Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio Autores & Leitores

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


SENHOR BRITO DE BELÉM



					    
RUBEMAR ALVES Junho, tempo de festejos. No Sudeste, dia dos namorados, porém no Norte é a véspera de SANTO ANTÔNIO, o casamenteiro. Cidade do interior. ELE foi-se chegando devagar na festa de rua como vindo de Belém: “Meu nome de família é BRITO...” Recebido logo na entrada com um copo de açaí, o suco mais famoso da região. O traje era interessante – todo de branco, de cima até o chão, arremedo de terno um tanto rústico, mal cortado e costurado, calça larga do tipo assim ‘o-defunto-era- maior’, disfarçada com cinto artesanal, de couro endurecido de peixe, mesma cor. Elegância rude, mas aparência boa. Na cabeça, sob chapéu de palha, aba larga, um pano cor-de-rosa, cor típica feminina, algumas pessoas riram e indagaram, mas ELE explicou descendência cigana: “Cor da minha tribo.” Ahn! Fim do estranhamento. Nariz um tanto grande em rosto simpático. Curiosamente, pés descalços. “Vim nadando ao longo do rio, um peixe grande me alcançou e devorou meus sapatos”. (Os dois? E como a roupa está seca e limpa, nada barrenta?) Tinha pequena oficina: consertava rádios e telefones. Atirou-se logo no carimbó que dançou brilhantemente, inclusive quando foi empurrado para dentro da roda, a dama estendeu um lenço no chão e ELE apanhou com a boca. Muito aplaudido. As moças solteiras logo o apelidaram de CIGANO. Seduziu uma a uma, separadamente, é claro. Levou para a margem do rio, não usou de violência alguma, alguns beijos e a primeira cedeu fácil. Sumia para aquela, parecia mergulhar na água barrenta do rio, pegava logo outra. Três grávidas solteiras. Dizem delas - “Foi o boto!” Perto da capital. ELE se apresentou na portaria do clube como SENHOR BRITO: “Vim de Belém...” Foi aceito com todas as honras, intitulou-se convidado de Maria de Fátima, diretora do departamento de arte e cultura , ELA ausente naquela semana: constantes viagens ao longo do país, cantando. Deram-lhe imediatamente um copo de fermentado de buriti, uma espécie de vinho da Amazônia. Terno branco em corte de alfaiate caro, elegância extrema, chapéu de palha, aba larga. No bolsinho perto do ombro, perfumado cravo cor-de-rosa, cor típica feminina, algumas pessoas riram e indagaram, mas ELE explicou estar vindo da formatura de uma sobrinha: “Cor da faculdade.” Ahn! Entenderam certinho. Rosto simpático, nariz um tanto avantajado. Curiosamente, calçava tênis prateado, de um material exótico parecendo pele seca de peixe de rio, provavelmente pirarucu, tingindo industrialmente. Engenheiro eletrônico: trabalhava com radares e sonares. Dançou todos os ritmos, clássicos e modernos, executados pela orquestra contratada em São Paulo para o elegante baile de cinqüentenário do clube. As moças solteiras logo o apelidaram de DOUTOR SONAR. Seduziu uma a uma, separadamente, é claro. Casal na beira do rio, violência nenhuma, alguns beijos e sexo imediato. Sumia para uma, que o via mergulhar na água barrenta do rio, logo repetia com outra. Três grávidas solteiras. Dizem delas - “Foi o boto!” Capital do Estado. Minha primeira viagem ao Norte do país. A serviço. No hotel, falaram tanto de um baile no mais importante clube local que acabei comprando convite a preço popularíssimo. Por acaso me vesti todo de branco - calça jeans e camisa social -, última roupa limpa que trouxera de São Paulo. Tratava-se de um baile folclórico, exigiam que todos os homens usassem um chapéu vendido na portaria do clube (caro, certamente para compensar a promoção do convite barato até demais!): palha, aba larga. Trago sempre uma corda (mussurana em língua indígena) não muito grossa em meu carro. Mil utilidades. Já salvei um quase afogado numa enchente, já amarrei um louco num poste esperando ambulância, amarrei geladeira direta da loja para casa. Bom, sou discreto, educado, falsamente tímido nos primeiros minutos, mas nada bobo. Não seduzi, mas “acho que” encantei e conquistei na festa a morena IÁRA, descendente de tupinambás com o desbravador branco e foi ELA quem me ensinou em poucas horas de tagarelice... útil: os antepassados amarravam inimigo com a tal corda, depois o matavam e toda a tribo praticava antropofagia (constatado pelo pesquisador alemão Hans Staden, por volta de 1550). Sugeriu caminharmos até a beira do rio, há uma pracinha com bancos, espiamos por cima da mureta a água - barrenta de dia, totalmente escura na madrugada. Alguns beijos sensuais e ELA pediu - “Me amarre!” Amarrei num poste na calçada escura e deserta. “Agora me ame!” Entendi, em pé não deu jeito, desamarrei, deitamos no cimentado e nos amamos mutuamente... num significado outro que não do canibalismo. Depois, mergulhamos na água, inteiramente nus. E repetimos com grande prazer a moderna antropofagia. Pensando bem, ELA me seduziu. Enfim, a minha solteirice acabou. A natureza não permitiu que eu ficasse “grávido” naquela noite de sedução, encantamento e magia. ELA produz artesanato estilo marajoara, não quer sair de Belém, EU não tenho como deixar a minha cidade, e vivemos agora um amor semanal de ponte aérea Norte / Sudeste. Não existe boto feminino, mas da sereia brasileira homem nenhum escapa, fica afogado para sempre. Sempre? De repente, sei lá, EU e a aeromoça podemos cair de paraquedas numa ilha deserta e........ F I M
Copyright ATHINGANOI © 2012
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 591 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

O Brasil inteiro conhece a Maria de FÁtima (de Belém) citada e ela possivelmente gostará de ler este conto. Quanto a cair numa ilha deserta com a aeromoça, pode ser perigoso para você..............

Postado por lucia maria em 17-11-2012

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.