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ORGULHO E PRECONCEITO...OU IGUALDADE?



					    
RUBEMAR ALVES Parte do título remete à obra da escritora britânica JANE AUSTEN (livro terminado em 1797, somente publicado em 1813), temática não muito parecida e aqui são personagens reais rompendo o século XX em ambiente brasileiro. - - - - - Tentarei fazer um “retrato social” do nosso povo em determinado momento, se me permitem os especialistas. DUAS mulheres que ainda não se conheciam, mas que virariam familiares algumas décadas depois. UMA nascida em 1889, dez meses antes da República. Filha de português com brasileira. ALBERTINA. Branca. Rio de Janeiro, morava a caminho do centro da cidade, casa própria do pai. Mais tarde, mesmo sem argumentos sólidos, condenava o 13 de maio de 1888. Sobre a República: “Vai mudar ou mudou alguma coisa?” Semi-analfabeta, tia ensinava às escondidas do irmão, desenhava o nome com letra cursiva e pomposa; pouco entendia de uma leitura de jornal : interesse governamental de uma população sem cultura, em especial as mulheres, sob o ridículo “senão” de que escreveria carta a namorado. Pai era artífice ferreiro - fabricava fogões eternizados, janelas e gradis; tinha um vozeirão, cantava amadoristicamente num coral de óperas e operetas, monossílabos ou exclamações, num teatro para a elite, embrião do Teatro Municipal; nestas ocasiões, usava fraque, cartola e bengala; apaixonado por corridas de cavalo, ‘o animal da nobreza britânica’ - mesmo traje; nunca um gesto de carinho em família - dois meninos, duas meninas. ELA nunca trabalhou fora de casa nem exerceu atividade que rendesse dinheiro, embora sendo excelente costureira - aprendera com a tia que pela época já era estilista, desenhando e costurando para a aristocracia ainda cheia de pose, as granfinas citando Paris e exigindo o título fantasioso de “baronesa”.......... Casou mais do que tardiamente pelos conceitos da época aos 29 anos com um português que possuía o Armazém Sete Portas de Aço, no bairro de Vila Isabel (!), muitos caixeiros (balconistas) vindos de Portugal após “carta de chamada” garantindo emprego no Brasil, e precisava de uma esposa para dirigir cozinheiras e lavadeiras, estas sempre indicadas por amigos também comerciantes patrícios e escolhidas no ainda teste “a dedo” (pode?): pele escura, ilusão lusitana de que seriam submissas inclusive para sexo fácil, e geralmente de Minas Gerais trazendo a culinária daquele Estado. Como ELA diria mais tarde exímia doceira, “aprendi muitas receitas com as negras”, inclusive (patroa nunca soube desta origem) a famosa feijoada carioca de feijão preto que a “criada” (todos falava m assim), filha de Ogum, sempre às terças- feiras vestida de branco, um colar de contas azuis, ensinou: “tradição de um mínimo de 7 salgados”. Atitudes e pose imitativa de aristocrata que praticamente esticava o braço e oferecia a mão para ser beijada. (Ah, se fosse com este narrador aqui... - tadinha, ELA ficaria um século inteiro esperando o meu ósculo...) Não era mais o tempo de casa grande e senzala, daí que a senhora pessoalmente fez doces maravilhosos a vida toda.. Curiosamente, já bem idosa teve uma doença neurológica e perdeu memória em vários aspectos, mas as receitas se eternizaram - o médico nunca vira fato semelhante, pois a mulher não tinha mais força física, doutor fazia testes perguntando como fazer brevidades, escutava explicaçã o detalhada sobre ingredientes corretos, possíveis variações, efeitos de sabores e o tempo longuíssimo com a colher de pau: “Com batedeira moderninha não fica esfarelenta!” Anos depois, sobrinho de ALBERTINA casou com filha de LUCINDA. Tiveram uma única filha (ha, ha, ha - conheço?!) que já nasceu revolucionária , rebelde, evoluída, anti muita coisa; citarei somente três: orgulho, preconceito, discriminações. Contudo, sobrinha-neta que sempre foi o orgulho e a felicidade da família! A OUTRA nascida em 1891, também janeiro. Filha de (não preciso repetir)... LUCINDA. Branca. Rio de Janeiro, morava no centro da cidades, aluguel em *higiênicas vilas de casas. Mais tarde, tinha argumentos sólidos para defender o 13 de maio de 1888. Sobre a República: “Vai mudar ou mudou alguma coisa?” Cinco a nos completos em excelente escola pública e por falta de esclarecimento popular bem poderia ser no mínimo professora primária; lia o que aparecesse em casa ou de biblioteca pública. Pai era meleiro - de freguesia certa, vendia mel e favos de porta em porta ou no pequeno comércio do bairro. ELA , curiosidade pelo mundo do trabalho, pai