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LÚCIA É LUZ Parte II



					    
RUBEMAR ALVES Na outro dia ela voltou, pois havíamos acertado um horário. “Sabe moço, pesquisei sobre sua cidade paulista, vi um pavilhão japonês perto de um lago, imaginei carpas vermelhas e eu vestida em quimono colorido... sentada. Onde, não sei... na grama? Eu lhe servia chá pedindo desculpas pelo dia de ontem.” “Não me peça desculpas. Sem querer, usei o nome de seu amigo desaparecido, mas eu não sou ele, garanto, nunca deixaria uma senhorita como você falando sozinha... Em que posso ajudar?” “É, pode ser o rei de copas ou um conselheiro do trono, não sei. A professora vai comparar estes internautas com personagens de contos de fada. Assim, haverá um príncipe, aquele bonzinho que tratou amenina pesquisadora com respeito e carinho fraternal. Sapos feios serão os que convidarem apenas para fim de semana ou, muito pior, para algumas horas de “carinho”, o senhor entende o que eu quero dizer?” Eu lia tudo encantado, mas a palavra “senhor” começava a incomodar. “pensei que era ele porque o senhor apareceu no mesmo horário, e no geral eu não acredito em coincidência. Os dois escrevem bastante parecido. CYRANO me ignorando? Eu me senti como um rato seco esmagado na rua. Não iria, mas se eu não arrumar uma encrencazinha honesta e decente em um dia, arrumo duas no dia seguinte. Com todo respeito, mas aquela sua paquera de ontem esfriou logo.” Foi nossa primeira briga – hoje assumo a culpa da minha irritabilidade fácil. “Cara prezada senhorita LÚCIA, a paquerada era outra. Não aceito comentar o que ocorreu e também não tenho obrigação de dissecar meus particulares, por menor que tenha sido a tentativa daquela aventura frustrada. Fora dos ilusórios contos de fada, você tem pés no chão? Por acaso freqüentou escola?” A garota revoltou-se e enviou uns seis a sete e-mails longos e diretos, onde misturou O Primo Basílio, Manuel Bandeira, escreveu de 1 a 10 em inglês e alemão, citou (vou conseguir lembrar tudo?) festas judaicas, capitais européias, Lasar Segall, Ana Botafogo, ex-colônias africanas, Vinicius de Moraes (primeiras linhas do Soneto da Fidelidade), Chico Buarque de Holanda (em pensamento, escutei harmonias e rimas), Édipo, Simone de Benvoir, receita de pudim de gemas e... e...num caleidoscópio que embatucou meu cérebro experimentado. “Viu como eu sei estas coisa todas? Sou geniosa...” Uma louquinha divertida. “Sim, se eu soubesse ou talvez imaginado, mesmo vagamente, que você, me permite, era esse oceano (vacilei escrever entre oceano ou poço) de conhecimento, eu...bem...teria parado com aquela paquera medíocre e imediatamente lhe dado atenção, mas... Talvez peças que a vida nos prega de vez em quando. As surpresas. Estou impressionado com seu nível de cultura versátil, raro numa jovem de tenra idade.” “Pois é, o outro CYRANO me falou igualzinho.” Insisti: “Mas eu não sou ele, que sumiu e (quase?) perdeu você...” Nossos e-mails se tornaram diários, eu não localizei o tal pavilhão japonês na minha cidade e descobrimos juntos ser apenas uma ilustração de um curso de língua oriental. Rimos e LÚCIA não mais me ofereceu o repouso para o chá. Como toda mulher é curiosa, ela perguntou (já pesquisara, mas escondeu o fato) o significado da palavra ATHINGANOI, um de meus apelidos. “Expliquei ser palavra grega, significando “intocável”, que se transformou em atsigan e tsigane, na Espanha gitano, resquício da crença egípsia: gitano vem de egiptano...” “Eu já sabia. Pesquisei ontem. Como os dalit da novela. Fiz o mingau antes do senhor moer o fubá.” Guria malcriada e ao mesmo tempo encantadora. “Qual é o seu signo?” “Áries ou carneiro turrão. Impetuoso. Machista, mandão, um tanto agressivo. Aquele que chega na frente do primeiro lugar.” “Não tenho medo algum. No fundo, uns garotinhos ingênuos e carentes. Já enrolo um em casa e enrolarei mais quantos vierem.” Fui amolecendo e me senti envergonhado. Passou a enfeitar os próximos e-mails com coraçõezinhos e carinhas em sorriso. Secretamente eu me derretia e me tornei até mais gentil com os companheiros de trabalho. LÚCIA, criança grande! Contou de uma paquera que perseguia desde o jardim de infância – batera com mochila na cabeça dele, jogara água com gelo... Eu me divertia com a paciência de um tio muito mais velho. Ao mesmo tempo percebi que LÚCIA construía uma blindagem em torno de si para