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LÚCIA É LUZ VI



					    
“Como na canção infantil, dois cavalheiros esticaram a mão para você. Pedi que nunca mais me escrevesse, mas a indômita LÚCIA me sabe previsível e que eu responderia quando envolvesse outros na estória. Nunca fui patife – a vida do homem correto é por vezes deprimente. O que você de fato quer de mim? Abra seu coração neste dia D.” Concordou. “Sofrimento único e duplo, de nós dois. O previsível é que sou sua mulher e nem mosca pode voejar perto. Pode rir e debochar de mim - nem taxi, motorista com menos de 30 anos! A grande diferença é que eu tenho os pés no chão, não sonho nem idealizo.” “Começo a duvidar dos seus 20 anos porque você tem vasto conhecimento do universo masculino, muita cultura, quase uma enciclopédia ambulante. Na sua idade, inclusive com prosódia perfeita, teria que passar muitas horas lendo, estudando, a menos que seja auxiliada e conduzida a tal refinamento, escreveu que são três professoras de português e literatura na família... Fácil fazer um homem comer na sua mão, como cachorrinho – desmontá-lo com elogios.” “Minha maestrina é a vida, a cabeça feminina que observa o mundo. Enciclopédia ambulante são pedacinhos de cultura que se aprende na tevê, nos resumos de filme. Culturinha picada de liquidificador. Se um dia transformarmos nossos e-mails em livro, quero que o leitor ponha dúvidas sobre a minha existência física, sem conseguir desvendar o segredo da trama. Se eu disser o clássico “I Love you”, onde o real, onde o imaginário? Se LÚCIA existe ou é obsessão de ATHINGANOI, cabe ao leitor resolver, nunca esquecendo que sou herdeira de Eva... A mulher escrava se oferece toda nua e o chicote cai da mão do feitor.” Anoiteceu. “O que você quer LÚCIA?” “Não quero que você durma neste momento. Beijo no ombro é senha – acabo de inventar. Quantos quilômetros ou milímetros nos separam?” Ela foi se entregando devagar, coração em ritmo de alegria, corpo seminu. Ensaiamos os mesmos gestos da outra noite – medo, angústia, desejo, loucura, êxtase, em confusa mistura de sentimentos e ações. Mais desinibida. Uma hora de amor. “Você tem um gênio indômito. É como gato – esconde as unhas e dá o bote. Por que me pediu para escrever somente na quarta-feira?” “Eeeuuu? Não lembro nada disso...” “Cínica! Diga que tinha um livro para ler. Tudo bem estou de muito bom humor hoje.” “Cínica, não: sou uma anjinha. Tudo bem ai na sua casa sem vento?” “Sim. E sem divagações.” “Que pena! Um dia o seqüestrarei. Naquela noite exagerei. Seis vezes... Acredita?” Sou cínico também. “Ótimo! Vamos superar e entrar nas sete. Boa noite, LÚCIA.” “Você diz LÚCIA é sedutora. Não: sou luz, claridade. Boa noite, CIGANO.” Amanheceu. Enviei um poema. Chefinha telefonou e dispensou-a de trabalhar. Passou toda manhã, imprimindo e-mails para “um futuro livro”, pensava. Escreveu me chamou de ariano rebelde, carneiro raivoso e impaciente. Fez drama: que não tinha maestrina blá-blá-blá e nunca sentia saudades de mim. Assinou LÚCIA e em seguida meu sobrenome. Provocava, como sempre. Depois recuaria – eu acostumado com estes rompantes. “Você já sabe que sou melodramática e faço tempestade em copo d’água? Ainda não aprendeu isto. Nada fora do comum. Ontem, me distrai em bate-papo com meu próprio nome – às vezes parecia você, às vezes não. O fulano disse que tinha namorada no Rio – eu me apavorei, desliguei. E se fosse você me traindo comigo mesma? Enjoei, deitei, dormi, sonhei, com um tribunal, o advogado gritou que eu era a ré, despertador tocou. Bolsa de estudos aberta para Coimbra, entrevista em Brasília. Posso me inscrever?” “Se a idéia do livro vingar, seremos parceiros, pois ambos escrevemos os e- mails. Passarei o domingo em outra cidade. Atenciosamente, seu amigo e sócio, ATHINGANOI.” “Seu f........ Alguém para beijar você ai na madrugada? Sociedade desfeita. ‘Atenciosamente’ é a............. Sou educada: penso, mas não escrevo certas palavras.” Na manhã seguinte estava meio diplomática. Recomendou trocar óleo, gasolina, cuidado na estrada, porém... “Não dê carona a meninas ou eu o caparei. Estou em crise existencial absoluta e aguda. Aliás, desde que nasci. Eu, anjinho peralta, atirava flechas na direção da Terra, escorreguei da nuvem, caí numa sala fria, pessoas vestidas de branco, uma mulher gorda que gemia ai-ai-ai, alguém gritou “Menina!”e me deram uma palmada lá atrás. Um homem de máscara riu e disse que nove meses antes o ai-ai-ai teve outro significado.” Tinha às vezes crises de insegurança. “Como vão suas alunas de inglês, francês, alemão, japonês, mandarim.......? Ré bonitinha é sempre absolvida? No cinema, é. Não sou ciumenta!!! Juro.” Vivia estressada. “Cansada de escrever assim bonitinho e sem querer seduzir certas pessoas. Não estou agüentando a pressão sua, em casa, no escritório.” Os e-mails sentimentais diminuíram, agora era eu inseguro, desestimulado, amedrontado, comecei a achar que conhecera e eu estava embaixo do tapete. Ela sabia que não acreditava em adivinhadores e provocava sempre. “O que é isto, CIGANO? Está usando bola de cristal empoeirada ou vidro rachado. Não estou fria – estou é com releituras puladinhas em casa, antes de doar uns vinte livros e recortar jornais de domingo para caixinha de papelão cultural. Distraí conversando toda hora com um certo advogado e em enrolei.” A culpa agora era minha? “Realmente, você é um poço de surpresas, mocinha. Parabéns Por ser a redatora única de um jornal mural religioso. Escreve discursos políticos também? Com ironia!” “Eu sou uma anja......” “Sabia que a palavra ‘anjo’ vem do grego e quer dizer mensageiro?” “Você me endoidece. Odeio a Grécia! Cantada medíocre... Foi assim que tudo começou. Tenho boa memória.” Confusão mental. Sonhou com um primo jovem, ela era professora, saía do quadro-de- giz para um arquivo, achava minha foto numa ficha de aluno, via-se numa torre alta como Rapunzel, o pai flutuando fora da janela e cheiro de papel queimado: “Meus e- mails!” Acordou muito assustada. Tevê anunciando um incêndio no bairro de LÚCIA. “Implicância com computador. Meu pai acha que escrevo para um jovem desocupado, cheio de tatuagens e que acorda ao meio-dia... Mas é um homem paulista maravilhoso. Nossa estória não é inédita nem conto de fadas, filme ou novela de felizes para sempre.” “Hoje foi um dia muito atribulado. Boa noite, minha bruxinha carioca.” Em outra noite mandei e-mail, agressivo, acabei tudo. Mas ao amanhecer... “Bom dia, LÚCIA, minha luz. Não vou respeitar seu pedido de silêncio por uns dias. E a foto que me prometeu? Posso colocar na capa do nosso livro?” “A cana aqui é dura! Não sou a LÚCIA independente que você imagina. Grande lista de deveres. Direitos cadê? Contar que escrevo para um ex-casado de 43 anos? Casa em clima tenso, continuação de quartel. Sou eterna rebelde. Já viu dragão cuspindo fogo? Aqui é pior. Meus pais devem esperar para mim um príncipe de cabelos longos, que toque alaúde e venha montado num cavalo branco. Desista de ser meu príncipe.” “Pena! Meu cavalo vira-lata é branco e marrom.” “Filho e uma coisa, filha é outra coisa – no mínimo escutamos isso! Nora bem- vinda, genro é um caso a pensar. Ainda reduzo este oficial a um simples soldado raso!!! CYRANO, ATHINGANOI, CIGANO e depois seu verdadeiro nome. Conheci nesta seqüência. Um tímido galante, dois sedutores e por fim um verdadeiro, em corpo e alma que foi se revelando aos poucos. Sua biografia detalhada? Onde distinguir em você a verdade e a fantasia? Faremos dois meses exatos dois dias antes do seu aniversário.” “Feriados pela frente. Quem sabe uns quarenta minutos de avião? Conhecer o Rio... Mas você disse que talvez todos de casa viajem.” “Caso a pensar. Combinaremos detalhes.”
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Comentários dos leitores

A coisa mais encantadora nessa estória foi a sedução mútua. Já li, reli, treli esses capítulos "mil vezes" e me emociono sempre. (Toda LÚCIA É LUZ ou somente a sua namorada?)

Postado por lucia maria em 14-10-2012

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