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A (TAMBÉM) AFILHADA DE SANTO ANTÔNIO



					    
RUBEMAR ALVES Narrativa na linha do “encantamento maravilhoso”, segundo TZVETAN TODOROV, teórico literário - intertextualidade de conto popular português, transportado para o Nordeste sob a forma de literatura de cordel. --------------------------------------------------------------------------------------- O HOMEM pobre nordestino tinha três filhos que não podia alimentar e vestir direito. Assim, como no tema universal de “João e Maria”, dos Irmãos Grimm, resolveu abandonar um deles na floresta. Sorteou os nomes: a escolha recaiu em MARIA ANTÔNIA – muito inteligente, bonita e trabalhadeira. Levou-a para a mata e deixou sob um pé de araçá (do tupi-guarani, significando ‘fruto que tem olhos’) onde havia uma colmeia e que ELA a princípio se alimentasse de mel... Escureceu, ventou, caminhou a esmo, sentiu-se perdida, porém avistou um telhado. Era um casarão em ruínas, de tempos imemoriais, paredes inexplicavelmente com três instrumentos de música (berimbau da Bahia, sanfona de Pernambuco , violino clássico) e uma rede cearense armada a um canto. ELA dedilhou o violino e do nada surgiu maravilhosa mesa de iguarias apetitosas, uma voz lhe ofereceu o jantar e depois um quarto. Milagre ou não, havia cama, roupa limpa, chinelo franciscano, objetos de higiene e uso pessoal. Dormiu tranquila. Muitas semanas. Já nem dedilhava: bastava olhar na direção do violino (pertencera a algum cigano?) e tudo se repetia. Não via ninguém, apenas escutava a voz misteriosa. (Lembrou-se de Joana, escutando Gabriel, Catarina e Margarida, que é outra estória: religiosa e depois histórica.) Certa noite, foi avisada que o PAI estava arrependido. Selasse um cavalo branco e levasse dinheiro de uma gaveta para a família, mas sem dizer onde morava, como vivia agora... A voz recomendou: ao primeiro relincho do cavalo, despedir-se de todos imediatamente; ao segundo relincho meio do caminho perto da porta e ao terceiro pé no estribo! Montou e em menos de um minuto estava na casa do PAI, todos felizes a julgando morta e devorada pelos bichos da mata fechada. Por mais duas vezes os visitou, sendo que na terceira o PAI estava doente e morreu. Na choradeira, não escutou os d ois relinchos e ao terceiro não conseguiu montar pois o cavalo partira sem a amazona – correu atrás dele, gritou e chamou chorando. Exausta, alcançou, montou e o cavalo “explicou” que, se ELA não o tivesse alcançado, deveria matá-la no coice. Não entendeu nada, resignou-se. Numa outra noite, a voz orientou: “MARIA ANTÔNIA, você tem me ajudado muito e agora irei retribuir. Vista-se de homem (tal qual a camponesa Joaninha de Orleans?) e monte neste cavalo do qual nunca deverá se separar para sua felicidade.” ELA dormiu, amanheceu, encheu os bolsos com o dinheiro restante, montou e foi para a cidade vizinha. Arranjou um emprego e ficou sendo “o jardineiro” de uma casa que de tão grande e rica mais parecia um castelo de tempos medievais. O FILHO do dono da casa, educado e instruído como um príncipe (falava até javanês!), vinha sempre olhar as flores, que vendiam até para o Largo do Arouche, em São Paulo. ELES conversavam e acabou amigo do “jardineiro”, sem saber por que ia-se apaixonando pelo “rapaz”, cujos olhos claros pareciam pedras preciosas. Disse à MÃE que “Antônio” tinha olhos de mulher, parecia mulher (leitor conheceu Diadorim?); esta tentou dissuadi-lo, ELE teimou e cada vez se tornaram mais inseparáveis. O cavalo se arranjou facilmente numa manjedoura e MARIA ANTÔNIA, fidelíssima, nunca montou em outro animal. A MÃE, com pose de rainha de baralho, o aconselhou que convidasse “o jardineiro” para uma caçada, esporte violento (mulheres delicadas não gostavam), armando depois redes sob um jasmineiro tido por mágico, na superstição popular – “flores caem em cima das mulheres e folhas sobre os homens”; aí ELE teria certeza. Assim foi feito, adormeceram, flores sobre ELA, folhas sobre ELE. O cavalo encantado estava por perto e ao amanhecer eram folhas sobre a