Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


ELA VAI ME ACEITAR DE VOLTA?



					    
RUBEMAR ALVES Mil e uma utilidades, cama e travesseiro também inspiram sonhos. Segunda-feira, cheguei em casa mais cedo, apenas uma aula noturna, deitei às nove e meia após digitar boa noite para uma amiga carioca em crise existencial, tadinha. Com ela é tudo 1-2-3 (minutos, horas, dias), de breve cura. Mais um pouco, e estará mais calma. Pura “inocência e ternura” - os “outros” é que a irritam. Na verdade, cabeça excessivamente intelectual, compatível com uma única pessoa no Planeta, é o que ELA diz. Vaidoso, mando orquídea lilás. Agradece, mas não chora. Acordei às quatro horas, horário de verão no Sudeste, o céu demoraria muito a clarear. Havia resposta do meu curto e-mail e ELA descrevia um aniversário infantil, forçada a comparecer na noite de sábado, porque EU, um tanto misantropo, daí péssimo conselheiro, digo sempre que “socializar é importante”. Até que a rebelde me aceita, desde que minha opinião coincida ‘mil-por-cento’ (é astuciosa até em matemática, vejam) com a dela, cuja filosofia muitas vezes é fazer exatamente ao contrário o que lhe for sugerido, desconfiada eterna da intenção alheia. Odeia a expressão “Se eu fosse você...” - dúbia, bipolaríssima, amou os dois filmes. EU iria fazer café, moro sozinho, a pia com algum acúmulo de louça ‘amanhã-eu- lavo’, desisti, comi um último pedacinho de queijo branco, voltei ao quarto... deitei apenas para descansar as costas em minutos, dormi e acabei... sonhando. Fui ao Rio de Janeiro conhecê-la. EU remoçara absurdamente, me sentia ao máximo com 25 anos e usava uma calça jeans azul clara. Não lembro os rostos, os trajes por certo caseiros, mas o ambiente era uma sala com móveis simples, existiam, apenas não vi direito, presentes o pai, a mãe e ELA. Não sei o rosto, embora voltada de frente para mim, jovem, cabelos castanhos escuros vagamente cacheados até os ombros. Conversamos em família assuntos monótonos sobre estrada (ué, mas viajei de avião!), futebol e trabalho, recusei cerveja, tudo estava demasiado formal e “adul to”. Propus um passeio na rua. Domingo (no sonho, preocupação nenhuma com mala e hospedagem, muito embora EU visitante de uma cidade do interior paulista e a casa me pareceu pequena), não muito tarde, saímos andando de mãos dadas, não sei se momentaneamente tímidos, mas calados, incrível diferença de altura, ELA (a verdadeira em e-mail) sempre me chamou de Gigante, EU estranhamente em paz na estorinha do sonho. Embora macho convicto e Ariano, o galã aqui não ousou um beijo, nem pensei nisto. Não quero lembrar minha realidade humana aos 25; no sonho, personagem onírico, EU estava começando a sonhar a vida... Do nada, surgiu uma prima dela a nosso lado, uns quinze anos mais velha, tipo ‘vou- tomar-conta’, sem falar nada, e essa inesperada presença me irritou. Sou impulsivo e atitudes precipitadas são comigo mesmo. O encantamento diminuiu súbito e improvisei uma briga ilógica. “Ah, que enjoada! VOCÊ fala sempre a mesma coisa!!!” A coitada da quase namorada caladinha. Saí andando em passos largos, poucas pessoas pela rua, olhei para trás e a vi sozinha a enorme distância, a figura da vigilante de namoro desaparecera, ELA andando e olhando para os lados, claro que me procurando. Arrependimento em meio segundo, mas ‘carneiro’ (do signo de fogo) não recua nunca. Assumo que sofri. Virei uma esquina e... me perdi na multidão. Não foi bem assim. Rua cheia de gente, ou seja, as duas calçadas lotadíssimas de adultos e crianças. Todos parados. Perguntei. Um encontro religioso, mas eu não vi padre ou pastor - eram só pessoas assistindo... o quê? Tentei sair do local, uma música vinha possivelmente pelo espaço, porque não vi instrumento musical nenhum. Reconheci AVE MARIA, de GOUNOD, cantada em latim pelo ANDREA BOCELLI, italiano, que é cantor, compositor e advogado, embora tenha perdido inteiramente a visão ainda garoto. É a m úsica dos casamentos e das 18 horas em certas emissoras de rádio. Está bem, é sonho, e por isso mesmo só a mim a música atingia. Lutei para sair do local, devo ter empurrado pessoas, muita gente de um lado e outro, a rua sem carro, nenhum transeunte, nada. Incrível assistência nas calçadas. Senti uma angústia muito grande, EU apenas sabia o nome do bairro, desmemorizei o endereço de minha amiga e não tinha como voltar: para a casa e para a amizade. Outra filosofia (lembrei até no sonho, pode?): ELA não pede desculpas, não aceita pedido de desculpas e, se for algo muito grave, não perdoa ninguém de nada nunca. Um paulista perdido num subúrbio desconhecido no Rio de Janeiro. (Ela nasceu e residiu até 16 anos no centro da cidade... Bom, depois é a tristeza do depois, sem retorno, cada vez bairro mais distante.) Acordei transpirando muito, braços fora da cama como quem tenta abrir caminho na multidão. Ou abraçá-la?! Não posso contar este sonho para minha amiga longínqua. Se ELA rir, tomando como sonho que virou conto, irá se sentir feliz em ter outra vez vinte anos. E se ELA se aborrecer, na pele da jovem que namorei por poucas horas, não beijei, de quem fugi após uma grosseria idiota e por castigo imediato me perdi na multidão? Geminiana braba, guerreira valente como Joana D’Arc (queimada como bruxa e séculos depois virou padroeira da França), vingativinha sem comparação. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2012
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 511 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

AVE MARIA de GOUNOD, índice de casamento... Por isso é que você fugiu de novo ? Cuidado com esta (assim como eu), filha de Joana D'Arc, carneiro Ariano acaba virando passarinho engaiolado!

Postado por lucia maria em 06-11-2012

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.