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Os Assaltantes



					    
1. A Fazenda. O relógio marcava três horas da manhã, era o momento de encaminhar a carga ao frigorífico, quatro caminhões lotados de bois estavam saindo da Fazenda Esperança, indo diretamente ao matadouro da região, faziam isso logo cedo, pois assim os bois não sofriam com a insolação e logo poderiam ser abatidos, sem perderem tanto peso, tarefa tanto quanto difícil, mas era a rotina de um negócio, sendo este o principal da propriedade, já estavam acostumados, pois mensalmente tinham de repetir esse esquema. A vida na fazenda era boa, ficava distante da cidade, mas tinha o sossego de nem um outro lugar poderia existir, e bandido por ali nem sonhava em passar. Logo cedo o proprietário, seu Mário vistoriava a mangueira, local onde tira o leite das vacas, a produção era apenas para o consumo próprio da fazenda, e o real interesse era deixar os bezerros crescerem fortes para o quanto antes irem para o abate. Sempre tinha de olhar o gado, e ao menor sinal de mal estar, era necessário tratar, e isso era feito pelo administrador da fazenda, o Tonhão, homem grande e forte, sempre trajava uma camisa com as mangas dobradas, calça jeans e botinas de couro, saía a cavalo passando pelos piquetes, local de uma determinada área onde eram criados uma parte do gado, haviam cinqüenta cinco, e todos tinham comunicação com a mangueira central, assim ficava mais fácil o controle e tratamentos. A fazenda tinha em torno de quarenta mil hectares, mas seu Mário declarava apenas quatro mil hectares, pois pagando menos impostos esse dinheiro poderia sustentar melhor as famílias ali presente, tinham três famílias trabalhando, os homens eram os peões, profissionais do gado, e as mulheres trabalhavam na sede da fazenda ora na faxina, ora na cozinha, ou então na produção de queijo. Era serviço dos homens também manterem a horta e o pomar, quanto a educação das crianças, o ônibus da prefeitura buscava e trazia na porteira da propriedade. Havia um certo conforto e uma certa fartura de alimentos, quanto ao salário era algo bem justo, ganhavam salário mínimo sem o desconto do consumo da horta e do pomar, não eram registrados, pois por ali não precisavam disso, tinham uma saúde de ferro. Nem sempre a criação respondia ao exato comando, e neste dia calhou de ser o cavalo do Tonhão, já passavam das treze horas e no momento de ir ver o gado do piquete vinte e sete, o cavalo resolve saltar, não tinha jeito de controlar, dava tantos saltos que Tonhão já não conseguia manter-se no mesmo lugar, até o momento de cair no chão batendo as nádegas com força. Logo vieram alguns peões acudirem o homem, mas o administrador estava com uma dor insuportável, tentou levantar-se, não conseguindo ficar na posição ereta, foi levado ao pronto socorro da cidade, com a camionete da fazenda, chegariam rápido, em questão de vinte e cinco minutos estariam dentro da sala do médico. 2. O Pronto Socorro. No pronto socorro, este já se ausentava de médico, eram catorze horas, e as enfermeiras não tinham encontrado o Dr. Cláudio, este era contratado para trabalhar às oito horas do dia, ganhava cerca de quatro mil reais, e dificilmente era encontrado a tarde, então o jeito foi encaminhar para a cidade vizinha, dista noventa quilômetros, quem sabe lá alguém poderia atender, e novamente a camionete da fazenda vai para a estrada, um tanto esburacada, devido aos desmazelos de governos, mas enfim chegariam ao destino. O Tonhão, apelido de Antônio, foi gemendo a viagem toda, não via a hora de chegar, e receber os tratamentos adequados de um serviço público. E ao ser examinado, ficou constatado fratura na bacia, tendo de ficar internado, isso foi acontecer por volta das dezessete horas e trinta minutos, não era fácil para quem trabalha todos os dias, sem ter domingos e feriados para descansar, e até mesmo as férias não conseguia tirar, eram apenas alguns dias, pois os negócios o impediam de se afastar tanto tempo. Quando chegou aos ouvidos de seu Mário, a notícia de não haver médico na sua cidade ficou revoltado, não exitou em ir atrás do prefeito com sua camionete nova, nem tinha placa ainda, e já chegou gritando e reclamando, as pessoas ao seu lado nada entendiam, mas imaginavam ser uma situação delicada. Dentro do gabinete expôs logo o fato acontecido, e o prefeito com toda a sua calma tentou acalmar o fazendeiro, pois nem tudo era perfeito e nem sempre os funcionários públicos, correspondiam a altura, principalmente tratando-se de médicos. O prefeito continuou a sua explicação, tentando mostrar o lado positivo, porque nem sempre havia falta de médico, às vezes saiam para atender um caso de emergência, e as condições de uma prefeitura pequena não permitiam a contratação de vários médicos, mas também têm aqueles sem nenhum compromisso com a população, e somente as pessoas atingidas poderiam fazer pressão e mudar esta situação. Não contente com as explicações, seu Mário alegou ser ultraje aquela situação, e não havia motivos reais para a falta de um profissional, ainda quando a prefeitura possui dinheiro, tem apenas de fazer os investimentos adequados, e neste momento o prefeito o rebate veementemente, pois a receita municipal já estava comprometida com a aplicação da legislação vigente, assim não se poderia mexer nos vinte e cinco por cento da educação, como também os doze por centos da saúde, e o salário dos funcionários, e alguns investimentos dependiam diretamente de investimentos estaduais e federais, como era o caso do salário do médico, este fazia parte de um programa federal. Mesmo com todas as explicações, o fazendeiro resolveu virar as costas e sair falando mal do prefeito, afinal era um cidadão pagador de impostos e estava exigindo respeito. Sempre que ia a cidade parava no bar do Cabide, esse nome era devido aos cabides colados na parede externa como enfeites, e lá a conversa não podia ser outra a não ser de reclamar do governo municipal, acompanhado de cerveja, a conversa se estendeu durante a manhã toda, no dia seguinte ao acidente com Tonhão. 3. A Carga. Com a ausência do administrador, é o dono da fazenda que vai fiscalizar a remessa de bois para o frigorífico, e desta vez ia ser encaminhado oito caminhões, o relógio marcava vinte e quatro horas e vinte e seis minutos, quando os caminhões começavam a chegar. O gado a ser vendido já estava na mangueira central pronto para embarcar, o mais demorado era estacionar o veículo no corredor de embarque, pois era feito de marcha a ré. A mangueira possuía dois corredores de embarque, e com toda a experiência dos peões, foram acabar às duas horas e trinta e sete minutos, a madrugada era fria, porém era preciso, pois assim não seria emitido nota fiscal, podendo declarar um valor bem abaixo posteriormente. Mas esse dinheiro economizado garantia o emprego de alguns peões, como nos dias de hoje é preciso cortar gastos, pagar impostos inviabiliza qualquer empresa, ainda mais do agro negócio. E assim a vida ia indo, seu Mário já fazia planos para trocar de camionete, e fazer uma pequena reforma na sede da Fazenda Esperança, aguardava a recuperação de Tonhão, e ficava imaginando como seria difícil viver num mundo sem os fazendeiros.
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Comentários dos leitores

Seja cidade pequena ou grande, o desperdício do dinheiro público é sempre igual. Todos assaltam o povo...............

Postado por lucia maria em 22-11-2012

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