desvencilhar-se de mãos indesejadas. Princesa encerrada em torre alta. Passou a me chamar de CIGANO – a vida nômade e andarilha a encantava, não percebia que às vezes o cigano é triste e solitário, mesmo no meio da tribo grupal. “Adorável senhorita Lúcia: Estive analisando seu perfil e cheguei à conclusão que a senhorita, os geminianos, sei lá, apresentam características multipolares... Você é filha única? Não creio que tenha assim um coração tão adiabático... (Estávamos terminando fevereiro.) e agora minhas missivas eletrônicas serão enviadas em horário aleatório.” “Blá – blá – blá... Diagnóstico falhou. Tenho um irmão quatro anos mais velho, a quem finjo escutar, e um pai linha dura da farda verde, mas LÚCIA É LUZ e nunca se apaga (citou Penélope e que ela não ficaria tecendo tapete a espera do meu regresso). “Mas é que as aulas irão começar e leciono Direito, à noite – hermenêutica Jurídica.” “Ih, garoto (passei a me sentir muito jovem, com esse novo tratamento), você é um faz – tudo. Leciona inglês, alemão e “isso ai” também? E ainda diz que eu tenho um coração adiab... (não completou a palavra). Vai brincar de sumir também... como o outro? Ou você é ele que lacei de novo na marra? Não sou mais a bonequinha novidade, acabou o interesse? Mas não vai me enlouquecer. Geminiana com muito orgulho – Áries é brinquedo de montar e desmontar com facilidade, sem pretensão nenhuma a quebra – cabeça.” De repente me senti diante da Medusa e escrevi horrores: que ela mantivesse a postura, eu não era um canalha pervertido nem pertencia a tal súcia, não tendo culpa de suas frustrações, eu me sentia ultrajado – bom, exagerei. O ultimato era que se retratasse no prazo máximo de quatro horas (o relógio do computador acusava 19:45) ou estava tudo acabado. E comuniquei estar indo esfriar a cabeça na rua. Gastei pneus à toa. Voltando para casa, e-mail quase imediato: explicava como sendo a experiência por causa de pessoas que “somem na multidão” – assumiu-se meio boba e ainda pouco madura como deveria. “Gostei da bronca!” rendia-se. Ou usava de máxima estratégia feminina? E me chamou de carrasco sem chicote. “Você usa roupa preta o tempo todo?” Alegou ainda ter ficado muito triste e uma onda magnética ruim se espalhara por todo seu quarto, sem porta desde que era bebezinha. Não entendi muito bem, mas perdoei. Ah, as mulheres! O eterno feminino! Ou mandonas ou inteligentíssimas. Propôs divórcio, ao mesmo tempo em que saiu pela tangente: “Os cartórios não abrem fim de semana e estou sem caneta.” Estávamos reconciliados. Em noite de insônia e angústia (acontecera realmente?), pensou na severidade com que talvez eu tratasse, com exagero temperamental, “formalzinho e cheio de regulamentos”, subordinados e pessoas de casa. Era apenas ensaio astucioso para uma pergunta futura (nem desconfiei)... Respondi que eu também me entristecera com a briga da véspera, sugeri que ela dormisse um pouco à tarde, mais uma vez domingo, e assinei o e-mail com nome “comercial”, minhas iniciais RCA. Não refleti – nova guerra. “A pensar se perdôo” intitulava os e-mails seguintes, pedia que acabasse com o formalismo, que LÚCIA bastava. “Você tem mesmo 43 anos? Tem mais jeito de Peter Pan, o menino sozinho que não queria crescer, fechado em casa com medo do mundo, fugindo a se enamorar. Não se baseie nos contos de fada para achar que sou criança.” Fiquei em choque, li e reli tudo com muita atenção, escrevi que minha postura severa e o exagero formal deviam-se talvez à profissão de advogado e que, apesar de 43 anos, eu não estava ensinando nada e sim aprendendo com ela. Respondeu ter ascendente em Escorpião, signo do mistério e do enigma, e que estava estourando uma sidra para “bebemorar” – “Meio copo só tiozinho!” – termos nos conhecido. Deu boa noite e preparou o que chamou “questionário objetivo” Preencha com um X e responda quando/ onde solicitado: 1 – ( ) Solteiro – até hoje? 2 – ( ) Casado – há quantos anos? - neste caso pode sumir! 3 – ( ) Ex – casado – há quanto tempo? – justificativa detalhada. CONTINUA...
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Comentários dos leitores

Não parece, mas LÚCIA é exatamente o que li há muitos anos numa reportagem sobre o Japão: "Amor é como neve na mão de um guerreiro cansado." LÚCIA - também paz e suavidade.

Postado por lucia maria em 23-09-2012

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