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VINGANÇA



					    
(Conversa com uma mulher estranha, durante uma longa viagem. Ficção ou meras coincidências?) RUBEMAR ALVES Estória, como se diz, “mais velha que o mundo” e que se repete todos os dias ao redor do planeta. No presente: Presente 1 - Em abril de 2010, ELA precisou fazer uma pesquisa honesta, só que não acertou o site específico – pediu ajuda ao dono do computador que talvez não tenha escutado e foi para longe da sala. Tempo de espera e ficou ‘brincando’. Por uma destas inexplicáveis tentações demoníacas, arriscou por acaso o nome de uma pessoa de trinta e seis passados. E não é que achou num inesperado blog? Imprimiu a página e guardou. Um mês depois, resolveu arriscar com um recado – “Lembra de mim?” E colocou os anos em que se encontraram no Rio de Janeiro: 1971 – 1974. Por acaso (ah, estes acasos!...), ELE respondeu na véspera do aniversário dela, pedindo o número do telefone. ELA mandou, saiu publicado a vista de qualquer pessoa. Logo cedo ELE telefonou. Custou a dizer “Parabéns!” – ELA forçou que lembrasse a data, ‘amorosa-saudosa-gentilíssima’. ELE se disse divorciado pela segunda vez, resmungou dois filhos (de qual casamento?), ELA viúva, sem filhos “do marido”, esclareceu bem. Português, saíra da África em meados de 1975, época da descolonização, e montara o mesmo tipo de comércio agora em Lisboa, fotografia; ELE propôs troca de e-mails e todas as manhãs chegava às cinco horas um bom dia para ELA ao abrir a loja às nove, lá em Portugal. Vingança (de imediato, ELA ainda não sabia o que planejar) no prazo de seis meses! Toda mulher é geralmente intuitiva e sempre maquiavélica. No passado: Passado 1 - Trocaram cartas, fotos e postais, entre outubro de 1970 e agosto de 1971. Dizia-se divorciado, para ELA uma palavra como outra qualquer, sem maior interesse ou preocupação. País muito longe. As cartas dele iam se tornando um tanto audaciosas, até oferecia dinheiro para (escrevia) “muitos jogos sexuais”. ELA respondeu defensiva e ao mesmo tempo grosseira: “Brasil não é o paraíso sexual que o planeta imagina”. ELE retratou-se em desculpas – reabilitou-o. Antes não o tivesse feito. Como “mais vale um namorado no Rio do que um em suspense do outro lado do Atlântico” (eroticamente, o português escrevia “o mesmo oceano que banha nossos corpos” – não sabia que ela não freqüentava praia), outro e ela se encantaram. A pedido dele, um bom tempo antes enviara cartão de um hotel no centro da cidade, pertíssimo da faculdade, achou que o luso nunca viria ao Brasil, não marcou data certinha, mas veio! Agosto. Táxi direto do aeroporto, final do sábado, encontrou-a na porta de casa com o outro, não entendeu lá muito bem, retirou-se, telegrama para a moça domingo. Na segunda-feira, ELA chegou a tempo do café da manhã antes das aulas, ganhou um livro, uma boneca típica e um pacote de queijadinhas. Não exatamente se penitenciou, mas explicou sobre o namorado carioca; estudava pela manhã, trabalhava num escritório à tarde, não o acompanhou em turismo nesta primeira vinda ao Rio, ao Brasil. Etapa encerrada. Fim dos contatos. Passado 2 - Três anos mais tarde, novamente agosto. Telegrama, mesmo hotel, ELA na época descompromissada de amor, finalzinho de Letras, oitavo período, foi-lhe ao encontro. Era outro emprego, mas foram possíveis alguns passeios. Poucos dias entre jantares, teatro de vedetes (bem ao gosto lusitano), fotos somente dela no Corcovado, futebol no Maracanã, e a falar francamente duas transas monótonas, muito mal feitas, fraquíssimas, indigestas, quase sonolentas em que mulher finge mesmo... por piedade. (Nossa, renegou Camões, e os Pedros da Inês de Castro e da Domitila!) ELE fez mentirosíssimas declarações de amor, mandaria a passagem de avião etc. etc. etc. ELA percebeu a cretinice, não valia a pena contestar. África, ELA? Jamais! Nunca abandonaria os pais, no Rio de Janeiro, que idéia! Enviou somente as fotos reveladas, um mini bilhetinho insignificante, e, aproveitando a (feliz) oportunidade das guerras africanas, silenciou. Em exatos dez dias do retorno dele ainda a Angola, a moça conheceu outro - brasileiro, decente, honesto, vibrante - e em três meses casaram. No presente: Presente 2 - ELE arranjou caixa postal para cartas, somente dela. Negou bairro residencial, da loja, número de telefone fixo, móvel (celular), tudo... É, ELE esqueceu que hoje se usa a Internet........ ELA, grande pesquisadora, ah, mapas de Lisboa! Ao telefone, ELA declarou uma surpresa; em carta, ELE a teria deixado grávida, o filho já com 35 anos, “igualzinho a você” - no rosto, professor de educação física (ELE sempre jogara futebol como recreação), vascaíno (ELA flamenguista cruzou os dedos nas costas ao escrever isto), e ELE morreria talvez bem velhinho sem jamais saber a verdade. E ficaram assim, entre telefonemas, somente dele, e e-mails de ambos. ELE telefonava muito... Às vezes ELA confirmava, às vezes negava o tal filho. Ora, para quem tinha sido repórter jornalístico amador, como e por que na atualidade curtíssimos e-mails, raramente num máximo de cinco linhas? Em anônima ligação internacional vinda de fora, informação juramentada (“pela Virgem de Fátima!”), ELA soube de uma grave doença cerebral, inoperável, conseqüências gravíssimas ou morte instantânea a milímetros na falha de um bisturi – possível apenas tratamento, ainda assim no exterior, ELE incapacitado para leitura ou escritas longas (confere), pensamento fugia em fortíssimas dores de cabeça – desmaiava. Abria a loja (confere, hora do bom dia), olhava ao redor, dava ordens, cansava-se fácil, ia assustado para casa, uma vez ou outra retornava bem ao finalzinho d o expediente (confere, hora dos telefonemas). A pessoa se dizia “amigo dele”, mais nada - para uso futuro, anotara telefone dela no tal blog, ao final de maio (tudo confere)... Meados de novembro. Sim, em um mês inteiro, já dezembro, fora de Portugal, ELE telefonou dez vezes para ELA, voz segura fingindo turismo, em época de grande nevasca parando Europa e Estados Unidos na mesmíssima ocasião. Que turismo nada, porém ELA não podia revelar demais e o tratava amigavelmente. Esperou serena que ELE voltasse para casa, já quase oito meses do reencontro. Início de janeiro de 2011. (Essa estória não tem mais fim, não se acaba nunca? Só rindo, mesmo.) Escreveu-lhe quatro e-mails grandes: o filho carioca existe mesmo a reclamar uma futura e breve partilha? embargo de espólio? - que agora o soubera jamais divorciado, primeiro filho com cerca de três anos quando viera ao Rio na primeira vez - que vira ao computador foto dele recente em anual reencontro de portugueses brancos retornados da África, num clube de campo lisboeta, com a mesmíssima primeira e única esposa (havia legenda) - que descobrira também des de os primeiros dias do reencontro endereço e telefone da loja de fotografias, em rua paralela ao correio da caixa postal (ELE dizia que era “muito longe”, tinha que ir de carro buscar as cartas dela...) - e mais, houve um segundo telefonema informativo, dizendo que no tal tratamento de saúde em outro país se fizera acompanhar da mulher e de um dos filhos, ávidos de descobrirem secretas contas bancárias... Credo! ELE ironizou num último recado: “Recebi quatro e-mails. Beijinhos.” ELA “pinguepongueou” - mais três e-mails complementares. Levantou dúvidas: alguém teria sido pago (e por quem?) para telefonar de Lisboa com informações íntimas? E qual amigo/inimigo seria este? Contou também e principalmente dos planejados seis meses, até ultrapassados. Pouco mais tarde publicou em aberto: “Melhorou da hidrocefalia?” E a brasileira venceu o jogo! F I M .
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Comentários dos leitores

Se é novela, grande ficção! Se é verdade, grande confidência! Em você, ATHINGANOI querido, eu jamais irei distinguir o real do irreal.

Postado por lucia maria em 19-11-2012

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