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LÚCIA É LUZ Parte III



					    
RUBEMAR ALVES Esperta. Sabia perguntar. Até então eu me achara muito iluminado, o dono da verdade. Marquei sem medo a terceira opção. Cometera um erro de me unir precipitadamente a uma mulher em namoro curto, divergências totais de personalidade e separação de comum acordo após dez anos e dois filhos que, ainda sem vontade própria, a acompanharam para outro Estado. E mais uma vez assinei RCA. “Teremos muito a conversar. Todo dia o ser humano corre atrás da felicidade, um dia encontra. Você foi um homem honesto, decente e apaixonado que guarda mágoas no seu coração e não deve ter conseguido refazer sua vida. Estou em estado de choque. Não tenho a grandeza de meu amigo CIGANO, sempre corajoso e de pé. Você agora me parece tão bom, tão justo, tão uma série de qualidades que me sinto insignificante sem ter como lhe dar a paz e a felicidade que merece.” LÚCIA alegou ter chorado com minha resposta “franca e sincera” (ela adora dupla adjetivação). Agradeci a solidariedade. Na noite seguinte, eu me entreguei: “Ah, LÚCIA, LÚCIA, o que faço com você? Ou melhor, o que faço agora sem você?” “Não agüentei esperá-lo às onze da noite e cochilei no sofá. Por favor, não sonhe comigo – eu não tenho o direito de transformar tudo em pesadelo. Não quebrarei nosso encantamento, não posso fazê-lo sofrer mais uma vez. Meu mundinho ainda é muito pequeno e de passos curtos. Sua real necessidade é imediata, sem perda de tempo e comigo irá se arrepender um dia. Tenho maltratado você. Tão boas são broncas anteriores... Para mim um eterno CIGANO e cigano sedutor. Com carinho, quase chorando, LÚCIA MARIA.” Outro e-mail. “Apesar do que você disse uma vez, não sou filha mimada e não quero ser a namorada ou a mulher mimada de ninguém. Sei muito bem que seria. Você se faz de machão, não é nada disso, é carente e afetuoso, eu sinto.” “Doce LÚCIA, doce fada: Escrevo ligeiramente no horário de meio- dia porque me ausentei um pouco do trabalho numa visita de rotina ao dentista. Perto de meia- noite escreverei novamente: já estou ansioso por isso.” Ela começou a se assustar. “Não sei se estamos no caminho certo. Você perdeu o formalismo inicial, agora sou seu “doce...” – receosa com sua precipitação. Jurei para mim mesma não ter envolvimentos emocionais, seria lindo viver tudo isso com você, mas em pouco tempo iríamos nos desiludir. Você é ciumento?” LÚCIA citou Carlo, 25 anos, bela estampa advogado recém- formado que freqüentava a serviço, quinzenalmente, o escritório onde ela trabalhava como secretária. Beijava a mão da “signorina”, dava sempre uma rosa e um bombom de licor. Não me pareceu um rival, pois detestava literatura e implicava com Vinícius que chamava “o poetinha do cachorro engarrafado”. Mas senti ciúmes, sim, pela mocidade e principalmente pela presença física no ambiente de LÚCIA. Mostrei-me desolado, confuso com seu comportamento dúbio, ora com um humor fora do comum ora assumindo rompantes de tigre ou em contraste passividade piegas. Propus que fôssemos apenas amigos, deixando-a livre para o “almofadinha empertigado”, num despeito de adolescente genioso: “ Não dou a mínima!” Ela riu muito. Jogou duplo. “Eu sabia que você ia ficar zangado. (Carlo seria uma fraude?) Só expus um fato, mais nada. Sei que você não está me disputando com ele, venceria, se fosse o caso, e a minha idéia é não me envolver para não sofrer. Você já sofreu e vivemos distantes. Como de fato, sua necessidade de amor é urgente e próxima – mulher experiente para todos os dias e todas as noites, não uma guria idiota a quem você teria que ensinar tudo, ainda virgem em pleno século XXI. Fico entre a idéia de amor como felicidade ou lágrimas; fase de “lua obscura” assumo o passiva piegas – não sei amar.” Os desacertos aconteciam, eram constantes. Sintonia quebrada, pouco sabíamos um do outro. LÚCIA citou parte de um meu antigo poema: “... dormir nas noites frias com a mulher amada...” e me fez jurar que tinha sido inspiração casual, nada a ver com nenhuma outra mulher do momento. Questionou minha foto com aluna do curso de idiomas que aparecia em Faceboock. Ofendia-se às vezes com facilidade, como quando citei ter ido ao dentista – tomou como indireta, defendeu-se, “... também me cuido...” -, ao mesmo tempo em que se despedia “com açúcar e com afeto”. Passei a chamá-la apenas “Prezada amiga Lúcia!” – deixei-a reclamar, berrar, espernear, mas em poucos dias apresentei projetos de armistício sereno (Áries regido por Marte). Eu, “resmungão