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A LENDA DA LAVADEIRA



					    
Era hábito na aldeia, as lavadeiras irem pela madrugada lavar a roupa aos Olheiros - nascentes de água que se situavam a cerca de um quilómetro da povoação, junto da estação de caminho de ferro. Ao romper da alva e, até mesmo, em noites de lua, pelas quatro, cinco horas da manhã, iam algumas mulheres para aquele local com o fim de apanhar as melhores pedras, para lavar a roupa. Seguiam pela estrada fora, meio deserta, com os baldes à cabeça, no seu andar gracioso, batendo na calçada as suas famosas “chalocas”. Eram os “Olheiros” - um local famoso pelas suas lendas e encantamentos. Algumas mulheres, contavam que viam quase sempre, em noites de Luar, uma formosa mulher que penteava os seus cabelos loiros, com pente de oiro fino e mal alguém se aproximava, metia-se debaixo de água e desaparecia. Certo dia, uma lavadeira mais curiosa e corajosa, viu uma mulher a lavar e reconheceu nela a dama de cabelos loiros, que por vezes aparecia a pentear-se, mas desta vez, lavava apenas roupas que mais pareciam de rainha e brilhavam como o sol. Maravilhada, com tudo o que viu, a lavadeira sentiu-se atraida perante tal formosura e encanto. Dirigindo-se a ela, perguntou-lhe: - Você é deste sítio? Porque vem lavar aqui essas roupas de princesa? - A bela mulher, olhou-me e respondeu: - Venho lavar a alma! - Cruzes diabo! A alma também se lava? Ou és uma alma do outro mundo? - Eu sou uma moura encantada, terei de lava a roupa toda a vida, porque o meu pai encantou-me debaixo de água e o meu corpo é metade mulher e metade peixe. Eu ando a lavar a alma dele! - Então tu és uma sereia? Ou és uma alma penada? - Sou uma moura encantada de sereia. O meu pai encantou-me de sereia, porque eu amava um pobre pescador, que vivia numa cabana Ele, como castigo, encantou-me no fundo do mar e só venho à superfície, como agora, em certas noites de Lua Cheia. Quem me vê, poderá desencantar-me, se vestir a roupa que eu vesti no dia em que ele me encantou. Por isso, dou-te todas as peças de roupa para vestires durante oito dias sem dizer nada a ninguém. Guarda no teu balde as peças de roupa que ninguém saiba deste segredo, senão o encanto redobra. Senão contares, eu ficarei livre e as peças de roupa que eu te dei transformar-se-ão em moedas de oiro. Dizendo isto, desapareceu feita sereia e a lavadeira viu que esta era a mais linda mulher que havia visto. Após o desaparecimento da sereia encantada, a lavadeira recomeça a lavar as suas roupas. Dai a algumas horas começa o local a ser invadido por outras lavadeiras que começam também as suas tarefas. Num repente vem uma pedir coloreto à lavadeira que tinha visto a sereia e esta sem se lembrar que ninguém podia ver o que estava no balde, manda a rapariga ir ao seu balde buscar. Ao ver as lindas roupas pouco habituais para gente tão modesta, pergunta: - Ó Bia, que roupa é esta que tens aqui? Onde arranjaste isto? - Foi uma moura encantada neste olheiro que anda ai a penar que me deu. Dizendo isto contou toda a história. Quando acabou de contar ouviu-se o chorar convulsivamente e as águas fizeram um grande remoinho e a cara da sereia surge e ao mesmo tempo exclama: - Redobraste-me o encanto e por isso serei sempre a noiva do mar. E as roupas perdidas jamais alguém as encontrará, serão arrastadas pelo mar em ondas de espuma. O meu véu de noiva será sempre a branca espuma que se desfaz na areia da praia. - Na verdade desapareciam por vezes misteriosamente algumas peças de roupa que jamais alguém encontrou. Será que a saia de barra preta da Mana Anica e o lenço de cachené do tio Zé Cheta desaparecidos foram arrastados pela sereia?
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Comentários dos leitores

Muito meigo. Adorei.

Postado por angeladequeiroz em 22-09-2008

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