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LÚCIA É LUZ VII



					    
RUBEMAR ALVES Todo mundo tem seus dias de mau humor, de irritação, em que se quer distância de tudo e de todos. "Estou em crise, tá? Cabeça a mil e até arritmia. Vontade de:1 - fazer picadinho de suas palavras sofisticadas, de pirraça não vou ao dicionário, frases em inglês avançado, alemão ou latim;2 - estrangular as mulheres que só vêm aqui ao escritório explorar pensão de marido bocó;3 - sumir... E tenho que sorrir amável para clientes, servir café, oferecer biscoito. Eu, Lúcia-onça alugada em Lúcia-manso cordeirinho de presépio." Não fica furiosa todo dia, toda hora... só 365 dias por ano. Um beijo a acalma. Pedira para reduzir a quantidade de cartinhas, não dava conta de imprimir sem atraso. Toda nossa correspondência em dois sacos plásticos, na cama - dormiu por cima, luz acesa a noite inteira. Voltei ao formalismo em carta quase comercial, não fosse o tema romântico: "Minha muito amada ratinha corujinha LÚCIA3M: [...] Receba o agradecimento de um humilde enamorado distante pelos seus esforços e ações tendo em vista a manutenção de um relacionamento inusitado. Seus e-mails serão um documento único, eterno, inesquecível na história da minha vida. [...] Palavras não são suficientes para expressar...Blá-blá-blá. [...] Do seu respeitoso amigo íntimo, [...] Cordialmente, [...] RCA." Reclamou. "Ai, discurso gigantesco... Diminua sua paixão. Boa noite!" Contou. Fui citado como o amigo que às vezes escreve para ela certas palavras difíceis. Tio de quarenta e sete anos, também ariano, às gargalhadas com a família toda, falando o que o intelectual diz para uma mulher na cama: "Prezada senhora... com a devida vênia... se me der licença para introduzir..." e ainda termos científicos para várias partes do corpo. escreveu que mulher na horizontal prefere escutar 'p-t-nh- '... Argumentei que não sou assim. Fui com amigos a um evento social pelo Dia do Trabalho - criticou, escolheria confraternização pelo dia- de -não- fazer- nada. Joguei bilhar, não dancei. Eu poderia ficar emprestado, resistindo a tentações, desde que não voltando arranhado ou mordido. "Não contarei um a um os espermatozóides ausentes!!!" Sempre afirmei estarmos loucos um pelo outro sem que perguntasse a parte dela. Tive relacionamentos monótonos, impetuosos, e com toda esta pseudo-experiência não sei como classificar o atual momento. Mistério, enigma, incógnita. Bonequinha muda ela não era. Rejeitou meu poema pelo Dia das Mães: "...da minha perte, não senti emoção nenhuma." Na faculdade de Direito, uma professora e uma aluna um tanto oferecidas, em disputa cordial. Dei um jeito de contar. LÚCIA ensinou a oferecer carona, beijar em cumprimento, convidar para o sorvete, dar presentinhos de...1,99. "Se eu soubesse fazer mágica, sua faculdade era exclusivamente masculina. Galo onde canta, janta! Não devia ter me contado. Não sou ciumenta. Pergunte os signos. Você tem consciência que é charmoso, sedutor, tem lábia. NÃO QUERO SABER DE NADA." Descobri depois: geminianas. E me senti surrado, quase capado por três vingativas. Com o outono, dias menos quentes, achei que LÚCIA estava mais fria, distante, quase indiferente. Perguntou; esclareci problemas financeiros como sendo assuntos meus. Alertou que toda mulher deve trabalhar fora, mesmo casada - talvez ela almejasse até a presidência do país e eu não seria o vice. Dispensou e-mails antes das seis da manhã e perto da meia-noite. "Muito papel, depois!" Bom, passei a dormir um pouco mais. Nosso terceiro mês! Sugeriu para mim aulas de culinária - má fé, só podia ser. Explicou detalhes de um arroz de forno, falei de avião numa sexta à noite... Alegou que em sua casa o convidado lava a louça. Espaço para hospedagem, mas como me apresentar como namorado? Tem razão. Se o pai não aprovasse, "morreria de desgosto, iria ser monja budista, missionária no Congo (menina versátil) ou fugiria para Curitiba..." mas eu não moro lá. Sugeri deixar mala pronta atrás da porta, no quarto dela, 'sem porta'. "Vamos marcar a data?" Eu me garantindo na atração do contato físico. Disse que computador apagou sozinho a resposta dela, po-si-ti-va. Eu me iludi: dois dias contente. Em pesquisa para o jornal-mural, viu em mim qualidades de Dario I (conquistador da Babilônia) - "É o seu retrato: nasce do poder, morre do poder, usa de magnetismo absoluto, é o rei, o máximo, o tudo. Dario I seria ariano? Duas Barras pesadas." Tentou cantar a avó. "Vozinha do meu coração, o namorado da minha amiga tem... " Avó entendeu, prometeu não contar a ninguém, mas mostrou-se contra. "Namorado tem quase a idade da sogra! Não pode. E 'sua' amiga não tem nem vinte e um..." "Com ela é assim - ou minha advogada radical, com muita fé, ou promotora violenta que dispensa juri e me condena sozinha. Simulou contar nos dedos. "2011-44=1967. Era o tempo do Elvis Presley, dos hippies, de paz e amor... eu botava uma flor no cabelo, andava descalça..." Notei olhos molhados de nostalgia..." Em casa, Internet caía toda hora. Se auto-intitulava "offinha". Usava às escondidas o computador do escritório em lamúrias cômicas para as minhas noites. Que eu a tratava como criança... E ela era o quê? Hoje reflito: muito mais sensata do que eu. Espiava com visão e raciocínio 'de fora', friamente, nossa estória. (De amor?) Em certos domingos eu passava o dia todo lendo seus recados aflitos, curtia, só respondia à noite - pura maldade. Ela jurava fidelidade, mas que teria eternos dezesseis anos com desejo de ser astronauta. Confessava antes: compraria bombons e rosa me dizendo ser presente de um admirador. "Você resistiria à tentação de um ataque feminino? Uma desvairada que pedisse carona em horário tardio e o fizesse parar numa rua escura, oferecidinha?" "Sim, há as duas geminianas na faculdade onde leciono... Falando como homem viríl, hipoteticamente, se a mulher fosse apetecível, enlouquecedora e enlouquecida, discreta e sensual, talvez eu retribuísse o ataque... Sou feliz com você, ratinha miúda e baixinha, para quem guardo beijos molhados e exclusivos. Apenas não escreve que me ama também." "Eu teria horror se você resistisse... Não fez votos de castidade, que eu saiba. Não sou ciumenta, quem disse? Sou apenas meio braba, ainda assim raramente, só isto." Dias depois esclareceu. "Não sei até agora se amo você. Amor é uma palavra muito forte. Não houve ainda o contato ao vivo, necessário, mas minha paixão é o ATHINGANOI, o CIGANO meio doido, e gosto muito de RAGNAR." "Sou audacioso. Marque o nosso dia." "Nunca falei diretamente em você. Vencer obstáculos. Quase meia-noite. Vá dormir e não sonhe comigo hoje." LÚCIA é surpresa até para ela mesma. Entrou num posto de saúde apenas para uma informação casual. Uma mulher muito alta, de vestido colorido, ia saindo, LÚCIA igualzinha, como par de jarras de porcelana antiga, as duas olharam-se em choque, a enfermeira estava de costas, virou-se de repente com a seringa... Pronto! Eis LÚCIA- ratinha recebendo a vacina antigripal destinada a idosos. Ela riu, tensão acabou, todos fizeram coro, somente perguntou se havia dieta. "Bombom? Pizza? Abacaxi? Posso namorar?" À noite, li pacientemente doze e-mails longos em dia de escritório com rara clientela. "Ah, minha fiel ratinha, como está?" "Não estou apaixonada nem abraço travesseiro para dormir. Não penso em você o dia inteiro, talvez umas dezesseis horas... Nas outras horas eu durmo. Flerto com todo mundo e tenho até com quem trocar correspondência ao longo da madrugada... Deu carona hoje?" Era literária às vezes, embora um tanto às avessas. "Estou escrevendo um conto erótico. Pesado , tá? Uma fulana de vinte anos iniciando um garoto virgem de dezesseis. É assim. Pai viúvo recebia muitas mulheres em casa ( mãe morreu quando ela era muito pequena) que tentavam se estabelecer e mandar Luísa - você gostou do nome? Ai, ela tentou o pai, depois virou mulher dele e a vizinha chamou para iniciar dois clientes novinhos. Pensei o primeiro garoto meio atrapalhado e ela também. Não terminei o conto ainda." "Arghh... Não gostei." Carreira de escritora encerrada antes de começar. E quase de mãe. "Puxa, falei em Ricardo, você esbravejou, disse que exigiria DNA. Desisto." Assumo que eu brinquei pesado. CONTINUA...
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Comentários dos leitores

Anjinho, eu amo essa estória. Este é o capítulo VIII - corrija, por favor. Essa estória me encanta e tudo o mais que vem de você.

Postado por lucia maria em 09-12-2012

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