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CONTO OU CRÔNICA?-O FAZER LITERÁRIO E A FILOSOFIA



					    
RUBEMAR ALVES O marido acordou atrasado, a esta hora já deveria estar trabalhando nas máquinas implacáveis. Isto porque sonhara com ELA, dois rostos diferentes, ora freira de mosteiros medievais na Península Ibérica, pois sempre se intitulava ‘princesa’ do Castelo de Guimarães, não podia copular, ora nuazinha sem a menor folha de parreira (serpente deve ser metáfora), ingênua e provocante, só que não estava a fim de copular naquela noite... Mas era ELA, ELE não se questionava: dúbia, muitas vezes multipolaríssima, pior não deve existir no mundo, porém ELA, a sua mulher perante o juiz de paz e o padre (sua??? - pronomes possessivos são controversos em certos casos), única e indivisível! Mesmo no escuro, horário de verão, claridade nenhuma de quatro e meia na natureza, por instinto e tateando ELE acertou trocar pelo menos um pneu. Todo ano governo garante nesta época de claridade mais cedo uma super economia de força e energia... é, pode ser... - ELA tem por norma uma frase de origem anarquista: “Hay gobierno, soy contra...” Boa justificativa pelo atraso - “...estourou na estrada esburacada e esqueci o pneu velho lá mesmo.” (Quem não tem carro, que desculpa apresenta? Pneu... do trem?) Chuveirada quente rápida, café solúvel de emergência, saiu de casa após beijo apressado. Ai dele sem este detalhe ao amanhecer!... – voltando após trabalho, sofá substituindo cama. ELA, que já estava acordada mesmo, pegou material de alguns anos passados, livros e folhas arquivadas, apenas definições de “Técnicas de Comunicação”, porém não estava a fim de escrever, telefonou para mim, velho amigo de cadeiras estudantis. Quatro anos de Letras e minha ridícula e covarde paixão platônica. ELA dizendo e como sempre contestando: “CONTO é tudo o que se conta.” E se for uma mentira? Inventar pode? “CRÔNICA é contar o cotidiano.” E se cronista quiser contar o passado? Não pode? Repetimos as nossas aulas na faculdade: CONTO é narração de estória curta (condensada), base num só lugar (o onde – e se misturarmos o Monte Olimpo com Campos de Jordão, lugar alto também, não pode?), em tempo curto (o quando – e se quisermos ir de Cleópatra a Elizabeth I do Reino Unido, não pode?), com poucas personagens (quem ou os ‘quens’, se a gra mática me permitir este plural – impossível conto sobre multidão no campo de futebol? não pode?) e poucas ações (o que aconteceu – conto na guerra não pode?), uma única célula dramática ou conflito (e se mulher tagarela como EU – pelo menos ELA se assumia extrema palradora... – quiser escrever o conto, tem que ser obrigatoriamente drama singular?). CRÔNICA (do grego ‘cronos’, tempo) é híbrida, fusão de jornalismo com literatura, muda- se o real em verdade recriada. Geralmente lírica, perto da poesia, como em Rubem Braga (ELA sempre suspirava, sem jamais o ter visto pessoalmente: “Ai, aqueles olhos azuisinhos e o cabelo grisalho...”) ou documentária (debochava: “Repetindo enfeitadas as notícias da tevê?”). Como se vê, contestadora que deixava os professores doidinhos, ELA praticamente desafiando os teóricos, reduzindo Aristóteles, eterna base para estudos, a zero. Se dele apenas leu a teoria poética, ótimo! Jamais sua filosofia política. Sou jornalista - ELA é professora de segunda a sexta e contista em dias de não preguiça. Cantarolava sempre: “Começar de novo...” Tema de seriado televisivo (ELA nem era nascida ainda!...), autor masculino, cantora famosa, improvisava leve sotaque baiano. Minha amiga desafiava o mundo – pelo que ELA então pesquisara, seriado polêmico dos anos 80, premiado em vários países. Mas recomeçar casamento, no seu caso pessoal, pelo menos ainda não. Até quando? Não que seja promíscua, mas mulher independente e versátil cogita a hipótese de vários casamentos com validade média. Homem assustado, temeroso de novo erro, desconfiado e precavido, nem tenta uma segunda união (ou melhor seria dizer desunião?)