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ETERNA ATREVIDINHA



					    
RUBEMAR ALVES Apenas três estórias da mesma pessoa, minha AMIGA carioca, entre milhares (?) de opções vividas. I - Gente amiga viajou para Portugal onde o marido iria vender terras de uma antiga herança encalhada há anos, daí que passaram meses fora do Brasil. A senhora brasileira voltou cheia de idéias e novidades. Que em determinada aldeia, toda manhã as pessoas tomavam uma colher de azeite. Em jejum! Puríssimo, grosso, esverdeado. ELA (que só conheci adulta um tanto filosófica e revolucionária), garota nada obediente e pacífica, eterna questionadora, não descobriu finalidade, quase tomou a contragosto somente uma vez porque a mãe já veio na cama com a colher de sopa cheiona, cuspiu arrepiada na camisola de dormir e, porque nunca disse um palavrãozinho, classificou o tal azeite como “sangue de bruxa má” (sem lógica, porém amava Grimm e Perrault, amiguinho s num cantinho do armário de roupa)... Em seguida, esta mulher apareceu na tarde de 24 de dezembro, antigo costume familiar de reunião amiga. “Farei *formigos, que aprendi no Minho, norte de Portugal...” Fez. “A criança da casa vai provar... e aprovar.” (Quem disse ‘a-pro-var’?) A tampa da latinha recém- comprada de canela em pó caiu e o conteúdo pulou inteirinho sobre o doce. Excesso excessivíssimo. A mulher disfarçou, tirou parte com a colher, assoprou, mas ainda ficou muita coisa. ELA tentou comer, sabor intragável, sufocou-se, engasgou, tossiu, saiu-se com esta: “Formigos?! É ‘formiga’, isto sim...” Ante a ameaça iminente do chinelo da mãe, fugiu, correu para a calçada e cantou aos berros: “É Natal, é Natal, sino de Belém...............” Se não foi exatamente isto, foi canção com o mesmo tema. Por milagre natalino, dessa vez escapou do chinelo pezinho 34, mas de couro muito duro......... Momento também de exibir na porta o vestido novo, de retalhos tão bem combinados, que até parecia de loja granfina. II - A tia-avó fez uma cirurgia e, muito assustada, prometeu rosas à Nossa Senhora da Salete e.......... feijoada (atenção, leitor: feijão preto e mínimo de 7 salgados) aos amigos. Não entendi a segunda parte, mas o que importa é a narrativa. *Catumbi, bairro quase central onde residiam muitos ciganos. Estes, nos quintais de casa, faziam festas tradicionais, com muita música, danças e doces de ovos. Cada clã tinha um ou dois gatos puladores de muro. A cozinha era nos fundos da casa, o almoço na sala distante e alguém teria que ficar lá atrás, impedindo a possível entrada de algum gato. ELA, 12 ou 13 anos, se ofereceu, embora gostasse destes felinos menores: inventivos e surpreendentes. A maior parte da feijoada estava na sala, a garota esqueceu de pegar um pedacinho de rabinho de porco (super educada, hiper atrevida!) e se dirigiu à frente da casa. Vizinha sempre abusada e insuportável informou rindo: “Eram só três grandes. Um para meu marido, outro para minha filha, outro para mim...” Adultos tensos e calados. ELA falou que era para dividir (na véspera, somente acharam três no armazém local) e desejou que o trio uma hora depois tivesse “uma bela dor............” (censurado). Como a garota sempre disse de si própria que sempre tinha razão até quando não tinha razão (EU adoraria descobrir o autor desta frase!), desta vez em plena razão, as pessoas presentes trocaram covardes sorrisos, concordando em silêncio............... III - Casou muitos anos depois. Foi a uma festa de aniversário, vizinhos da mãe em outro bairro. Pra quê? Sinceridade abala amizade. Mulheres de um lado, eterna mania do troca-troca de receitas culinárias, homens de outro, contando vantagens sobre conquistas amorosas ou mentiras de momento. O mais idoso voltara recentemente de Portugal. Contou ter alugado um carro e foi visitar parentes em outro país. “Fui somente à França, estrada direta, não passei por nenhum outro lugar. Imaginem vocês que Paris tem praias (?) mais bonitas que as do Rio de Janeiro.” E daí em diante blá-blá-blá. ELA fez sinais des esperados para o marido que “adivinhou” bomba fatal a caminho, fingiu não ver e não chegou perto. “Covarde!” - ELA pensou. Assim que as amigas deram oportunidade, ELA se juntou ao grupo masculino. Perigo à vista quando mulher sorri doce e fala perto de baixinho. “Ah, o senhor não foi à Espanha? Não visitou *El Escorial (falou isto na certeza de que ele nem sabia do que se tratava)?” “Não!!!” “Ah, então deve ter colocado o carro numa balsa navegando pelo mar Mediterrâneo porque Portugal não faz fronteira com a França... nunca fez, nem mesmo nos tempos dos mouros. Praias em Paris? A capital não é mais no centro da Fr ança?” A princípio, os ouvintes se assustaram, logo apoiaram o pseudo-atrevimento com sonoras gargalhadas, marido e mais dois assumindo na hora não terem lembrado o mapa da Península Ibérica e, distraído, apenas um ter pensado (!) no festival de cinema em Cannes, à beira-mar. O homem tentou emendar o assunto, mas não teve mais jeito, estava perdida a “rima não camoniana”.............. - - - - - EU não sei se gosto muito e respeito bastante esta minha AMIGA ou se tenho medo daquilo que possa me dizer com a maior sinceridade do mundo!!! NOTAS E PESQUISAS DO AUTOR: FORMIGOS (ELA ensinou espontaneamente, certo?) - Doce regional natalino. Pão dormido picado, ferver em calda de água, açúcar, mel, canela em pau, casca de limão, sal, mexer com colher de pau até dissolver, esfriar levemente, juntar ovos batidos, vinho do Porto, nozes picadas, passas, repassar no fogo, depois pirex molhado, polvilhar canela em pó. (E acrescentou: “Pudim de pão metido à besta, e eu não sei?” Existe algo que ELA não sabe? Ah, a ciência do Direito!) CATUMBI - Em tupi, “a folha azul”. Ciganos desde 1718 no Rio de Janeiro, espalhados entre o centro da cidade e bairros próximos, trabalhando em 1830 como meirinhos (oficiais de justiça) no Foro da cidade. Os de Catumbi, ciganos de origem russa, surgiram no início do século XX. EL ESCORIAL - Grande complexo que inclui palácio, monastério, museu e biblioteca, a 45kh de Madri. Mandado construir pelo rei Filipe II da Espanha, a partir de 1563, obra somente concluída em 1584; declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1984. F I M
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Comentários dos leitores

Muito difícil nas suas narrativas saber o que é verdade ou o que é ficção literária. Verdade, sim, o doce "formigos" cuja receita eu ensinei e até solteiro sozinho pode fazer - comer quente ou gelado, com sorvete de creme.

Postado por lucia maria em 03-11-2012

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