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LÚCIA É LUZ IX



					    
Em certa noite de sexta- feira, não pude escrever: computador enguiçara. Entrei em desespero, corri ao shopping, lan house fechada... Tive péssimo sono, acordei muitas vezes pensando que já havia amanhecido e constatava que ainda era madrugada. LÚCIA devia estar pensando horrores de mim. Excepcionalmente, trabalhei sábado o dia inteiro. Na segunda, não esperei pela assistência técnica – comprei outro computador. Não se importou. Eu “offinho”, ela “offinha” em represália. Não pensara nada errado a meu respeito, porque não é “nem um pouco desconfiada nem ciumenta”...Havia feito várias pesquisas sem pensar em nada especial. Adiantou até dezembro os jornais- murais. Listou vinte e seis admiradores de A a Z, com habilidades domésticas, escolhendo com quem casar. Avisei que estaria uma semana fora do país. Dispensou explicitamente o menor contato. Comprei mudas de roseira e de Hortência, e guardei sementes de uma fruta exótica para nossa futura casa. Não foi surpresa: “Lichia. Compro no mercado.” Recebi um estranho e-mail. Alegou depois ser para um tio conselheiro e me enviara por engano. Ahn... Falava de um forte pretendente com boas qualidades e intenção de casar, culto, que escrevia assiduamente para ela, “ao amanhecer e no final do dia”; sentia-se atraída, as fotos a deixavam encantada e hipnotizada, mas antes de tudo queria formar-se em Letras. Meditei sobre frase popular: “O amor é cego.” Pensei em Cupido atirando flechadas aleatórias. Para alguns, o amor cresce muito e em breve começa a murchar, para outros, se perde. Pode ter a duração de uma só noite e o mais cruel é o amor não correspondido. Achei que esta era minha especialização. “Certa ocasião você disse que era uma Wicca. Por acaso conhece algum feitiço para quebrar esta maldição?” Aniversário de vinte e um anos. Enviei gigantesco e-mail ao amanhecer de 30 de maio. Emocionado e confuso, misturei minha cidade distante, raios de sol, nuvens pesadas, misticismo, deuses acreditados sob critério científico... Para ao final desejar feliz aniversário. Ainda não foi nosso dia D. Jantar em família – “Será peixe, pão, água e vinho...” LÚCIA adora metáforas. Estranhei, logo explicou: “Vatapá leva pão duro ralado.” Fiquei sério. Doze pessoas à mesa, alegou “superstição dos 13.” “Não fosse isto, eu convidaria você!!!” Intercalou bolo de chocolate e bolo de laranja, exagerou na calda quente do conhaque. Sorvete de pistache. Cardápio extravagante, de caso pensado. Fotografou tudo e enviou, mas sem ela aparecer. “Ainda é cedo!” – alegou. Na manhã seguinte, sentia-se muito adulta, muito idosa e reflexiva. “Meu querido cigano: A vida é cheia de incertezas e estamos sempre no caminho errado. Não estou pedindo detalhes, mas você já amou e deve ter sido amado. Não sei se amou certo ou erradamente, com uma união e filhos, depois outros relacionamentos não sérios e continuados – foi o que me escreveu. Tem charme, tem lábia, seduz, encanta, hipnotiza, conquista, falo por experiência própria, mas indiferente e nunca se apegou a ninguém. Cama – e – tchauzinho... Seus olhos exigem muito da figura feminina e seu coração nunca se entrega a quem talvez ame você – as que passaram pela sua vida nestes anos de solteirice... Nem você é amaldiçoado nem ama de ‘mão única’. Não teve um amor de paz nestes anos todos porque não quis! Gosta de morar sozinho, cada objeto arrumado no lugar certo e, ainda no auge da masculinidade, diz-se fora da idade de fraldas e mamadeiras. Amplio suas fotos do Faceboock, mas o computador se recusa a imprimir. Ontem, fui beijada no alto da cabeça por meu pai, com a frase: “Vinte e um anos é a idade da responsabilidade.” Não como uma vez você imaginou chegando de surpresa com malinha ao sabor do vento ou fazendo a mala e esperando que venha me buscar. Não podemos viver de sonhos. Ou cheguei atrasada na sua vida ou você adiantado na minha porque não estou preparada para casar. Pensei em alguns discursos para provar que não sou a mulher ideal para você, embora hipnotizada como sapinha na boca da cobra. Nem você é o meu ideal: mandão, convencido, ciumento, gigante etc. Não perca tempo comigo.” Sensatez durou