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LÚCIA É LUZ Parte V



					    
RUBEMAR ALVES “Querido CIGANO: Não sei definir com exatidão o porquê das nossas diferenças, pois você não se deixa abater por conflitos íntimos – é corajoso, valente, trabalhador, guardião do lar. Apresentou suas idéias, filosofias de vida, e eu as minhas. Loucura, mas nos apaixonamos mutuamente através de cartas. Eu é que construo obstáculos onde os impasses não existem. Falo de Ricardo e Luana, depois recuo covardemente. Amigos está bem?” Indignou-se porque perguntei se usava piercing ou tatuagem. Negou, intitulou-se inocente Chapeuzinho Vermelho – ai eu seria o Lobo Mau? Apresentou as qualidades: estudiosa, despreconceituosa, objetiva, respondona, desobediente, malcriada, atrevida... Qualidades? Desculpei, como sempre. Desafiou ao contar que alguém tocou a campainha, deixou uma bonequinha de presente, quebrada no mesmo dia – acusou-me de praga. Minha vez de rir. Ai, um fato desagradável. Fui visitar um casal amigo e por várias vezes chamei a moça de LÚCIA. Propus ir encontrá-la, pois não teria essa firmeza de negativa olhando em meus olhos, face a face comigo. Como homem racional, a mim a diferença de idade não seduzia nem desencantava. Pedi endereço para cartas manuscritas. Pelo menos uma caixa postal... Jurou não amar outro, mas escreveu terminando tudo – fugia de mim. Como num jogo de xadrez, jogada decisiva! Em conversas de família, nunca fui mencionado, como se eu apenas um títere, um brinquedinho, como se ela pretendesse ganhar tempo. Viajei a serviço num domingo para cidade vizinha – ofereci para recado em casa de familiares; claro, eu saberia mais sobre ela. Agradeceu, parentes não moravam mais lá. Gol anulado! Li em Faceboock os nomes de duas pessoas íntimas de LÚCIA, mas sem foto de qualquer das três – em todo caso, me coloquei como “amigo”, sou brasileiro, não desisto nunca! Contei, disse que eu era “molequinho adolescente”. “Ah, LÚCIA, não apenas te conquistar, mas desvendar todos os teus segredos! Ah, por favor, me ensine a realizar teus desejos! Estamos cada um na teia do outro, como moscas e não conseguimos ficar sem e-mails um único dia. Você sem saber onde estou, com quem estou, que tipo de experiência estou tendo, e eu aqui pensando as mesmas coisas. Estou convicto de que isto é amor, você diz que é amizade – eu decidi não acreditar mais em você...Logo vou me transformar em aranha e das minhas teias, dos meus braços não escapará.” “Querido ATHINGANOI: Nunca ouvi falar de ninguém nesse ímpeto de paixão ou amor, sei lá. Você não me conhece, não sabe a bomba que instalou no seu coração. Nem transplante resolveria, pois você me esconderia numa artéria qualquer e me instalaria no coração de novo. Não posso por mim mesma e luto para não estar ai. Você já tentou incríveis estratégias para me alcançar, recusei endereço, fácil botar seu carro na estrada, ou caixa postal, não viu foto em Faceboock. Paixão é sentimento súbito de vai- e-vem, amor é pior porque é sofrimento. Não seremos marido e mulher. Conforme-se, namore. Escolha com frieza uma que seja burrinha de pensamento e ótima em intimidades. Você consegue me enlouquecer às vezes, mas logo volto ao meu estado normal. Já me deixou adoentada entre brigas e desejo. Esta frágil princesa tem um talismã que a protege contra dragões cuspidores de fogo: a palavra “não” apenas isto. Estou chorando. Em família, nunca falei em você, que é um menino grande e abandonadinho.” Acho que nunca me humilhei tanto. “Não tenho nem nunca tive um panteão de mulheres. Provavelmente você mexeu comigo pelo jeito despojado de me enfrentar – não sei se teria tal atitude cara a cara. Sei que minha presença perturba as pessoas. Após poucos minutos de timidez, começo a falar, engraçado, sou convincente e ao redor acabam concordando com o que eu disser. Meus amigos inseguros têm ciúme e numa reunião logo seguram as esposas pelo braço. Meu interesse está numa carioquinha... não na mulher alheia em conquista fácil. Na condição de mulher, LÚCIA, você tem instintos e eu na minha condição de homem viril.” Estávamos pegando fogo. Nosso primeiro mês. Nesta noite, foi uma tentativa. Duas horas de “amor”. Recordo tudo em frases embaralhadas: “Hora de menino levado obedecer à mamãe e ir dormir. Amanhã acordar cedo para trabalharmos.” “Você quer dizer menino como menino e mamãe, como Édipo e Jocasta, dormindo juntos?” “Não pensei nisto. Só olhei o meu relógio na parede, CIGANO. Grécia, mitos eternos. Pensei