Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio ebook Vigilante

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


LÚCIA É LUZ Parte IV



					    
RUBEMAR ALVES “Fiquei impressionado com tanto romantismo, criatividade e sensibilidade – adorei, é típico da mulher perfeita, mas... de onde veio tanta inspiração? Suas palavras suavizaram todo o meu cansaço e somo após árdua jornada de trabalho. Gostaria muito de conhecer meu sogr... – desculpe seu pai que tão bem educou você, junto com a sua mãe, é claro.” Escrevi um poema sobre seus olhos e seus pezinhos – ela não comentou. Falou de trovoadas, tiros ao longe, barulho de carros de polícia e ainda me mandou por engano e- mail familiar dirigido ao primo de Roraima. Imaginei-a pensando em mim e por isso cometeu esse erro. “Já leu Heloisa e Abelardo? Amor, mais desencontros que encontros...” E ainda me recomendou chá de camomila com torta de limão. Aprendi a nunca discordar de LÚCIA LUZ. Certa vez chamei-a de frustrada. Respondeu que me transformaria num eunuco. Confesso – tive medo, escondi as facas da casa. E de repente eu me percebi ao meio-dia usando o computador de um restaurante. Ela propôs férias conjugais, cai na asneira de... Concordar: “Está bem, LÚCIA, está bem.” E que ela não se arrependesse no dia seguinte, falei ser um homem de orgulho – não se arrependeu. Comunicou-me a tal palestra realizada com grande sucesso na primeira escola. Dois príncipes, sendo um mineiro de 24 anos e um paulista de... 43. Eu, também príncipe? Ser cavalheiro e respeitador são obrigação, mas aceitei a homenagem. E-mail em que não sabia estar no Kilimanjaro, no Japão ou na Ilha da Fantasia. Respondi estar no Brasil mesmo, ocupado ora com clientes ora com alunos. Calo-se temporariamente. Algum tempo depois recomeçaram as agressões. “Li a crônica recomendada e acho que entendi muito bem. Não gostei das suas injúrias. Sou a pipoca, o milho estourando porque dou alegria a muita gente, não o grão que não abriu, como você, fechado em si mesmo. Não curto amarguras ou tristezas e costumo ser o centro das atenções num grupo ou reunião e não aceitaria um marido me pegando pelo braço e levando para longe, dizendo “Por hoje chega, Lúcia!”– alegar que falei e ri demais. Depois, amor físico como pedido de desculpas e demonstrar posse. Contraditório.” Eu faria isso sim, costumo zelar pelo que me pertence. LÚCIA, vaidosa e segura, transcreveu CBH: “Quero ficar no teu corpo feito tatuagem / que é pra te dar coragem / quando a noite vem / e também pra me perpetuar / em tua escrava / que você pega, esfrega, nega / mas não lava.” Suspirosa. “Um homem destes eu não deixava escapar...” Ave, Chico! Revidei com mitologia grega – LÚCIA só se identificou com Juno, eliminaria todas as mulheres de Júpiter. Acusou-me de irritadiço, olhando sempre o lado pessimista da vida. Eta guria maluquinha! Alertou-me que na África, onde estivera em pensamento, há paisagens interessantes e os bichos namoram livremente em nudez paradisíaca, sem assinar papéis ou colocar ridículos e caríssimos trajes matrimoniais. LÚCIA filósofa. “Por isso que na vida real o amor não dá certo – a humanidade estabelece regras e os bobos obedecem!” Deturpava slogans. “Cuidado com a velocidade. Se namorar, não dirija; se dirigir namore... Está em moda – camisa no corpo e camisinha no bolso.” (Namore? Dentro do carro? No bolso ou...?) Sonhava. “Você era ou será um pai muito severo? Ou carinho bem aplicado o enternece e desmonta? Ricardo e Luana são nomes bonitos.” Em pouco tempo ela vacilava entre ser Galatéa de Pigmaleão ou a mulher de Lot, que olhou para trás e virou estátua de sal. Passou a imaginariamente almoçar comigo aos domingos no shopping da minha cidade. “Já pensou no seu convívio diário comigo? Não pergunto como procedia no seu passado! Gosto de brincar, dizer coisas divertidas, ser pipoca aberta para alegria geral. Isso ninguém vai tirar de mim, procurar ser agradável, simpática e fazer as pessoas contentes. Você é machista – brevemente 44 anos e eu ainda 21. Quem disse que você não se deixa conduzir? Deixa, sim, a grande maioria não resiste à tentação do carinho feminino.” “Uma vez você escreveu que nem sabia porque perdia tempo escrevendo para mim. E o meu tempo não conta também? Esta aparente perda de tempo, prazerosa, agrada a ambos. Escrevo mais porque...mulher fala muito, vai ver, é isso mesmo. A nossa distância não é de tantos quilômetros e sim desajuste, falta de sintonia, como artista de circo tentando adaptar Brechet. Sou culta, mas tenho coração antes do cérebro e isto CIGANO não reparou. Não penso o pior de você – penso na sua eterna incompreensão e falta de paciência comigo.” “Não quero seu carro na estrada vindo ao Rio para me ver, conhecer cunhado e sogros – jamais