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CRÓNICAS DA MINHA ALDEIA



					    
QUANDO AS RAIZES FALAM… As amendoeiras começaram a florir… foi numa manhã de inverno que ao passar pela Atalaia observei atenta o maravilhoso panorama da Natureza. Fui até à velha Torre dos Mouros parecia um mundo irreal… aqui e além as amendoeiras pareciam flocos de neve e eu senti-me divagar… Lembrei as velhas lendas e contos que a minha bisavó, conhecedora daquelas terras me contava … A moura sonhava com o que via em seu redor… Olhando a magnifica paisagem, transpus-me no tempo em que as arvores falavam e no meu imaginário continuava a sonhar… DONA AMENDOEIRA - Quando será que me dão maior importância! Parece que me votaram ao abandono neste Algarve de amendoeiras…. DONA OLIVEIRA - (entrando no dialogo) - Não digas isso minha companheira Todas nós somos muito maltratadas e desprezada. Chamam a Arvore da Paz e eu quero a Paz! DONA FIGUEIRA - Também tu te queixas? DONA AMENDOEIRA - Olha não te metas para os lados do mar…As melas já não pisam os figos nem pisam amêndoas, mas pisam a areia da barra, os barcos pisam-na também. DONA FIGUEIRA - A areia da barra? Qual barra? A barra da saia da Mana Anica? DONA OLIVEIRA - Nem a Mana Anica, nem as Melas vem varejar as nossa arvores! Elas não vêem nada. Nem a luz do farol! DONA VIDEIRA - Um farol? Para quê? DONA OLIVEIRA - Sim um farol, para os pobres dos pescadores que nem boa visibilidade têm. Para entrar na barra. E eu dei tanta luz ao mundo que nem a luz dum farol e bom azeite e azeitonas…Nesta terra já não fabricam o belo azeite! Perdeu-se tudo na Atalaia! DONA AMENDOEIRA - Se calhar querias que ainda se alumiasse à lanterna como os mortos? DONA OLIVEIRA - Ainda faço mais falta que vocês, na comida, sou melhor que óleo. DONA VIDEIRA - Qual óleo? De fígado de bacalhau? DONA OLIVEIRA - Esse óleo era trazido pelos bacalhoeiros, na verdade é que eu também sou muito desprezada pelo uso dos vários óleos… de milho, de girassol, de soja…todos me fazem concorrência… DONA VIDEIRA - Deixa lá, o fruto da oliveira é importante como o fruto da videira - o vinho - o sangue de Cristo porque com o azeite ainda se alumiam os santos na igreja, por isso nós subimos aos altares. No adro da igreja ainda se vêem muitas oliveiras, estamos com todos os santos. DONA AMENDOEIRA - Com todos os santos, não! Os homens porque nos destróem e não cuidam de nós como dantes deixaram de ser santos e são pecadores. (Nisto entra na contenda a Dona Alfarrobeira, já muito escassa por aquelas redondezas) DONA ALFARROBEIRA - Pecadores? Não! Pescadores! Pescadores! São pescadores e pecadores! DONA AMENDOEIRAS - Mas porquê? Como assim? DONA ALFARROBEIRA - Então não vês além aqueles homens a encalhar com as linhas da pesca? Até se enleiam nas rodas dos carros que passam… DONA AMENDOEIRA - Mas não tem outro sitio para fazer aquilo? Porque estão a fazer aquilo na estrada, santo Deus! Não têm sitio próprio? DONA ALFARROBEIRA - Estão a desempachar o aparelho… Quantos homens daqueles me saqueavam as alfarrobas, os meus belos frutos para ir “enfarrobar” as linhas da pesca, sentados às suas portas e lá iam preparando todo o aparelho. Nós estamos quase em extinção os homens não aproveitam as nossas potencialidades. DONA VIDEIRA - Todas nós sentimos o tempo que já não volta e eu não passo da cepa torta já nem vejo as mulheres com as cestas de uva à cabeça, nem a caminho das adegas, nem o vinheiro que guardava as vinhas. Agora vejo os rebanhos em liberdade, procuram nessas terras sobreviver … Pena não termos outras condições ao, menos a plantação do nosso arvoredo embelezava a paisagem típica algarvia e preservava o ambiente. Manter o nosso arvoredo tradicional era muito importante… Depois culpam a Eva de lhe ter feito pecar por ter comido a maçã. DONA AMENDOEIRA - Tanta gente que destrói a paisagem. Eu embelezo a paisagem algarvia. Eu sou a brancura… DONA ALFARROBEIRA - Olha e nós com o verde da esperança!? Então não vês que o casario também já mudou de cor? Alguém liga à brancura? O Algarve já foi branco! DONA ALFARROBEIRA - Mas nós estamos na Branca Noiva do Mar! DONA VIDEIRA - Quando as mulheres iam daqui com as minhas uvas, nesse tempo sim que eu via as caiadeiras caiando as casas… Ai! Ai! A Branca Noiva do mar já perdeu o véu de noivado! Agora é mais fácil dizer que a Tia Anica - Mana Anica terá sempre a saia da Barra Preta!
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