com carinho nas suas poucas horas de sono.” “Que tipo de beijo você me daria agora, LÚCIA?” “O beijo mais indecente que você escolher... Depois não vai conseguir dormir sossegado e vai proceder como um adolescente.” “Fiquei perturbado, sim. Faremos um pacto: dois adolescentes. Você teria coragem?” “À distância, como se estivéssemos próximos?” “Sim, querida, assim mesmo... por enquanto. Estaremos bem próximos em breve. Amigos não trocam beijos desrespeitosos, molhados e na boca. Quero ter você toda para mim.” Passava um pouquinho da meia-noite. “Estou toda molhada... e um pouco nervosa. Já que começamos... “... terminamos. Sim LÚCIA, sou louco por você. A situação saiu do nosso controle.” LÚCIA vestia uma camisola vermelha, malha comprida. Bom, não era sensual, de cetim e rendas, porém... Gosto dessa cor. Só nos separamos às duas da madrugada. Ela chorou. “CIGANO, foi loucura, fascinação, não sei.” “Pois eu sei, foi prazer de homem e mulher. Sonhe comigo querida.” LÚCIA se mostrou confusa a partir daqui. Começava a descobrir novos desafios, novos prazeres. Achava-se febril. Mandava e-mails em que se mostrava por vezes insaciável, descrevia quatro vezes comigo e duas sob o chuveiro quente, ora se oferecia ao advogado italianinho ou a chefe que a secretária descobrira lésbica ora passaria uma semana em minha casa. Difícil ao longe que eu distinguisse verdade ou literatura. Comparei-a com Alice, de Lewis Carroll, num mundo estranho com muitos caminhos e placas, uma árvore e um gato com sorriso de melancia. Veredas... Que caminho tomar? “Pense que sua namorada é moça-fantasma que um dia pode virar fumaça e sumir.” Não escrevia. Recebeu casal de primos para o fim de semana. Alegava ter faltado Internet. Senti ciúme, parecia que os bajulava e me esquecera. Depois, mandou que eu lavasse o carro e as dúvidas do coração, enfrentasse nossas diferenças com maturidade – senti o peso dos 43 anos... “LÚCIA: Ontem À tarde tive um devaneio. Criei uma situação romântica usando a natureza, o vento. Cheguei do trabalho, abri as janelas, deitei no sofá e adormeci com a brisa invadindo a sala, alguns minutos com os olhos fechados quando uma porta se fechou com ruído forte. Ai veio a divagação. Era você chegando, deixava pouca bagagem no chão e corria para meus braços abertos. Depois olhei móveis, objetos, cor da parede, gosto de tudo exatamente com está, mas aprovaria alterações que você fizesse...Ah, doce divagação! E ao mesmo tempo me assustei com esta obsessão. Reli vários e-mails...dezenas de vezes suas negativas. Será que você ainda me escreve por pura piedade, alimentando-me com migalhas de carinho? Talvez diminua a ração gradativamente até eu saber voar sozinho, como sempre fui. Devo parar de construir castelos no ar e manter os pés no chão? Vou lhe pedir um grande favor, orgulho ferido, coração angustiado, olhos em lágrimas – não me escreva mais, nunca mais! Adeus.” Claro que ela, como sempre rebelde, não obedeceu. “Não quero a nossa infelicidade. Vento? Sim, meu signo é de ar. Talvez eu dê meu toque pessoal, mas ensinarei Ricardo e Luana bagunçarem todos os seus livros e papéis.” Horas depois, mais confessional. “Foi é o único homem adulto a quem amei de verdade. Nunca me viu, não conhece meu rosto, meu corpo. Simbolicamente entrei como vento na sua casa pois já morava no seu coração. Nossa vida poderá se degenerar quando você me perceber jovem demais. Não lhe escrevo por piedade. Por vezes a obsessão também é mútua quando acordo de repente na madrugada e o sinto me abraçando. A mim nunca interessaram rosa e bombom de Carlo ou bonequinha do amigo de infância. Nosso encontro de amor, ainda que a nível de distância, foi lindo e deixei de ser menina para ser mulher. Subimos no alto extremo da montanha e despencamos juntos, felizes, sem ferimento algum. Até quando? Se eu parar de escrever... Sonho ainda com uma faculdade. Estou chorando e pronto! Ninguém para me escutar e consolar. Eu o vejo, questiono suas fotos, mas você não me viu e ama assim mesmo. Irei eternizar tudo o que temos escrito – as nossas migalhas. Essa noite me marcará pelo resto da vida. Amei ou amo você? Por tudo isso não quero fazê-lo um homem amargurado e infeliz.” CONTINUA...
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Comentários dos leitores

Um impasse de angústia mas todo conto de fadas tem final feliz (assim espero). Sempre autêntica, LÚCIA! Avante, CIGANO!

Postado por lucia maria em 23-09-2012

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