MOÇA, flores sobre o RAPAZ que ficou ridiculamente parecendo uma noiva ou um anjo, todo coberto de pétalas brancas. Decepcionado, ELE escutou nova orientação. Convidasse para um banho de rio. ELE caiu logo na água totalmente nu e ELA começou a despir-se lentamente, instruída pelo cavalo. Quando faltava tirar a blusa, o cavalo deu pinotes, desembestou pelo campo, obrigando o CASAL a correr para aquietá-lo. Novamente não deu certo. A MÃE teve outra idéia e convidou “o jardineiro” para almoçar na sala da família – sendo mulher, escolheria cadeira baixa e esperaria a sopa esfriar. Orientada pelo cavalo, MARIA ANTÔNIA escolheu cadeira alta e tomou a sopa bem quente. A MÃE não desanimou fácil. Quando estivessem conversando, o RAPAZ sacudiria uma laranja na direção “dele”. Se fosse mulher, habituada com saia, abriria as pernas para ter mais espaço. Sendo homem, juntaria as pernas. O cavalo estava longe, adivinhou e avisou a moça. Terceira vez?! A MÃE falou ainda que dormissem no mesmo quarto, o FILHO chamou “o jardineiro” para um trabalho pesado dentro de casa e depois ficar para dormir no quarto dele. ELA resistiu o mais que pôde e o RAPAZ adormeceu primeiro. Na terceira noite (porque em contos de fadas é tudo “um – dois – três”...), ELA dormiu antes, ELE passou a mão, percebeu os seios salientes. Declarou-se não surpreso e sim apaixonado e a pediu em casamento. ELA contou tudo ao cavalo, porém o animal garantiu que seria diferente: “É o meu tempo de liberdade. Daí a dias é 13 de junho, dia de nosso padrinho. Peça a seu PATRÃO, com posses e pose de rei, para marcar uma *cavalhada, convide todo mundo e construa arquibancadas. Estarei presente e levarei você comigo, porque seu noivo sou EU!” A MOÇA se sentiu confusa, porém ficou radiante. No dia de SANTO ANTÕNIO, compareceram cavaleiros com traje luxuosos. Logo ao começar a justa, surgiu um CAVALEIRO desconhecido, coberto de couro prateado, magnificamente montado, correu as argolinhas e venceu os outros com facilidade, pondo as argolinhas vitoriosas no colo do PATRÃO muito lisonjeado. Só o FILHO não aplaudiu. No segundo dia, voltou, agora em roupa dourada, venceu, entregou as argolinhas à PATROA. No último dia, a roupa era coberta de pedrinhas parecendo diamantes, mais uma vez venceu e pôs as argolinhas no colo de CANDIDATO à noivo, que virou a cara para não fazer a vênia de agradecimento. Nesse instante, o CAVALEIRO atirou uma fita azul em MARIA ANTÔNIA, esta segurou uma ponta com o bico do pé e colocou a outra ponta nos lábios, em beijo mudo, fechando os olhos, como lhe dissera dias antes o cavalo branco, e foi magicamente colocada na garupa do cavalo que o ELE montava. Todos correram para prender o raptor, mas uma poeira se levantou no ar. O CAVALEIRO galopou com a MOÇA até o casarão velho, apearam, ouviu-se um estrondo e o casarão transformou-se numa casa linda e iluminada. Casaram e foram felizes para sempre. -------------------------------------------------------------------------------------- *CAVALHADA - Festejo regional de origem portuguesa. Reminiscências dos torneios da Idade Média, representando as lutas entre cristãos e mouros, onde os aristocratas exibiam, em espetáculo público, sua destreza e valentia. Como folguedo popular brasileiro, a cavalhada é um torneio eqüestre onde os cavaleiros procuram demonstrar sua habilidade. Começa com manobras em círculos, rodopios e outros figurados. Depois tem lugar a manobra de guerra, em que, com lanças, são espetadas máscaras espalhadas pelo chão. Outra parte é o jogo de argolinhas pendentes, as quais são tiradas com lanças de um arco ou poste enfeitado e oferecidas às damas presentes ou ao senhor de terras, patrocinador da festa. F I M
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Comentários dos leitores

Como é que você consegue a mágica de não permitir que o leitor "pisque", perdendo um segundinho da narrativa? Vi o espetáculo da cavalhada no interior do país: é lindo. De fato, me enamorei desse escritor.

Postado por lucia maria em 26-09-2012

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