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SOFAZEIRO POR ESCOLHA



					    
RUBEMAR ALVES Em franca moda, cada vez maior, casais em casas separadas. O ideal seriam cidades separadas. (E por que não países e talvez continentes?) Um não enjoa do outro e cada reencontro é um namoro restaurador - “anjinho”, “benzinho” ou “amorequinho” daqui e dali. ELE sempre ouvira falar que o divórcio sai muito mais caro que o casamento. Palavra bonita e ultra chamativa nas redes sociais: di-vor-ci-a- do. Parece que as mulheres querem ser a segunda na vida do aparente “abandonadozinho” (solitário mais feliz que infeliz), porém na pensada má fé de mudarem tudo - a decoração da casa, a cor das paredes, a louça, até a roupa que o coitado deverá usar numa fotografia para documento. Em segredo, discretamente, fez todas as contas possíveis e imagináveis. Pagar pensão? Jamais! “ELA sempre trabalhou fora, que continue...” (Para torturá-lo, em semelhantes contas, secretas e discretas, ELA pediria 75% por cento do ordenado dele; calou-se porque mulher esperta só fala na hora exata da brigalhada ante juiz e advogados...) Teria que alugar (How much?) uma casa que por sorte achasse mobiliada e com todos os apetrechos domésticos. E onde arranjar uma cozinheira-doceira tão excelente quanto ELA? Motivo para divórcio? Simplesmente nenhum - leve ou gravíssimo. O CASAL tem uma particular união intelectual que chamam “sociedade literária”. ELE sempre escreveu contos, crônicas e artigos, tendo idéias próprias muito antes de conhecê-la, porém com o casamento de ‘contrato civil’ passou de vez em quando a usar miudezas de certas tagarelices da mulher, quando contava fatos antigos familiares ou atuais com as amigas na escola, que ELE alterava um pouquinho e inseria de longe em longe nas narrativas mais engraçadas. Digitava e guardava em pastas de futuro estoque na certeza de que ELA nunca descobriria, mas a “curiosinha” um dia mostrou a ELE um novo conto recém digitado, casualmente perdido dentro de um dicionário... dela. Tragédia rodriguiana (NELSON RODRIGUES, escritor especialista na área de família): “Mas EU só coloquei a personagem num traje lilás com orquídeas no chapéu de aba larga indo assistir no Rio de Janeiro o Grande Prêmio Brasil...” Uma ideiazinha de nada, repetindo fato real de uma amiga da mulher. Nada de intertextualidade ou plágio. A partir desse dia, ELA inventou “multa e castigo por danos morais e intelectuais”: vidro de geléia de cereja portuguesa (custou a achar!) e dormir no sofá. ELE protestou, mas cedeu. Importante nesta sociedade é que ELE era o escritor, sempre foi, porém desde o primeiro dia a professora de português, disciplinadíssima e muito exigente, se impôs (nunca sugere, nunca se oferece, muito menos pede!) como revisora gramatical. Sinônimo de megera. ELA emenda tudo! Tira os excessos de pronomes relativos e possessivos, substitui estes por artigos indefinidos, ensina a diferença entre acento agudo a acento grave, corta ou acrescenta palavras, ora concordam ora discordam de expressão curta ou frase completa em latim ou língua estrangeira moderna - traduzir ou fazer o leitor pensar? ELE escreve, ELA corrige... Antes dela, não tinha nada disso, ELE jamais cometeu erros assim gravíssimos de português, nunca ninguém criticou- censurou-emendou, porém ELA surgiu, pegou textos até bem antigos, e corrigiu tudo, muita coisa já publicada. A recomendação da “professora” para o “aluninho rebelde” é copiar letra por letra, palavra por palavra, obedecer rigorosamente ortografia, pontuação, a organização dos parágrafos e fazer um tracejado entre o texto e Notas do Autor. Quem disse que o “menininho Gigante” obedece? Na atualidade, ELE escreve sozinho e publica, ELA protesta... “Alterei esta frase para melhor, você insiste em escrever bobagem! Emende tudo novamente agora.” Castigo: uma guloseima e sofá! Voltando ao começo. A atual residência é relativamente ampla, mas apenas um quarto. Mesmo colocando agora duas camas em substituição à de casal, ainda seria espaço único para DUAS pessoas, sem independência alguma. ELE amava a liberdade: totalmente sozinho, anos e anos antes dela!!! ADÃO tranquilo no meio do parreiral... De repente, surge EVA com “mil” livros de português, lingüística, teoria literária... e vários dicionários. Iluminou a vida dele, sim, mas é mandona! De repente, do nada, na cabeça masculina surge figura parecida com a da Esfinge: “Escreva certo ou EU...” Solução do Grande (e angustioso) Enigma. ELE alterou para “...certo ou sofá!” Para livrar-se dela, poucas horas até o amanhecer (com saudades!), passou a desobedecer e publicar seus contos de propósito com um ou outro errinho, ainda, quase imperceptível ao leitor comum... escandaloso na visão da mulher. Pior que “castigo” no sofá (descobriu que não é tão desconfortável como pensava), é achar no comércio especializado as ‘multas’ exploradoras - cogumelo de Mogi das Cruzes (só serve cultivado por japoneses), figos de Valinhos (qualquer produtor), folhados portugueses do bairro da Liberdade (ELE vai à Capital só para isto!), frutas secas com etiqueta do Oriente Médio.............. e flores do Largo do Arouche!!! Angústia entre escrever certo e ter Paz ou escrever errado e ter Guerra. Como SARTRE e TOLSTOI decidiriam? Para SARTRE, idéia existencialista de angústia: cada escolha carrega consigo uma responsabilidade. ----------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: LEON TOLSTOI - Advogado e escritor russo, 1828/1910, autor de GUERRA E PAZ e muitos outros livros. JEAN-PAUL DE SARTRE - Filósofo e escritor francês, 1905/1980, autor de O SER E O NADA e muitos outros livros, revisados (alterados?) por sua mulher, a também escritora SIMONE DE BEAUVOIR. F I M .
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Comentários dos leitores

Na vida real, conheço duas pessoas em situação igualzinha. Ele escreve, ela corrige, ele publica errado, ela se enfurece, aí sai uma brigalhada infernal, mas uma orquídea a encanta e gera a paz.

Postado por lucia maria em 27-12-2012

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