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UMA VIAGEM DE SONHOS



					    
Entardecia!... O imenso arvoredo que se avistava, parecia nódoas de relva nas encostas dos montes. A escuridão da noite caía lentamente, como ténue orvalho. A carruagem que me transportava, havia mais de uma hora que rodava por caminhos em declive. De vez em quando, um leve vento soprava as árvores suavemente e as folhas caíam uma a uma, por vezes, beijando-me o rosto. Era o início do Outono! Vinha só. Sentia-me triste sem motivo. A solidão me dominava! O continuado e monótono barulho do veículo, a amortecida luz do crepúsculo, infiltrando-se pelas penedias, as filas de árvores emoldurando a paisagem deslumbrante, havia-me lançado num estado de inconsciente melancolia, num desapego total das coisas terrenas. De espírito liberto, na minha alma sentia o eco dum poema lírico, ao passar por entre as cascatas de água dos caminhos e dos rios que corriam despreocupados como eu e livres... livres... livres... Sobrevoava o meu cérebro... os acordes divinos da Natureza Humana, brincando comigo a musa, dizia-me: A Poesia é como a água Clara, limpa da nascente Transporta dores e mágoa Como a vida na corrente. Ainda me faltavam umas léguas, para chegar ao final da viagem, e, vinha triste sem motivo! O cansaço da viagem também era evidente! Mas num repente, eis que meus nervos são chamados ao mundo irreal! Perante mim, a constrastar com a pureza da Natureza - a pobreza retratada! É que ali, sentado à beira da estrada, num banco de pedra, um mísero e pobre velhinho, implorava compaixão! O seu rosto sumido, sulcado de rugas era gracioso e terno. As suas mãos trementes imploravam piedade! Havia algo quer que fosse de inconsciente e etéreo, de amorável e bondoso, no olhar desse velhinho. Era um desconhecido do mundo, mas ele olhava a todos com uma intenção familiar e íntima; e, se algum mais atrevido por ali passasse, quer desdenhasse, quer lhe desse ou não esmola, afastava-o humildemente, dizendo: Eles não sabem o que fazem! Tinha uma voz suave e terna. O seu olhar duma tranquilidade de justo, projectava-se no infinito. Seu cabelo grisalho, emoldurava-lhe o rosto pacífico. Despertou-me a atenção aquela expressão meiga de olhar e aquele rosto cheio de ternura sem limites. Ao descer da carruagem e acercando-me dele, perguntei: - Quem és tu, bom velhote? De onde vens? Respondeu-me serenamente: “- Eu venho de todo o lado e o meu nome já o esqueci! Sou um miserável e inválido velho, como um cão, a quem atira um osso para roer, detestado pôr nada possuir... De novo o interroguei: - Então que fazes tu na vida? - Faço muito e faço nada, já fiz muito e já fiz pouco - respondeu-me E continuou a sua história: “Mendigo por esses montes, caminhando léguas sem fim para arranjar uma côdea de pão para matar a fome...( dizendo isto as lágrimas corriam-lhe pelas faces enrugadas) - Mas julga que é por mim? Eu tanto se me dá a morte, como a vida! Mas tenho numa barraca, a dois quilómetros daqui, a minha netinha paralisada... que se não fora o que ainda a custo, consigo levar-lhe, já tinha morrido à míngua!” Pareceu resignado no seu grande sofrimento. Amarga tristeza me invadiu, por ver tamanho valor num corpo tão frágil e numa firme decisão, disse-lhe: - De hoje em diante, não vai falta nada no teu lar! - Como assim? Quem és tu? - insistia o velhote incrédulo. - Eu sou a Fada da Caridade! Vamos buscar a tua neta! De hoje em diante vão ter um Lar - uma doce morada que há no meu Reino de Amor! No rosto do velhinho li uma expressão de triunfo e sincera gratidão. e foi tão forte essa alegria que de contentamento caiu a meus pés agonizante. Com prometida cautela, abeirei-me do seu corpo estendido na estrada, mas o pobrezinho jamais voltaria a falar-me. Nisto os passarinhos pousaram sobre ele e cantavam com os seus trinados uma suave melodia... E numa padiola cheia de flores o corpo do velhote foi desaparecendo... desaparecendo... desaparecendo... Nisto a carruagem pára bruscamente! Acordo sobressaltada! Afinal a viagem estava quase no fim! Eu tinha vivido um sonho triste! O fantasma alucinado do sonho brincou comigo nessa inolvidável viagem!
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