os ouvirei como seus defensores. Sou de Mercúrio e Vênus, você é de Marte. Sou versátil, você é linha reta, impaciente e muito teimoso. O CIGANO é o eterno sedutor que faz a mulher chorar, vira as costas e não vê. Apesar de tudo, sou um delírio, você é o meu delírio. Em que ficamos? Gostaria de estar ai, agora, sem controle de vontade, sem censura, sem juízo algum, sem roupa, coisa alguma, sem pudor, sem medo, ser sua mulher de verdade. Gostaria, apenas.” Gelei. Era uma confissão. Confusa, mas era. Eu me defendi. “Não sou briguento nem ciumento (na verdade, sou!), incompreensivo e machão... Irá perceber quando olhar em meus olhos, quando ouvir minha voz. O que acontece é que você tem personalidade forte e reage como fera acuada. Contudo, sou apaixonado por literatura e dialética, seus escritos me agradam. Os mistérios do amor são discutidos desde o início do mundo e ninguém decifra estes enigmas. Você quer ser feliz, eu também quero. Juntos, quem sabe? Ah, sim, fui hoje a uma cidade vizinha, visitar amigos e jogar futebol, o que não fazia há meses. Como vê social quando quero. Dores no corpo todo. Eu a vejo rindo e arranhando na casca da maçã o número 43...” Escrevi um conto um tanto erótico, já havia Ricardo, no ventre ela carregava outro filho meu, enviei, LÚCIA não comentou, apenas disse que sou uma “perigosa tentação”, admitindo sua duplicidade de sentimentos e atitudes. Leciono à noite. E-mail convidativo (ou provocativo?). “Acordada ainda, esperando você. Bebezinhos já dormiram...” Caminhávamos para um campo minado. “Não estou conversando com o CIGANO agora, e sim com um homem de mais de 40 anos e bastante experiente de vida. As pessoas entram nos chats para conhecerem pessoas com quem possam ter afinidades, amizade, namoro, algo desse tipo. De repente um deles propõe o tal do sexo virtual (não estou propondo, não quero que me proponha). Explique: por que certas pessoas preferem assim? Não são doentes mentais. Longe de mim a ridícula noção do pecado ensinado pelo cristianismo ou a idéia que “faz mal” – não acredito! Se eu já tivesse feito (não estou confessando nada, tá?), naquela situação de madrugada adentro, até pouco antes do nascer do sol, você censuraria e me exigiria o nome do parceiro? Você já fez isto? Ou você é pudico?” “Não tenho o hábito das salas de bate-papo e naquele domingo eu não estava querendo sair de casa. Não estava procurando sexo virtual porque prefiro o concreto e não o abstrato; só queria conversar com alguém diferente, apenas isso. Você é pessoa adulta e não sou seu dono para questioná-la. Não, não, não! No início do nosso relacionamento, ainda pensei, assumo, mas logo descartei a idéia e com uma pessoa especial não pode ser no sentido ilusório. Não quero ofendê-la e de repente você sumir como areia fina entre meus dedos.” Com isso, acredito que possíveis dúvidas de LÚCIA ficaram mais transparentes. “Acho que fui premiada na loteria do amor e estou como estas pessoas que ainda não receberam o prêmio porque perderam o papelzinho. Às vezes penso que sou fantasma, não existo, sou anjo sem asas que caiu lá de cima e não sabe o caminho para voltar, como o ET, por exemplo. Por vezes faço teatrinho com nós dois em lindas cenas de amor e logo aparece o Daniel Filho gritando Corta!” “se você, querida LÚCIA, encontrar a fórmula para desapaixonar, passe-a para mim... Não, de verdade eu não quero isso. Gostaria de ama´-la, trazer-lhe na cama o café da manhã e nos amarmos mais uma vez. Dizem que os ciprestes duram décadas. Todas as manhãs passo ao lado de um bosque, penso em plantar lá um cipreste como forma de jamais esquecer você, embora esta árvore seja o símbolo de saudade e tristeza.” Levei uns dias calado. “Você me enlouquece e sabe disso. Eu amo você, LÚCIA, muito mesmo.” “Homem é sempre transparentinho e, quando chega a se abrir, a mulher já sabia há muito tempo. Minha intuição diz que breve você será feliz – é só olhar mais ao seu redor que vai peneirar direitinho quem iluminará seu coração endurecido.” Num certo momento coloquei LÚCIA simbolicamente sentada na cadeirinha de infância, de castigo, ninguém a olhava nem socorria, dormia depois de tanto chorar. Não escrevi num longo período. “Os homens são assim mesmo, homem não presta. Blá, blá, bla´...” Deixei choramingando sozinha. Convidei-a a subir a montanha da vida a meu lado, mas apenas como... “amigos, sem beijos, sem nenhuma sensualidade.” Chorou. CONTINUA...
Copyright ATHINGANOI © 2012
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 493 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

LÚCIA entre o fogo ardente e a água apagadora. CIGANOS às vezes são também seduzidos e hipnotizados.

Postado por lucia maria em 23-09-2012

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.