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VAI E VEM, SEM TER SAÍDO DO LUGAR



					    
RUBEMAR ALVES Não, não é ninguém querer se exibir - é professora e alunos botarem a criatividade para fora, só isto. Fevereiro. Professores reunidos planejando o ano escolar. ELA praticamente eternizou-se em 5ª série ou 6º ano, o nome não importa - série inicial da segunda fase do............ Sei lá. Não entendo! (Onde andarão meus velhos boletins?) Pelo sim pelo ano, gramática para classes de palavras e textos. Ah, os textos! Contos de fadas em releitura, ou seja, modernizar a tradição dos Irmãos GRIMM. Cada qual escrevia sua própria versão. Lembro que uma menina embirrou com a alturinha dos 7 companheiros de BRANCA DE NEVE, agora “prima” da RAPUNZEL, e colocou 3 Gigantes, trepados um no ombro do outro, até o ponto máximo da torre - grande dúvida: levar a primeira de castigo lá para cima ou descer a segunda? A professora de português fazia por fazer, criou, gostava, todo mundo gostava, era uma aula (fatídi ca?) de redação sem que a turma percebesse e a diretora, por acaso psicóloga, desvendava tudo... “Bom conhecer melhor esta garotada e as famílias!” Sempre tem um espírito de porco, aquele tipinho que desde pequeno é um insurreto: “Se há governo, sou contra...” Houve um certo menino voluntarioso, impulsivo, esnobe, turrão, machista, independente e blá, blá, blá... que decidiu por conta própria escrever sobre DOM PIXOTE: “Fadas é assunto de meninas bobinhas...” Sentava-se lá no fundo da sala, mas “zoiúdo” o tempo todo sobre as meninas, tentando disfarçar. Nada a ver, porém ele alegou que o trabalho era dele, sobre um rato nobre, oficial de farda de lata e elmo de prata (fazia rimas), espanhol do sul, Andaluzia, terra de muitos ciganos, noivo da ratinha-princesa DULCE, que gostava de cavalgar e possuía um moinho de vento... Professora gostou e riu, entretanto com carinhoso respeito ao garoto. Sua primeira lição de intertextualidade: ali, todos reconheceriam a obra de CERVANTES. Futuro escritor?! Aí, a professora teve outra idéia melhor ainda. Combinou-se que iriam receber, de tempos em tempos, folhas digitadas, numeradas, deveriam colocar data e ir colecionando. Trazer em todas as aulas. As meninas desenharam florezinhas - ele colou um escudo de futebol: sãopaulino desde guri. O CARACOL E A PITANGA, fábula do MILLÔR FERNANDES. Há dois dias o caracol subia, escorregava, descia, tentava subir novamente o tronco da pitangueira. Um caminhar lento e filosófico, sem desanimar. Surgiu uma formiga-maluca, rápida, que deu palpite: desistir, ainda não era tempo de pitanga. “Vou indo, vou indo, respondeu calmamente o caracol. Quando eu chegar lá em cima vai ser tempo de pitanga.” Ora, alunos estudaram personagens, discutiram diálogo, emissor x receptor, protagonista como personagem principal, antagonista quem surge do nada para chatear e dá palpite na vida alheia; noções de tempo / espaço / clímax; o que é pensamento filosófico, também os momentos em que a auto- determinação e a solidão beneficiam o ser humano; a mensagem final... Discutiram o provérbio chinês: “Um caminho de mil léguas começa com o primeiro passo.” Dissertaram falando e depois escrevendo (aluno empolgado não percebe que é redação) em torno de ‘Devagar se vai ao longe” ou “Devagar se perde a hora” - competição entre meninos e meninas: cordial empate! Apenas um cavalheirinho protestou, imagine-se quem foi?!... Sim, e a gramática? Pois é. Muitas árvores e plantas frutíferas apresentando o sufixo -eira e, mesmo não sendo aula de botânica, ELA ensinou que bananeira não é árvore, “é um rizoma... bananeira, família das Musáceas, que dá cacho.” Essa explicação, “...família”, constava dos planos da ‘professora engenhosa e maquiavélica positiva’, que tinha sua própria idéia, mas na hora da aula fazia como que “aceitava” palpites gerais. Nosso herói dava até bons palpites (EU sei disso muito bem), mesmo quando discordava de tudo e de todos: “Bobo, dizia, é quem me critica...” Acabou o estoque de papel branco, ELA compraria dias depois, em emergência distribuiu papel amarelo mesmo. Desenharam árvores, escreveram