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LÚCIA É LUZ Parte I Primeiras palavras



					    
RUBEMAR ALVES Ah, início da noite de domingo insípito! Eu não parava quieto, prevendo bonanças ou tempestades, mas a intuição me permitia sentir algo muito além do que se pode imaginar... Telefone mudo. Cafeteira enguiçada. Tevê em programações repetidas. Ansiedade que não era bem fome. Fome, talvez, de comunicação. Ou de amor? Os amigos propagavam muito estas salas de bate-papo (útil? Inútil?) – resolvi arriscar. “Você sabia que o seu nome – Sofia – é sabedoria em grego?” Foi a primeira tentativa, a moça só fez um “Oi” desinteressado. “Está chovendo na sua cidade?” (Eu nem sabia onde ela morava...) Resposta duplamente seca: “Não.” “Você tem compromisso?” Não respondeu. Primeiras palavras “Moço, moço, fale comigo, por favor.” Eu vivera naquela manhã situação igualzinha, céu azul, temperatura amena, parado impaciente com o carro num sinal de trânsito. “Moço, moço, fale comigo, por favor. Quer comprar bala?” Menina de seus 8 ou 9 anos, rostinho de anjo, linda, olhos cor de mel, cabelos desgrenhados, sujinha, vestida em trapos, explorada pela própria miséria. Recusei a bala, joguei três moedas de um real na caixinha de papelão e com isso espantei uma mosca pousada sobre um pacotinho. Ela sorriu. “Obrigado, senhor. Deus o acompanhe. Eu me chamo Lu...” Não ouvi o resto. Lúcia? Luísa? Luana? E ainda tem fé na divindade. Sou agnóstico. Logo o sinal abriu, buzinaram atrás de mim, arranquei com o carro. Pensei em minha filha a quem vi pela última vez nesta exata idade, antes de seguir com a mãe para longe. “Moço, moço, não lembra de mim? Eu estava digitando para o senhor na semana passada... Aquele assunto da pesquisa... O senhor não é o professor?” Sofia interessada em outro internauta – falavam de praia e carnaval. “Meu nome é Lú...” (só escreveu isso). De novo? Subiram frases de outros internautas. Algumas bastante imorais. Acrescentou: “Lúcia Maria (e dois sobrenomes com a mesma letra inicial) – L3M.” “E o que você quer? Sou escritor e advogado. Não a conheço. Estou ocupado, não está vendo?” (Como iria dar atenção a uma talvez menina agora me chamando de senhor?) “O senhor é o CYRANO, me abandonou, fiquei triste...” Neguei, tentei justificar que eu era ‘outro’ CYRANO e estava estreando nesse tipo de conversa entre pessoas desconhecidas. Coincidências são raras, porém às vezes acontecem. E então ela explicou. Fazia parte de uma equipe de seis jovens pesquisadoras, encarregadas de conversar com rapazes ou homens, em conversas inteligentes ou eróticas, mesmo que certas propostas fossem inadequadas, indecentes... Mais tarde essas conversas serviriam para ilustrar a palestra que uma antiga professora apresentaria em escolas publicas sob o tema JOVENS NA INTERNET; PERIGO À VISTA. Eu absolutamente não estava interessado. Em todo caso... “Não sou a pessoa com quem você conversou (repeti as palavras dela) ‘semana passada’. Quantos anos você tem? Mora onde?” Custou a responder. “Sou a mais velha do grupo. Rio de Janeiro – somos todas cariocas. Tenho vinte anos. Demorei a digitar porque estava desembrulhando uma bala de mel. E o senhor?” Em meus ouvidos, o som fraco da voz da pequena vendedora de balas: “Deus o acompanhe.” “Muito mais velho, meu anjo. Tenho quarenta e três, pertinho de quarenta e quatro.” “Tudo isso?! Mas nós podemos ser amigos virtuais, não podemos?” Ela me forneceu um e-mail estranho: nome de um inseto de jardim e mais a cor azul. Enfim, poético para uma jovem daquela idade, talvez ainda romântica e sonhadora. Foi uma despedida rápida. Cochilei um pouco no sofá da sala. Sonhei com a figura de um inseto redondo que crescia e virava um anjo azul. Telefone tocou e me precipitei. Engano! Irritado, dei um soco na estante de livros e um caiu a meu lado. Encadernação na cor vermelha (Pare! – novamente?), CYRANO DE BERGERAC, de Edmond Rostand. Eu lera nos bons tempos de mocidade e nem lembrava mais que ainda o possuía. Abri numa página qualquer. Roxane oferece uvas e bolo a Cyrano, mas este, orgulhoso gascão, apenas aceita um bago e a metade da fatia oferecida, recusa vinho, escolhe água, depois beija, apaixonado e tímido que era, a mão estendida da prima encantadora, como se esta fosse uma princesa. Interessante. Vou confirmar se a mocinha realmente existe. Transcrevi a cena e enviei – noite quente do início de fevereiro, passava um pouco de vinte horas. Se a senhorita Lúcia estivesse com algum namorado ou amigo naquele momento, pelo menos leria meu e-mail na manhã seguinte... Logo respondeu. “Parecia o próprio CYRANO conversando comigo. Por acaso tenho hoje na minha geladeira uvas vermelhas e ainda meio bolo de cenoura, comprado no supermercado. Há um pouco de vinho também. Fiquei tão emocionada que o nome do autor até me fugiu. Aqui em casa, para pai e mãe, sou a ‘princesa’ e coitada da mosca que me perturbar! Podemos continuar amigos?” Pensei numa frase – chavão, de filme clássico – pode ser o início de uma bela amizade! CONTINUA...
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Comentários dos leitores

Meu coração sempre me encaminha para textos emotivos. Livro maravilhoso e real. LÚCIA foi, É e será sempre um farol aberto de LUZ na escuridão. ELA veio e ficou, CIGANO!

Postado por lucia maria em 23-09-2012

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