pouco. Finalizou: “Não gosto de ciganos.” Viajei novamente a serviço – um dia. Talvez até mudasse de cidade... “Não quero parecer presunçoso, mas sou bom de apresentações.” “Sei, só há uma pessoa no mundo que você não domina.” Cedi a ela, talvez. “Pois é, querida LUCINHA, você está sempre certa.” Observou que ultimamente eu não escrevia às sextas-feiras. “Para carioca é noite de cervejada. Sei todas as malicias masculinas: homem é sempre transparente, mesmo sendo um esperto cigano. Mulher tem que ser cautelosa sempre. Homem igual a você deveria usar máscara de ferro, como no Romance de Alexandre Dumas.” “Tenha uma boa noite, meu bem, e que seus sonhos se cruzem com os meus.” “Não quero somente noites de sexo – casamento é muito mais do isso. Ao mesmo tempo, não quero sair de um pai aqui para outro pai ai, ambos me tratando como bebezinha.” Estávamos a poucos dias de nosso quarto mês. “Recorde! Porque nunca fui além de três meses, tempo máximo, com os namoradinhos do tempo de escola. Meu pai até hoje os vê como sendo “molequinhos de uniforme”. Não os aceita agora mais velhos. Estou rezando a Santo Antônio, com muita fé, para que certo agnóstico arrume outra namorada, mais madura e experiente.” Tudo com LÚCIA sempre foi inusitado, fora do comum. “Escritório ‘assaltado’ na manhã de hoje – ladrão levou minha caneta vagabunda. Lindão, ele... Escondeu-se atrás de outras pessoas, ligeirinho, e subiu as escadas. Moço bonito, alto, possivelmente drogadão, invadiu rapidinho dois consultórios no primeiro andar, sempre com porta aberta, e pegou canetas na recepção. Aqui no escritório, empurrou cliente que vinha entrando e pegou minha caneta de cima da mesa – estava imundo, roupa rasgada, um pano sujo envolvendo a mão fingindo estar armado e resmungou qualquer coisa, final” “...eu mato...” – foi tudo muito rápido, dois homens perseguidores o agarraram e, talvez pelo susto, foi gargalhada geral, até a sisuda chefinha advogada riu. Soubemos depois que levou uns tapas e saiu correndo pela rua. Largou a mochila velha, pesadona, cheíssima de canetas – deve ser roubo de meses. Passou por acaso uma viatura de polícia, levaram ele, coitado. Cena desagradável – desperdício de beleza e mocidade – engraçado ao mesmo tempo.” “Minha ratinha assaltada! Reparou a cor dos olhos dele? Devia ter perguntado o signo.” Não percebeu minha ironia. “Não houve tempo de conscientizarmos nada. Foi uma visão rápida. Mas acho que eram azulzinhos como céu de praia...” Calei-me. Desisti. Ou muito ingênua ou esperta até demais. Havíamos combinado escrever um livro reunindo nossos e-mails. Só projeto ainda, meio perdido sem noção de como organizar. Comuniquei já ter idéia do título e da capa. “Você às vezes me hipnotiza, CIGANO. “Isto me faz lembrar a ratinha na boca da cobra...” “Não. Lá no Butantã só vi as sapinhas e as passarinhas. Quando a moça vinha chegando com as ratinhas num saco, fui para longe.” “É que essa ratinha só foi fascinada agora, em fevereiro.” “Não, eu pensava que era o professor e puxei seu casaco: “Tio, tio...” igual menina no trânsito parado. E você marcando para falar depois, depois, depois... Mas adivinhou uvas e bolo na minha geladeira, e me mandou página do Cyrano de Bergerac. Aliás, o que levou você a escolher este personagem também? Pesquisei – do barroco francês. Só que para mim ficaram dói Cyranos parecidos durante algum tempo, foi difícil distinguir e acreditar em coincidência, quase clones.” “Não quero falar sobre isso.” “Acho infantil essa rivalidade. Vão discutir primazia?” Simbolicamente perguntou quantas panelas havia na minha casa: “Só três? O milagre é por minha conta.” Respondi ser casa comum, porém charmosinha ao gosto de uma princesa. “Sua casa está pronta para me receber?” “Marque o encontro, LÚCIA MARIA.” “Qual o meu prazo?” Arrisquei brincar: “Vinte e quatro horas...” CONTINUA
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Comentários dos leitores

Tempo triste o dos desencontros! Amo essa estória. Teve musa inspiradora ou existe no jardim botânico da sua cidade uma árvore chamada "luciamariensis" que dá cerejas (feitio de coração) o ano inteiro?

Postado por lucia maria em 10-12-2012

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