nos devidos lugares os nomes das partes: raiz, tronco, folha, fruto. Ele escolheu sozinho e desenhou pau-brasil; depois arranjou de graça (onde?) e distribuiu sementes. Ora, se o fruto é o filho da árvore, por que não falar de família, a “família da gente”? Bem que o aluninho espírito de porco tentava atrapalhar, dizendo não querer “contar intimidades de casa”, mas jamais conseguiu perturbar a professora ou os colegas. O enjoadinho passou a se dizer “primogênito de quatro irmãos - outro menino e duas meninas... eu mando em todo mundo!” Crescerá por certo assim: um encantador eternizado menino grande, amado por muita gente! Leram ACHADO, poema de DRUMMOND - menino cavando um buraco, “será-que-o- trisavô-teria-enterrado-ali-um-tesouro?” Saiu até desenho de árvore (vejam bem: aula continuada) genealógica: pai, mãe, filhos, avô, avó etc. Discutiu- se adoção e seqüestro de bebês; nesta hora o rebeldezinho (cada vez menos anti-social) se revelou com vocação para... advogado. “Ah, professora, serei advogado... (aí exagerou) e eu também estudarei LIBRAS (cutucaram Rose e ela sorriu toda), inglês (piscou para Susan que sorriu para ele), alemão (piscou para Ingrid que s orriu para ele) e talvez japonês (Haruko amarrou a cara e virou para a parede)...” Sua primeira decepção amorosa. Quantas e quantas ainda viriam... A pretexto, o poema QUADRILHA, também de DRUMMOND, foi lição de desencontros. Meio do ano, cartas das meninas para Santo Antônio e todos aprenderam a origem da expressão “tirar o pai da forca”. Na festa da escola, nosso herói foi ao mesmo tempo o advogado (grampeou folhas, criou seu próprio Vade-Mécum), defendia, trocava de camisa, e o xerife, estrela no peito, prendendo sem nenhuma possibilidade de defesa: “Vacilou, cadeia!” De aluno rebelde passou a líder simpático. Prendeu (no coração também?) três meninas. Muitas aulas se desenrolaram nesse ritmo, um assunto puxa outro, textos de temáticas parecidas, a garotada descobria e trazia, gramática e dicionário em paralelo. Dezembro. Professores reunidos fechando o ano escolar. Cada qual mostrava o resultado de um ano de lutas gloriosas ou inglórias. ELA fez um apanhado geral, explicou a todos que misturava aulas de português muitas vezes com desenhos e colagens de recortes, sempre tem aqueles invej... (gente ruim!) que censuram tudo (apenas porque não tiveram nenhuma idéia original), mas a esta “louquinha” não importavam elogios ou deboches. Conversa vai, conversa vem, uma professora prometeu dar a ELA uma coleção de trabalhos “de amiga minha muito inteligente e criativa que talvez ajudem você no próximo ano, quem sabe?” Professores muitas vezes trocam sugestões - gostar, ELA não gostou, não precisava nunca de ‘sugestões’ de outras pessoas, mas por educação aceitou. Dias depois, última reunião do corpo docente. Amiga (inocente ou gozadora-ursa?) a “presenteou” com uma apostila. Primeiro texto, O CARACOL E A PITANGA, daí em diante.............. inclusive o papel amarelo do dia do desenho das árvores?! “O meu trabalho sendo dado a mim mesma?” Encheu-se do espírito de HOLMES e fez perguntas. “Muito simples, meu caro Watson-leitor.” Uma das alunas era sobrinha de outra professora de português, de outra escola e em bairro bem distante, que vira desde o início os trabalhos armazenados, um a um, e plagiou as idéias menos elaboradas (felizmente não cópia integral). Para exibir-se, fez fotocópia de todas as páginas, presenteou a sobrinha com papéis agora não manuseados, e fez a troca, sem saber a quem exatamente estava sendo ofertada agora a “nova apost ila”. Nova?! Na presença de todo mundo, ELA agradeceu e provou através do diário de aulas sua criatividade a partir do primeiro contato com a turma. Intertextualidade, sim, aceita-se, mas plágio descarado (e ainda por cima contar vantagens) é crime. F I M
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Comentários dos leitores

Esse menininho abusado, este aluno, deve ser hoje um adorável adulto inquisidor e crítico. Por acaso é fragmento de autobiografia????????

Postado por lucia maria em 26-12-2012

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