pessoalmente arrumou para a amada filha emprego numa fábrica onde tinha vergonha de ser a mais culta e ali ensinou muita gente, fosse mulher ou homem, a ler e escrever. Casou pouco além dos 20 anos. Morara desde criança nas tais benditas vilas onde as pessoas naquele tempo eram verdadeiramente amigas, não importando pele ou cabelo ou detalhes idiotas de seleção estudada como natural (desculpe, “tio” Darwin!). Se ELA fosse a nalisar a quem dar bom dia, chegaria a noite sem conclusão alguma. Então, mais prático fazer amizade a criar distanciamento idiota - atitudes de gente simples que no desfilar das décadas foi devagar substituindo o clássico aperto de mãos pelo beijinho-de-formiga, muito comum na atualidade até no minuto em que as pessoas se conhecem. (Ah, se fosse com este narrador aqui... - tadinha, ELA ficaria um século me fornecendo café fresquinho e bolinhos de chuva que aprendeu com vizinha e fazia muito bem...) Viúva com quatro filhos para criar, dois meninos e duas meninas, tornou-se indiretamente escrava de um tanque pois lavou para fora durante longo tempo até conseguir emprego numa fábrica. Não culinária elaboradíssima, cozinhava bem, além do satisfatório, inventando receitas incríveis, em especial quando o dinheiro estava curto - fazia arroz ‘acompanhado’, mistura de arroz com lingüiça e vegetais, fossem folhas ou legumes, ou uma ‘farofada’, mistura de farinha de mandioca, lingüiça, ovos e banana ou manga, que podia ser comida assim mesmo ou rechear galinha do quintal - maior criatividade nos momentos de maior escassez, proporção econômica inversa. Anos depois, filha de LUCINDA casou com sobrinho de ALBERTINA. Tiveram uma única filha (claro que conheço!) que já nasceu revolucionária, rebelde, evoluída, anti muita coisa; citarei somente três: a nobreza (quem? onde? quando? como?) decadente que não assume suas verdades, as desigualdades sociais, a crença nas autoridades mentirosas. Contudo, neta que sempre foi o orgulho e a felicidade da família! Ah, RIO DE JANEIRO (CIDADE MARAVILHOSA assim nomeada em 1934 pelo cantor- compositor-músico ANDRÉ FILHO, e da popular música de carnaval até hino oficial da cidade ainda foi um caminho demorado), v o c ê tem histórias lindas para contar desde tempos imemoriais!... --------------------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: *PEREIRA PASSOS (1836-1913), engenheiro brasileiro, prefeito do Rio de Janeiro de 1902 a 1906, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves (advogado paulista civil, o último da política do “café-com-leite”, revezamento entre presidentes mineiros e paulistas). Morreu a bordo de um navio, a caminho da Europa. Inspirado no que ocorrera em Paris, promoveu grandes reformas urbanísticas, o que implicou em alto custo social com o início da formação de favelas, após a demolição de 1.600 prédios velhos residenciais, sob alegação de infectas, o popular “bota-abaixo” (carioca nomeia tudo!), ou forçando famílias a mudarem para os subúrbios; parte permaneceu no centro, passando a habitar os morros da Providência, de Santo Antônio e outros. Alguns de seus (bons!) feitos: 1- 1905 - início da construção do Teatro Municipal, inaugurado em 1909, e inauguração da avenida Central (hoje avenida Rio Branco), marco da sua administração; 2-1906 - melhoria no abastecimento da água da cidade. *LEI DA VACINA OBRIGATÓRIA, 1904 - A resistência à vacinação foi a tentativa de um golpe, com o apoio de positivistas e tenentes da Escola Militar, início com manifestações estudantis, a população assustada, brigadas sanitárias (os “mata- mosquitos”) invadindo as casas para aplicar a vacina à força, em paralelo à boataria (quem inventou?), até mesmo jornalística, dos ‘perigos’ da vacina em geral, inclusive aplicada na genitália das mulheres (povão acredita sempre). Arruaças de agitadores (úteis ou inúteis?), lojas depredadas, incêndio de bondes, polícia atacadas até com... penicos cheios. Daí, graças ao sanitarista Osvaldo Cruz que convenceu o Congresso a esta obrigatoriedade contra a varíola que dizimava populações, votou-se a lei salvadora. Processo de vacinação reiniciado, varíola erradicada, pelo menos na Capital Federal. F I M
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Comentários dos leitores

Gosto muito desse momento da História em que o mundo "tirou o chapéu" e cumprimentou com aplausos a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Emocionada, agradeço a você, meu paulista muito querido!

Postado por lucia maria em 21-10-2012

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