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A SANDÁLIA DA RAINHA-MÃE



					    
RUBEMAR ALVES Nem tão idosa assim, 69 anos e 7 dias, mas quebrara uma perna uns quinze anos antes e o andar ficou um tanto inseguro. Além disso, era toda bruta de corpo não muito magro e bastante precipitada. Esquecia não poder correr........... Teimava, corria, memoráveis tombos, inclusive certa vez na frente de um trem elétrico de passageiros que parou a poucos metros. Maquinista, trêmulo, totalmente apavorado, saltou e veio ajudá-la a se erguer, muita gente espiando pelas janelas do veículo. “Moderninho o seu trem, moço. No meu tempo era o Maria-Fumaça a vapor. E também você é moço bonito...” (Não, não lera Jorge Amado.) Toda aquela gente aliviada em palmas e depois gestos de adeusinho, e ela, joelhos arrebentados, sangrando brabo, mas feliz, retribuindo... Nascera ainda no século XIX, 1891, testemunha ocular de muitos fatos históricos nacionais, um presidente “hoje”, outro “amanhã” (“depois de amanhã”, nem papai-do-céu seria/é capaz de adivinhar...), bem no centro da cidade, então Capital Federal, rua próxima ao que chamavam Quartel General (Ministério da Guerra) e ao Palácio Itamaraty (Ministério das relações Exteriores), e não muito longe do antigo sobrado-residência do Marechal Deodoro da Fonseca (1827/1892). Usava saias e vestidos largos, na altura do tornozelo, teimosia do “Fui- acostumada-assim...” e pouca coisa a trazia integralmente para o século XX. Aceitava parcialidades. Não de todo antiquada, apenas não adaptada a certos modernismos. Televisão? Onde houvesse, casa de parente que visitasse, ela sentava longe, de costas, resmungando: o motivo, nunca ninguém soube pois não havia dificuldade séria em ver (o jornal diário impresso era lido e comentado com uma filha) ou escutar. (Sim. Eu não sei como os descendentes de meus filhos aceitarão na íntegra o século XXII.) Janeiro, 1960. Daí que a neta mais velha casaria no dia seguinte e era costume receber as mulheres da família e as amigas para mostrar a casa. (Chá de panela surgiu anos depois.) Bonde de Santa Teresa. Percebeu que iria cair ao chão, agarrou-se firme no balaústre, ferro vertical colocado junto aos assentos, força bruta com o corpo, arrebentou a sandália rasteira de tiras largas. Saltara por acaso e sorte bem na porta de um sapateiro de consertos (em geral, ofício dos italianos nas grandes cidades), “trocaram línguas” porque ela convivera com muitos emigrantes e falava um pouco de italiano... ele colou a tira e bateu os pregos em poucos minutos, só não ficou um conserto muito firme... e a senhora acabou comprando uma sandália de solado um tanto alto, oferecida a ela como bastante confortável, preço razoável. Uma amiga fleugmática, ‘sangue’ mesclado de inglês, alemão e português (chá sempre às cinco horas, com gotas agridoces de bitter e farelos de bacalhau na torrada brasileira mesmo), usava somente aquele tipo de calçado, que dizia comprar em navios rec ém-chegados da Europa (?), reconheceu, mas o pensamento parou aí - duvidava da amiga sem desmentir na cara. Viu a casa da neta, calçado novo nos pés........... Diferente, entretanto de boa aparência. Não havia televisão em casa, eletrodoméstico ainda não era tão popular assim, ela até adorava que o genro não pudesse comprar. Gostava mesmo era das rádio-novelas no rádio elétrico. Ah, sim, mas a vizinha do lado surgiu e cochichou algo com a neta mais nova. Riram. “Contamos a ela ou não?!” “Escutei, hein?! É algo a meu respeito? Quero saber.” Numa reportagem, aparecera a consorte britânica, Elizabeth Angela Marguerite (1900 / 2002), nobre escocesa, viúva do rei George VI, conhecida como Rainha-Mãe, matriarca da família britânica, mãe da rainha Elizabeth II. Londres. Ao descer de uma carruagem, fez um gesto brusco, esticou o pé e a sandália arrebentada era exatamente igual à da senhora carioca. Guarda ainda se colocou na frente, mas o mundo já filmara. Nem coincidência nem cópia - nada disso! Vizinha e neta examinaram por dentro, uma gravação talvez a fogo: “Made in England.” (Sandália importada sem passaporte, mas deve ter vindo de navio... também.) Serviu como ilustração familiar. Ai que ofereçam tal tipo de calçado a esta neta, jovem no passado. Na atualidade, não tem lábia de vendedor- vendedora que a convença. “Eu, hein?! Não sou a rainha da Inglaterra!” Agora acrescenta por conta própria: “Nem a presidente da Alemanha.” Não explica. E sai rindo com a cara de ponto de interrogação da pessoa que a atendera. Nem ousam perguntar nada. Gosta mesmo é de sandálias avançadas, rasteiras, tirinhas finas em dourado, prateado, preto, vermelho, azul, verde... ad infinitum no mundo das cores chamativas. A oferta pode até ser uma sandália acolchoada, macia, confortabilíssima, com o atual crédito anatômico de... ortopédica, mas minha AMIGA não é................. (leitor já sabe). F I M
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Comentários dos leitores

Você tem fatos antigos (séculos XIX, XX), fatos atuais (XXI) e prevê futuros (XXII). Gosto disso. Parabéns pela estória com aulas de história.

Postado por lucia maria em 26-12-2012

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