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CAFEOMANCIA: O ORÁCULO INTERROMPIDO



					    
RUBEMAR ALVES Há expressões e frases que se universalizam muito além dos poucos 70 anos de “...início de uma bela amizade” - aqui filme CASABLANCA, 1942. “Há muito mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha (ou imagina?) a nossa vã filosofia” - aqui, WILLIAM SHAKESPEARE, tragédia HAMLET, escrita entre 1599 e 1601. Há muitos anos ocorreu um fato curioso. Uma moça da minha família teve um namorado, filho de estrangeiros que passaram pelo Estado de São Paulo, estabelecidos depois no sul do Brasil desde a segunda metade dos anos 30. Verdade tradicional ou não, exigia que ela só o acompanhasse após ele ter caminhado cinco passos. Dizia que onde os pais nasceram, os casais faziam assim e mulher alguma jamais se exaltava. Certa vez, centro da cidade, ele entrou numa sapataria cheíssima, ela esperou os tais cinco passos, ele demorou e saiu sem ter feito compra alguma, ela entrara minutos antes, saiu, ele entrou, saiu, ela entrou , saiu, total desencontro, voltaram para a casa dela, subúrbio bem longínquo, ônibus diferentes... Com meses de namoro, ele se intitulava noivo e procedia inúmeras vezes como quase “proprietário” de uma boneca sem vontade própria. Certa vez, num almoço a que ele compareceu como fotógrafo amador, um rapaz imaginou serem irmãos, ela muito clara e de olhos apertados, o pseudo rival levou um golpe de judô, depois um soco, foi parar à distância - a custo, tiveram que convencer a pobre vítima a ir para casa... ou a festa não seria retratada. Em ambiente coletivo, ela conversando alegre, mesmo no círculo feminino, de repente ele a segurava pelo braço, dizia que “ela” estava muito cansada, “você-já-falou-demais-hoje-e-está- com-muito-sono”. Sono coisa nenhuma, porém ela interpretava aqu i lo como amor. Um dia ele a despachou por telefone. “Há muita rebeldia em você que eu não tolero.” (Que rebeldia?) Há sempre nas relações familiares ou de amizade uma curiosa de ADIVINHAÇÕES e assim esta minha parenta acompanhou uma outra que iria efetivamente consultar uma CARTOMANTE. Ficou de lado, assistindo pela primeira vez na vida leitura de CARTAS DE BARALHO CIGANO com figuras coloridas dentro de um pandeiro, em paralelo com JOGO DE BÚZIOS sobre uma peneira de palha. A mulher interrogava ambos quase ao mesmo tempo. A prima só dizia “sim,sim”... a CIGANA deveria estar acertando. Acabada a consulta, a mulher voltou-se para ela e disse que nada cobraria. Aceitou, sem grande interesse. “Há quanto tempo você está sem namorado?” “Há seis meses.” “Há um homem sério no seu caminho... Namoro curto. Para casar.” Aí a mulher descreveu um homem de farda branca, do mar, nascido em outro Estado, mas não sabia qual era, cerca de dez anos mais velho que ela, muito mais vivido... O anterior era da farda verde, nascera num Estado e se criara em outro, três anos mais velho, a consulente apenas pensou, sem falar; a CARTOMANTE foi certeira: “Não é este não, será outro... Não é a gora. Vai demorar um pouco, ainda.” - - - - - Era bastante jovem, muitos caminhos pela frente. Arrumou um emprego onde amadureceu, aprendeu a ser mais adulta, mais segura de si. Trabalhou em outros ambientes, sempre escritórios. Teve outros namoros sem compromisso prolongado. Era requisitada para contar estórias em festas infantis e hospitais. Aprendera em criança e amava alterar alguns contos de fada, a garotada tentando corrigir e ela dizia que não, porque a brincadeira era usar de criatividade, sempre. “Era uma vez um príncipe-sapo que montava um enorme cavalo-marinho branco e mergulhavam juntos no mar...” Era uma vez? Conheceu um cavalheiro da farda branca, do mar, sotaque nordestino, a princípio ela não lembrou, mas pouco a pouco foi memorizando detalhes da salinha de ADIVINHAÇÕES (numa prateleira, SANTA SARA KALI, CIGANA) e o que tinha sido previsto como DESTINO quase quinze anos antes. Casaram rapidinho - três meses depois. - - - - - Ouvi essa estória com a minha incredulidade característica de sempre: “Nada mais que coincidência!” Entrei num botequim tipo pé-sujo e pedi apenas um CAFEZINHO, percebi uma senhora que se aproximava de várias pessoas no balcão, sorriam para ela, gesto negativo com a cabeça, viravam-lhe as costas. Imaginei ser uma incomodativa pedinte, embora com bom aspecto - uma saia estampada com desenhos assimétricos multicoloridos, blusa branca, lenço cobrindo parte dos cabelos grisalhos. Ouvi quando se dirigiu a mim: “Moço bonito...” Pensei em dizer que eu não era o “turco” Nacib, personagem simpático de recente telenovela (ele corrigia sempre: “nascido na Síria, criado no Brasil”), mas engoli a piada que ela poderia tomar por deboche agressivo. Tenho certos impulsos, porém sou educado e respeitoso, em especial com o sexo feminino. Apresentou-se como TURCA da Capadócia, terra de SÃO JORGE GUERREIRO. Perguntou se eu acreditava em CAFEOMANCIA, técnica de origem árabe que consiste na LEITURA DO FUTURO através da BORRA DO CAFÉ. Explicou que o ambiente não era muito propício, sem o perfume de um incenso, muita gente falando ao redor, e não me cobraria nada. Sou literato, contista, aceitei somente pela curiosidade... “profissional”. Ouvi e segui as orientações: xícara branca (a tradicional de botequim popular), três colheres de sobremesa de CAFÉ (garçom por acaso já trouxera a exata mistura pronta de água quente, CAFÉ e açúcar), eu deveria cobrir com o pires, mentalizar a pergunta desejada, tomar o CAFÉ e entregar a xícara para ela. Não agüentei, ri sem escândalo e solicitei para me falar do PASSADO, só assim eu acreditaria, permitindo que me antevisse o futuro. Ouvi sobre a existência de quatro crianças, eu era o mais velho, dominador e agia como líder (engoli em seco); fui trabalhar muito jovem, eu aparecia arrumando pacotes e em seguida carregava tudo numa bicicleta (misturei pigarro e uma improvisada tosse). Ela deu um pulo maior na estória, falou de impulsividade e da minha ânsia de progresso e liberdade, falou de meu forte amor não correspondido, separação e retorno à liberdade, agora sem compromisso algum durante muitos anos (gelei totalmente nesta hora). Angústia. Coração apertado. “Acabarei a vida sozinho? Não houve tempo a que ela respondesse. Ouvi uma voz vacilante de bêbado, em cantoria: *“Hoje eu preciso tomar CAFÉ, ouvindo você suspirar...” Avançou na xicarazinha vazia, a mulher lutou, caíram ao chão a ADIVINHADORA, o bêbado e o objeto: quebrou-se o encanto! --------------------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *Música SÓ HOJE - JOTA QUEST. F I M
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Comentários dos leitores

Tenho hoje um amigo agnóstico, descrente de tudo, mas eu sei que nos cruzamos em dias anteriores. Nesta vida, o futuro é uma incógnita - não gosto de números...

Postado por lucia maria em 17-11-2012

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