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MARIA LUA E MARIA PRATA



					    
RUBEMAR ALVES Lua de mel curta, uma só noite de amor, lua cheia, e logo que amanheceu o marido viajou para a Europa. Guerra feia. (E tem guerra bonita?) Nunca mais voltou. Nasceram muito brancas, iguaizinhas, em outra noite de lua cheia, igualzinha. Uma mulher desconhecida (uma fada?) apareceu e abençoou-as, dizendo que teriam uma grande missão a cumprir em favor de toda a cidadezinha. Cresceram. A lenda do lobisomem, ih... vem desde a *Grécia Antiga, depois toda a Europa no século XVI, especialmente em Portugal e na Galiza, quando os grandes viajantes e descobridores de novas terras contavam lendas de criaturas terríveis vivendo em regiões estranhas, ainda bem que lá longe... No corpo, grandalhão e muito peludo, traços de ser humano e de lobo. Diziam que este ser maléfico fôra mordido por um lobo em noite de lua cheia; se mordesse alguém, esta pessoa teria o mesmo destino. No sertão do Brasil, outras versões (porque aqui os lobos não viviam às soltas, nas ruas, mordendo todo mundo): sétimo filho homem após seis do mesmo sexo ou mesmo meninas; ou o não batizado viraria lobisomem na idade adulta. ELE era as duas coisas – menino após Ana, Beatriz, Célia, Deusa, Ester e Fabíola. Nome em G? Não. A instrução dos pais não ia além de seis letras. Escolheram Lupolino, sabe lá Deus porquê... Padres vinham, padres iam, nenhum se fixando por muito tempo na cidadezinha. Quando se espalhava o boato em dias, e as pessoas da lavoura vinham chegando, igreja vazia, padre já tinha ido embora. Nem casamento nem batizado. Caravana voltava para a roça. Certa vez apareceu um padre moço e sorridente - muito bonito, alto, olhos verdes, de camisolão marrom, cordão branco na cintura e sandálias abrutalhadas. E vieram muitas outras pessoas junto com ele. Falavam alto, faziam perguntas, tomavam banho de cachoeira (padre quase nu, cueca preta), dormiam em caminhões cobertos de lona azul escuro. Os pais insistiram muito, padre não queria, ofereceram presentes, padre como que desinteressado, ofertas iam ficando maiores, por fim aceitou batizar o menino ali mesmo, num riacho, recebendo em troca dois bolos de fubá, cinco rapaduras e um garrafão de vinho... para muitos meses de missa. Não valeu. Descobriu-se depois filmagem de cinema em pleno sertão, ali no oeste de Minas Gerais. Fez sete anos, sem a água benta e o sal. Por fim, já ELE próprio não queria mais. “Minha madrinha de devoção é Nossa Senhora e me basta!” Cresceu. Gostava de comida salgada ou muito picante, depois era uma sede só, sem medida. Andava devagar, sempre bocejando, numa fraqueza de Deus-me-livre, magro, pálido, amarelão, dores na barriga dia sim e no outro também. (Muitos outros “lobisomens” ali, provavelmente.) À noite, saía em segredo. (Vergonha que soubessem estar aprendendo a ler, escrever e contar, numa fazenda distante – ia a cavalo.) De volta para casa, uma semana no mês dormia toda noite ao relento pois a Lua Cheia era sua ‘outra’ madrinha e para ELA rezava também. Queria uma namorada, uma mulher para a rede. Passou ali uma tal de “caravana da saúde” e os médicos aconselharam em vão que não andassem descalços e vigiassem que as crianças não comessem terra, contaminada por ‘bichinhos’ (falando assim, todo muito entendia). Gente teimosa e de ouvidos tapados! Em todo caso, deixaram amostras de fortificantes com ferro e remédio contra vermes – ensinaram as doses, deram papel, encarregaram um carroceiro de ir todo mês ao posto trazer pacotes para todos. Sempre correra boato de Lupo (nome encurtado, Lino já era o pai) ser lobisomem. Pior! Maldição só terminaria se fosse atingido por uma bala de prata ou um objeto de ponta aguda, do mesmo material. E aquela gente lá possuía esta riqueza? Nem família nem vizinhos. Uma mulher desconhecida, ou vagamente lembrada de uns vinte anos antes, surgiu do nada, pediu abrigo - “Serve mesmo na cocheira!” -, jogou no chão umas pedrinhas brilhantes e esclareceu a todos que ELE deveria casar às pressas, com uma virgem de pele muito branca, arranjassem depressinha a tal moça, ainda nesta semana de lua minguante: acabar logo com o encantamento. Evitando que tivesse uma recaída, que casasse logo com duas de uma vez. Fácil. Duas apaixonadas desde garotinhas, aceitando partilhar o mesmo marido, uma batizaria os filhos da outra... O padre, agora de verdade, recusou-se a casá-los, a três. “Sumo pecado!” Mas, sob a ameaça de um trabuco antigo, casou ELE com a primeira, de assinar papel, ordem alfabética, MARIA LUA, depois com a segunda, MARIA PRATA, de dar bênção, ambas vestidas de noiva. Matou-se um porco grande, muito vinho para os convidados, sanfona tocando, povo dançando... de lado, num grande tonel vazio, as botinas e os chinelos de borracha de toda aquela gente. Pé no chão, dança-se muito melhor! Deitaram-se. ELE com uma, a outra teria que esperar. Aprenderam na hora por instinto, ELE fez o que tinha que fazer (ELA meio tímida, mas gostou!), sentiu uma dor aguda no peito, como se espetado com arame fino. Bom, essa já era mulher dele! Veio a outra, deitaram-se, ELE agora com certa prática, fez o que tinha que fazer (ELA também gostou!), era como se o tivessem espetado agora na barriga. Já uma segunda mulher dele! Curou-se agora totalmente. *Lobisomem - raiz na mitologia grega: licantropo - lycos (lobo) + anthropos (homem). F I M
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Comentários dos leitores

Gente, que folclore lindo! Como é que um homem do Estado de São Paulo, cidade grande, conhece essas coisas todas sem ido lá? Ou você viveu parecidinho? Quantas Marias ao mesmo tempo?! Não euzinha.

Postado por lucia maria em 17-11-2012

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