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ADIVINHEM QUEM VEM PARA O JANTAR?



					    
RUBEMAR ALVES Quinta-feira, véspera de um feriado. ELE chegou na casa da namorada perto da hora do jantar, o irmão e ELA tinham ido esperar no aeroporto, ainda não conhecia ninguém da família e foi recebido pelo PAI com um discurso estranho: “Se é para casar, coitado, não sabe a bomba que estará levando. Não vamos ao teatro há dois anos. Eu também ganhei uma bomba há vinte e seis anos atrás e estou feliz até hoje. Não gosto de padres. O feijão está mais caro. Chicote em cima. Mulher gosta de macho valente. Você tem qual profissão? Seja bem-vindo. Você gosta de empadão de creme de palmito? É o que teremos hoje. Eu tenho um Picasso - carro, não é quadro. Com arroz e salada de alface, naturalmente. Mala com roupas para quantos dias? Ah, por que dizer até hoje que o Brasil é o país do futuro se já estamos no século dezoito?! Se quiser um banho, é a casa de seus sogros, esteja à vontade. Café com açúcar ou adoçante? Eu torço pelo Fluminense e não gosto da Madonna.. Ufa, acabei!.” Continuou sentado no sofá, enfiou o rosto no jornal que tremia nas mãos dele. O rapaz se assustou. “PAI, você está se sentindo bem?” - FILHA em dúvida sincera. ELE não respondeu nada, jornal tremeu mais ainda. A mulher apenas vacilou por segundos, logo entendeu a emoção do marido e respeitou. Não acatou, não. Na hora de dormir, “acertariam os ponteiros” muito direitinho. A expressão “rainha do lar” existe, mas “rei”?! Onde e quando? Afinal, quem trabalha fora, leciona três dias inteiros por semana e administra a casa com perfeição? Lera um artigo de inteligente escritor paulista em que ele usava argumentos sólidos para explicar e defender a mulher mandona, desde que esta fosse ao mesmo tempo uma doce fada. Mandar com carinho e doçura. Fez sinal de silêncio com o dedo indicador sobre os lábios e foram todos para a cozinha: mãe, filho, FILHA e namorado. Fecharam a porta. Gargalhadas gerais. O discurso tinha sido ensaiado a semana inteira. Foi avisado pela mulher que o namorado da FILHA estaria vindo de longe e deveria ser muito bem recebido. Foi aí que ELE percebeu que ELA crescera. Não mais aquela menina assanhada em casa, mas assustada em seu primeiro dia de jardim de infância, roupa que durante três dias ELA achou horrível e pai teve que “explicar” que era “farda de soldadinha” e a professora era a “militara” porque a FILHA algumas vezes tinha ido a festas no quartel dele e achara bonita aquele gente toda com roupas iguaizinhas, verdes... A da escola era azul-marinho, camisa branca, tênis e meiazinha. Quando ELE conscientizou de todo o besteirol falado, quis conferir, procurou os papéis onde digitara três “discursos” - um na hora em que o rapaz chegasse, outro durante o jantar e o terceiro mais perto da hora de dormir. Percebeu que não saíra da mesma posição, sempre sentado, faltaram o aperto de mão e as duas clássicas palavrinhas “Muito prazer”. Nem prazer pequeno nem grande, menos ainda muito. Também não pediria desculpas. O fulano que se virasse... Apresentara o cardápio. Riu sozinho, neste momento, lembrando da brincadeira da sopa de pedra em que todos recebem prato cheio e a última pessoa recebe somente a pedra - tai, devia ter pensado antes e faria isto com o candidato a genro. Dera sua opinião anti-religiosa. Amenidades para o final da noite seriam futebol, música e teatro - ninguém pode reclamar... porque falou, não esqueceu, falou. A FILHA ingrata por certo instruíra o namorado contra ele, pois ao se olharem perceberam que as bermudas eram iguaizinhas - modelo igual, mesma cor. Sentiu a sua como sendo muito mais elegante e granfina; a do namoradinho deve ter custado um-e- noventa-e-nove.................. “Rapazes modernos têm péssimo gosto - compram qualquer coisa que o vendedor ofereça.” Contou de 1 a 10 três vezes. Toalha, pratos e talheres logo arrumados. Com visita, não ficava bem cada um sentar num local diferente da sala, prato na mão. E para que a louça que só saía em dia de festa ou com visita importante? Visita importante! Cara de idiota, isto sim, ajudando a trazer as travessas para a mesa. A FILHA iria casar com um bobo. Macho que é macho não entra na cozinha. Adulador de sogra, isto sim. Na verdade, ELE próprio fizera isto no passado, mas apenas porque a mãe da moça engessara um dedo. Absolutamente não foi puxa-saquismo. Entretanto, ELE, o dono da casa, não podia ser mal-educado. Conversou serenamente e convidou o rapaz para o futebol da manhã de sábado, quem sabe talvez simulasse disputar a bola e o jogasse ao chão? “ELE terá plano de saúde?” Ué, só estaria repetindo o que há quase três décadas o pai da namorada fizera com ELE na manhã em que se conheceram. O clube ainda é o mesmo. Aliás, o futebol começou ali em Laranjeiras, perto do palácio do governo. Um grosso, um cavalo, um pai ciumento... E depois foram tomar cerveja num botequim pé-sujo... Voltaram um tanto “alegrinhos” e a futura sogra, mulher mandona, geniosa e depois toda sorrisos, mandou que fossem imediatamente para o chuveiro frio... “ Nessa noite as mulheres aqui de casa não assistirão às telenovelas.” Macho que é macho não se interessa por bobagens. ELE só assistia para fazer companhia às mulheres da casa: esposa e FILHA. Conversaram assuntos não polêmicos. Até que o “talzinho” lhe pareceu inteligente e versátil. Não ficava bem elogiar, dar cartaz ao fulaninho que lhe iria roubar a FILHA. Ah, cultura de Internet! Só pode... Certamente pesquisava, decorava e cuspia bobagens. Repetia, talvez, reportagens e opiniões televisivas. Filho dividiu o quarto com o visitante, sempre houve ali uma cama extra, fosse para familiar ou amigo. Sexta-feira comum. Supermercado, pensou em assustá-lo com o preço dos alimentos (“Quer casar? Saber primeiro quanto custa...”) - o rapaz não se abalou. Que não fizesse a esposa passar fome... Ai dele! Manchete nos principais jornais: “Sogro enforca genro porque..” Afastou a idéia. Poderia ajudar com uma mesada, talvez. Mais tarde, namorado e FILHA foram passear. Onde? Por que não telefonam para dizer que está tudo bem? Olhou o relógio, nervoso, a cada trinta, vinte, dez minutos. “Cinquenta e dois anos. Muito cedo para EU ser avô!” No sábado, após o futebol, tai, já estava achando o rapaz mais esperto de verdade, mais simpático, até lamentou ser o dia do meio, domingo estaria indo embora. Jantaram num restaurante italiano. Sogro não aceitou dividir despesas. “Que idéia, nada disso! VOCÊ é nosso convidado especial. Faço questão...” Encontrou um amigo no estacionamento. Apresentou o rapaz com entusiasmo: “Meu genro! Inteligentíssimo!!!” No domingo ELE ficou meio sem graça, meio triste, mas apenas para fazer coro porque a mulher parecia com um arzinho murcho e a FILHA quase chorosa. Praia, almoço em casa, sogro e genro assaram o churrasco, rindo muito, e lavaram a louça. Fez questão de levar o futuro genro ao aeroporto para ter certeza de que estaria embarcando sozinho. Engoliu em seco, pigarreou, emocionou-se outra vez (viu na memória a imagem frágil da bebezinha recém-nascida) e substituiu votos de BOA VIAGEM pela frase que ouvira da FILHA uns sete dias antes: “ADIVINHEM QUEM VEM PARA O JANTAR?” Gargalhada geral. ELE riu mais que todo mundo. F I M
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Comentários dos leitores

Perfeito! Este conto me fez lembrar um fato da vida real - sogro carioca, consciente da perda da filha, e genro paulista, não malfeitor.

Postado por lucia maria em 30-09-2012

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