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LENDA DO MENINO DOS QUATRO OLHOS



					    
Foi numa noite de invernia, em que no céu nem as estrelas aparecem, nem o Luar iluminava as ruas mais sombrias da povoação, nem a luz artificial dum candeeiro a azeite ou petróleo, com seu velho morrão mortiço, alumiava as portas das casas térreas da velha aldeia que o velho pescador Manel Chené saiu de sua casa para ir para o mar. No relógio da torre batiam as doze badaladas. Subiu a pequena ladeira, de fóquim no braço e botas rangedêras, e já em cima do Cerro - local conhecido por Burguel - a uma encruzilhada, viu um menino de olhos muito grandes e luminosos, completamente nú, que chorava sem cessar e tremia de frio. Ali no coração do Burguel, junto à rua do Paiol - a parte mais elevada da Fuzeta, onde se situava o velho Fortim já desaparecido e o Paiol de pólvora da respectiva guarnição - um largo cheio de tradições - onde se situava a velha escola primária e onde as crianças brincavam ai bailhe-bailhe, ao jardim da Celeste, à Srª Viscondessa, à corda, ao eixo, ao pião, etc... Ao ver o menino tiritar de frio, nada mais passou pela cabeça do humilde pescador, que não fosse aquela criança uma dessas crianças abandonadas como tantas outras... Era hábito naquele tempo “pôr as crianças na roda”, isto porque a sociedade condenava as mães solteiras ou as relações secretas dos amantes, daí aparecerem algumas crianças às portas. Com um sentimento de piedade, caridoso e ingénuo como era, agarrou na criança ao colo e agasalhou-o com a sua camisola de mar. Pensou que levar o Menino para casa seria a melhor solução. Ia para o mar e para lá não ia levar o “inocente” . Interroga o Menino com algumas perguntas: - Porque choras meu menino? - Quem é a tua mãe? Donde vens? Não tens casa? Queres que eu te leve? Queres comigo para bordo do barco? Eram perguntas inúteis, porque o menino só chorava e sem responder, apenas acenava com cabeça, em atitude afirmativa ou negativa a algumas perguntas. A medida que andava, parecia que a criança pesava cada vez mais e murmurava: - “Sará que a carga pequena ao longe pesa? “ Mas o Menino pesava como “chumbo” e o pescador, quase não podia com ele. A certa altura, olhou para ele e reparou que os seus olhos brilhavam tanto que ficou encandeado, até as pedras da calçada pareciam luminosas e e todo o largo iluminado. Naquele sítio parecia um “sol aberto” - nome que depois veio a ser dado a uma rua, situada ali perto. Os seus olhos brilhantes irradiavam mais luz que os lampaços do Farol de Vila Real de Santo António que o pescador de susto se “arrepiou” todo. Num ímpeto de coragem atira o Menino ao Chão. O Ti Manel Chené pensou imediatamente que era o demónio - ou seja o Menino dos Quatro Olhos. Realmente os olhos dele eram tão grandes que em vez de dois mais pareciam quatro. Todavia, a designação de Quatro Olhos ou Olhos Grandes foi dada pêlos pescadores antigos que viam este menino em várias terras do litoral algarvio. Contava a minha bisavó que na Fuseta, na versão mais antiga da lenda, que quatro pescadores, tinham visto a uma encruzilhada o Menino dos Olhos Grandes e daí o nome de “Menino dos Quatro Olhos”, pois cada um deles o tinha visto, ao mesmo tempo, aos quatro cantos da encruzilhada. Eram artes mágicas de um Menino que brincava aos Quatro Cantinhos” como as crianças que brincavam durante o dia, naquele mesmo sítio, à saída da escola. Diziam os pescadores que o Menino dos Quatro Olhos, aparecia sempre nas encruzilhadas ou nos cruzamentos das ruas que formavam quatro cantos, quando iam de madrugada para o mar. Era um menino que vestia uma camisinha branca, ou mesmo nú, e, aparecia chorando… Por mais que lhe perguntassem a razão do seu choro, ele nada dizia. O choro convulsivo da criança dava consternação a quem ouvia. Perante a situação agarravam nele ao colo, para tentar levá-lo para casa e não deixar a criança de noite na rua naquele choro. Mas ao tentar transportar o menino possuidor de um lindos olhos tão grandes que pareciam duas estrelas de luz a iluminar o rosto, sentiam que o este cada vez se ia tornando mais pesado, tão pesado que já não podiam mais transportá-lo ao colo. Perante o peso descomunal, punham-no imediatamente no chão. Este desaparecia como por encanto, de tal modo, que se tornou conhecido como o menino encantado – Era no dizer do povo um encantamento.
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Comentários dos leitores

Linda estória de uma alma penada que o ser humano comum não sabe explicar.

Postado por lucia maria em 21-10-2012

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