... Perguntou (logo a mim?) se no casamento havia amo e senhor versus “coisa” possuída. Bom, para o homem o conceito de domínio e posse é um, para mulher é o oposto. ELE quer mulher recatada e obediente, que não ouse nem ao menos escolher fora de casa a refeição por conta própria – afinal, a quem o garçom costumeiramente se dirige? Contudo, se a ousada “senhora” fizer um carinho de bom jeito, sentar de leve no colo, beijar no capricho, em poucos minutos ELE aceitará feliz a “escravidão”. Isso minha audaciosa amiga faz constantemente, muito sabidinha. Mulheres mandonas ou submissas? Mulher ideal? Talvez um misto de sargenta braba com uma doce fada de asas prateadas. Ou azuis? Pediu que EU escrevesse e publicasse alguma coisa, desligou brutalmente sem se despedir, como quem vira as costas para o interlocutor porque viu alguém mais interessante do outro lado da rua. Quatro anos de convívio, quatro horas em cada tarde, aulas de segunda a sexta – me acostumei! (Ou ainda não me acostumei?) Não me contou nada – vai então uma crônica, sem local ou tempo determinados, sem personagens em ações diretas. Prometi: “Amanhã, poderá ler no “meu” jornal.” O próprio Aristóteles (tomara que ELA não saiba disto ou marido e EU estaremos ferrados para o resto da vida!) dizia que a condição de amo ou de escravo era dada pelo nascimento, isto é, uns nascem para mandar (ELA? – quase concordo...), outros para servir (o coitado do principal provedor da casa, muitas vezes suando pesado até nove da noite por um problema complicado na empresa, ELA já me disse, e ainda a ajudando a lavar panelas ou em trabalhos didáticos num qualquer domingo). Aos senhores, a natureza deu razão (de racionalizar, não de raciocinar, mas ELA diz sempre: “Tenho razão até quando não tenho razão...” – e quando sentencia, ai de quem tentar contradizer!...) e inteligência (de verdade, excelente universitária), aos escravos deu corpos fortes para realizarem trabalhos servis (ELA quer utilização doméstica em 1.80, tipo arrastar móveis, empurrar o carro enguiçado, trazer ‘mil’ sacolas do mercado ou da feira livre – já assisti pesaroso). Sim, havia o escravo natural e também o escravo porque perdeu a guerra, tivesse esta sido justa ou não. Para os gregos, toda guerra era justa e todos os outros desprezíveis povos eram sempre incultos, bárbaros: não falavam grego! Não sei muito bem o relacionamento íntimo do casal, o dia a dia. Sei que ELA acha tudo sempre justo, a bandeira branca é uma caixinha com orquídea lilás ou cem gramas de balas açucaradas de damasco – trégua... temporária! Sempre se sentiu poderosa, mesmo baixinha, teoricamente “governando” em casa um gigante com ares de tirania. (Também tenho essa altura: coitados!) Para o pensador grego, “macho, de fala grega e proprietário de terras teria nascido para mandar”, mas assumia que a união macho e fêmea era indispensável para a geração de descendentes, porém “o macho regendo sobre a fêmea.” Ha, ha, ha, minha amiga jamais se submeterá a isto. Ao contrário, tivemos uma regente mulher que num 13 de maio acabou com a escravidão física, mas a emocional será eterna. Pior é que os homens sentem prazer nisto. Cumpri a minha missão: esta feita a crônica. Ou isto é um conto? Ai de mim que nada escrevesse!... F I M
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Comentários dos leitores

Aqui está um verdadeiro paradidático de literatura. Muito bom! Parabéns, Athinganoi!

Postado por Silvino em 08-10-2012

Você resumir aqui todos os anos de Teoria Literária que consta de um curso de Letras?! Essa moça "dá nó em pingo d'água", enlouquece o mundo masculino e me divertiu muito. Macho regendo a fêmea... É mesmo, é? Tem "certeza"?

Postado por lucia maria em 06-10-2012

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