como um velhinho”, na opinião ultra criterioso (ironia!), de LÚCIA sensata. Sensata? Passei a assinar CIGANO. Passei a alugar filmes com cenários cariocas. Passei a literalmente sonhar com LÚCIA – acordava transpirando, assustado na madrugada. Certa vez LÚCIA realmente me surpreendeu. “Um dia pode ser que haja um novo bebezinho para você trocar fraudas e lhe atrapalhar o sono. Buuuááá...” Oferecia-se? Li, sorri, balancei a cabeça. Ah, esta garota! Ciúme? “Se algum dia você disser o que meu nome, LÚCIA, significa em latim, responderei: prefiro nomes gregos!” “Na vida, esperar o tempo do sim.” (Ela sabia provocar.) “Oh! Que venha o tempo do sim. ATHINGANOI” Aos quatorze dias contadinhos, passei a chamá-la ostensivamente de... “Minha querida LÚCIA: Na minha estante, livros (citei diversos títulos) que contam amores conturbados em finais cheios de dissabores. Fico pensando: a arte imita a vida ou é o contrário? Por alguns instantes o terror que assombra você passou a me preocupar também. Sinto que estou entrando num labirinto sem saída ou posso ficar muito tempo perdido. O que está acontecendo, LÚCIA? O que estamos fazendo? Será que estamos nos lançando de mãos dadas num precipício inconseqüentemente? Outra vez com carinho, ATHINGANOI.” Sem espanto algum, ela como que descobriu. “Você se apaixonou por mim! Perdão. Eu não quero ofender nem magoar meu querido CIGANO, jamais, porém nós temos uma diferença de 23 anos – é muita coisa. Brinco sempre neste assunto que não é meu pai, não é incesto. Sei que estou bagunçando a sua cabeça e a minha está perdida também. Acredito na sua sinceridade, acredito em você. Broncas sadias e me senti sob a atenção de um homem, não de um moleque ou cabeça oca. Não sei se é precipício inconseqüente – estou sofrendo muito na indecisão, estou sim. Preciso cursar minha futura faculdade de letras, ler todos estes livros que você já leu – conheço alguns. Como chorar sozinha, depois, pela saudade de uma pessoa que não conheço?” Troca de e-mails constantes. Sempre meditei sobre o que LÚCIA me escrevia. “Há um filme – Nunca te vi sempre te amei. Professora ou escritora nos Estados Unidos e dono de livraria na Inglaterra. A afinidade entre eles é a literatura, a ficção, pessoas artificiais que jamais tomarão coca-cola ou chá às cinco horas. A sua anterior experiência de vida me assusta – acho que eu não faria questão de casamento no papel, mas como administrar uma casa? Faço aqui a lista das compras do supermercado, ligo a máquina de lavar roupas e é só... Houve um e-mail de sonho o do “Buuuááá...” – eu me imaginei mãe de um berrador e outro na minha barriga bem grande: ri sozinha feito uma idiota. Não me conte porque não quero saber, mas na noite de chuva saiu do carro para abrir o portão de casa e depois fez seu próprio café. E vai sozinho comer pizza no shopping.” “Meu querido CIGANO não deve usar pano de cetim vermelho na cabeça, argola de ouro numa orelha só, ferrar cavalos ou tocar violino, mas na minha imaginação você é sedutor e me hipnotiza quase sempre. Em Bizet, é Carmem que seduz José. Não sou cigana – tento ser bruxa medieval, a que conhecia o segredo das ervas. Há duas semanas eu me perguntei: Mein Gotten, quem é esse homem? Esquisito de dizer: você se apaixonou por mim totalmente. E parte de você entrou no meu coração. Não o proíbo de me escrever – quero receber e mandar muitas cartinhas. A aluna nota 10 em redação de repente ficou burrinha e não sabe o argumento do não enamorado que ainda não é namorado. Impasse criado. Quero a sua felicidade. Não sou (ou sou?) passiva piegas – sou muito forte! LÚCIA, a que não se quer vacilante luz trêmula e fraquinha.” Rendia-se? “Querida LÚCIA! De fato você tem razão. Preciso repensar minha vida. Não posso estragar nossa bela amizade com meus delírios. Evitarei escrever novamente sobre o amor, assunto belo, nobre, mas muito complicado. Ordem: Voltar ao mundo real!” Nova provocação de ciúmes. “Ah, o doutorzinho lhe deu outro bombom? Cuidado, chocolate engorda!” O tempo corria. “Carnaval. Nunca vi fantasia de CYRANO, mas de Pierrô, Colombina e Arlequim. Triângulo amoroso. Feriado só aqui no Rio de Janeiro? Você conhece a ópera LÚCIA DE LAMMEMOUR? Triste como toda história de amor.” CONTINUA...
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Comentários dos leitores

Não sei se leio às gargalhadas ou em respeito silencioso. Eu "vejo" Lúcia, eu "vejo" o Cigano, eu "vejo" dois corações uníssonos.

Postado por lucia maria em 23-09-2012

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