religiosas. Tinham vários percursos. Percorriam nos dias de festa todas as ruas, acordando todo o pessoal que ainda dormia, ao romper da alvorada, para dar as boas vindas à população. Acompanhavam mais tarde as procissões e à noite faziam os seus concertos junto das igrejas. Os adros das igrejas era enfeitados com bandeirinhas de papel de variadas cores. Faziam-se sempre dois coretos (ainda existem outros coretos nalguns jardins de cidades) que eram feitos nas aldeias ou vilas mais pobres com tábuas e pau enfeitados com murta, tal como nos mastros dos Santos Populares. Daqui destes coretos as bandas de música, tocavam ao desafio entre os gritos da multidão: - Viva Museca de Lagos! - Viva a Múseca de Paderne! - Viva a Múseca de Loulé! Era um ecoar de vivas e por vezes, de acalorada discussão e brigas... - Se calhar pensas que a banda de Paderne é melhor que a nossa! Tóstes! Fora Porque! - E há-de ser com Mestre Mesquita, que toca o melhor trombone! - Um trabone, dou-te eu nas ventas! Era assim na vida das aldeias, havia um grande entusiasmo em ouvir as bandas de música. Todavia, vou contar-vos um episódio em que o Rei D. Carlos I, deu o maior impacto de que há memória a uma banda algarvia, segundo contaram populares que viveram nessa época já distante. O monarca, tinha por hábito visitar as terras portuguesas de vez em quando. Numa das suas deslocações ao Algarve, acompanhado pela Família Real (Rainha D. Amélia e os Infantes, seus filhos), fazendo visitas desde Lagos a Tavira, o povo seguiu-o por todo o lado. A multidão que o acompanhou era enorme. O Rei era uma simpatia. Quando a comitiva chegou à pequena aldeia, é claro que não faltou a banda local a dar os cumprimentos de boas-vindas e seguir atrás do cortejo. A multidão era tanta que nem as pequenas ruas da aldeia, na sua dimensão, chegavam em extensão. Quando chegavam ao início duma rua ainda a banda estava no principio da anterior. De tal modo, que saudava o Rei a cada canto de rua, sem necessidade de ir atrás do séquito. No final do percurso de todas as ruas, o rei não cabendo em si de contente, com tal honraria, distraído e educado, elogiou a banda supondo que em vez duma só, tinha tantas quantas as ruas percorridas. Foi o cumulo da distracção que se explica pela enorme mulherio que beijava e aclamava o Rei, efusivamente, dirigindo-se a ele. E o Rei muito alegre, saudou: - Sim senhor! Esta é a Terra Algarvia que mais bandas tem! Bem hajam! E o povo sorriu dizendo: - Afinal os “Reses” também se enganam! E para terminar este meu conto, eu digo: Bem hajam cada vez mais bandas tradicionais, marco de grandes gerações que deram à música e à cultura popular a sua arte e saber.
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Comentários dos leitores

Gostei muito do conto. Eu cresci com a banda da minha cidade e paro para ver qualquer banda tocar. Seu texto me fez voltar no tempo.

Postado por Annacelia em 14-05-2007

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