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HISTÓRIAS DO MEU AVÔ



					    
Tinha noventa anos de idade, quando Deus o chamou para junto dos seus desígnios. Conhecera uma boa parte do século passado. Está história poderia ter sido vivida por outras gerações. A interrogação sobre o futuro, esteve sempre presente no pensamento dos que outrora, viveram como nós uma vida cheia de ideais, de sonhos, de esperanças. - Quem não se interrogou a si próprio, pelo seu futuro, através dos milénios? - Quem não sonhou num amanhã mais risonho? - Qual a mãe que ao nascer seu filho, não se interroga sobre o seu destino, a sua sorte? Mas vamos à nossa história: Conceição fora criança que vivera em pleno a vida de seu pai. Um homem do mar, lutador que havia sofrido os sonhos duma monarquia agonizante. Recordava-se da morte de D. Carlos, de D. Manuel II e da Rainha Dona Amélia. Contava-lhe seu pai (e mais tarde aos seus netos) que um certo dia um “homem bem aparecido” lhe pedira uma boleia no seu bote, quando se preparava para fazer a travessia do Sado até a Tróia. O pescador acedeu imediatamente ao pedido, mandou o indivíduo entrar e sentar-se à vontade. E foi no seu barquinho remando, remando... até que a certa altura da viagem, o monarca dirigiu-lhe a palavra: - Não sabes quem eu sou, pois não bom homem? - Não sei, não senhor! – respondeu o pescador. A minha vida é sempre no mar, Como não sou de cá, não o conheço. Estou aqui uma temporada a pescar, não andei na escola, não sei ler, nem escrever, pois tive que me fazer ao mar de menino para ganhar o pão de cada dia. A minha vida é esta. Mas não sabes mesmo? - Não senhor! - Pois bem meu caro pescador, eu sou o Rei D. Carlos! O pescador ficou atónito, e, muito atrapalhado, tira o boné em sinal de respeito retorquiu: - Peço desculpa Vossa Majestade por não o conhecer, e “arrepare” num homem rude como eu, estou ao seu dispor. O rei olhou para ele com simpatia e bondade, dizendo: - Não tens que pedir desculpa meu humilde pescador, pois praticaste uma boa acção, foste corajoso e não és rude, porque és bem formado na vida que levas. - Então, quanto te devo? – pergunta o rei quando o pescador encostou o bote à terra. - Nada me deve Sua Alteza Real, eu faço isto todos os dias, não vim de propósito, eu levo toda a gente que me pede de boleia, quanto mais agora o meu rei. O rei gostou da simplicidade do pescador, e, ofereceu-lhes três moedas de prata, com a sua imagem cravada em relevo. Aquelas três moedas, foram a sempre a sua maior relíquia, que foi transmitindo aos filhos e netos. Todavia, não lhe permitiram melhorar a sua vida porque eram objectos para colecção e nunca as trocaria pelo seu valor real, embora vivesse pobre. Continuou a trabalhar no mar e foi toda a vida pescador e fora uma vítima da guerra de “catorze” (baleado com balas que nunca lhe retiraram dos braços, que mostrava aos netos), que ficara apenas no final da sua vida, com uma reforma de cinquenta escudos. Sua filha Conceição nascera nos princípios do século vinte (1912), Com a lucidez de memória que sempre possuíra, contava-nos tudo isto, com uma certa nostalgia Conhecera os velhos tempos da monarquia, na sua derradeira fase e o início duma nova era – a implantação da República - que se havia instalado em Portugal, pensando-se numa democracia para uma melhoria futura. O progresso avançou. As tecnologias foram surgindo. O novo tempo trouxe a evolução desde a revolução industrial. Até os reais, a moeda que o seu rei lhe dera, haviam mudado para o escudo português em 1911. - Mai este dinheiro na rende nada! O pataco, o vintém e os mil reis, ainda eu conhecia bem. Mas tenho de aprender a lidar com eles! – resmungava sempre quando faziam as contas do mar com os camaradas, a “dividir as partes com a companha”. A luta ganhou os seus terrenos, mas há ainda muito que cultivar, para produzir a riqueza e os bens necessários ao bem duma sociedade, que como sempre, continuou a cultivar injustiças. O homem não pára nos sucessivos inventos, surgem avanços na ciência e nas tecnologias modernas. Os meios de comunicações avançaram num conhecimento mais amplo do mundo em que vivemos. Mas os homens construíram também balas e canhões, armas de guerra, armas nucleares, numa destruição da Natureza e do Ser Humano, onde a poluição vai alastrando e os meios de defesa dos ambiente, não são capazes de resolver o mal, que lavra e existe sobre o espaço físico em que se vive. Na fase inicial dum novo século, que havemos de pensar ou repensar sobre a nova era, o nosso futuro? A Conceição viu ao longo dos anos que o velho pescador seu pai, embalou seus sonhos de mar e sentiu sempre um mar revolto sua volta e hoje que ela já conta oitenta e oito anos de idade, diz-nos: - “O que já viu, já viu...” e não espera melhores dias e constantemente, repete a frase que ouvia a avó dizer: “quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita”. - Será que os mais velhos pensam como ela? E os jovens? Acabarão os problemas que os afectam, os perigos envolventes? A droga e a sida, deixarão a nossa juventude definitivamente? E a cura das doenças como o cancro? Será que na nova era teremos essa felicidade, de ver curados os males deste século? E os animais? E os peixes? E os vegetais? Será que havemos de ter um novo mundo ecológico e mais puro, combatendo todos os males de que hoje somos vítimas? Há que ter esperanças num mundo sem guerras, sem lutar de poder? O que vemos no dia a dia, dar-nos mais segurança no amanhã? E as crianças? Cada vez mais desprotegidas à mercê dos inconstantes e lobos famintos que ainda grassam na humanidade? E a fome? E a miséria dos países subdesenvolvidos? Eu penso que será difícil combater a pobreza e todo o mal deste mundo. Na história do velho pescador, ele não o conseguiu, assim como outros menos felizes, terão poucas hipóteses de alcançar a realização de todos os seus desejos. O planeta azul não suporta a poluição, os desastres ecológicos no mar e na terra, à entrada deste novo tempo, deste novo século... que futuro? Que esperança de melhor vida na nova era? Todavia, eu espero que a meio do século as coisas mudem deste estado caótico que alastra por todo o mundo. Que os homens preservem os valores físicos do ambiente e morais do ser humano e continuem a crescer mas com mais coração e amor à Natureza. Com alma de poeta sonhador, parafraseando , direi: “O sonho comanda a vida... o mundo pula e avança... como bola colorida entre as mãos duma criança”. Vamos então colorir o nosso mundo de sonhos e fazer da vida uma Arco-íris de Amor.
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Comentários dos leitores

Cada um de nós tem pequena parcela na vida - escolhermos o bem já é um progresso.

Postado por lucia maria em 15-11-2012

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