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CEIA DE ANO NOVO



					    
RUBEMAR ALVES ANO NOVO antes do NATAL? Pois foi. EU explico. PRIMEIRA ESTÓRIA - falso doce “tradicional” para o 31 de dezembro. Casaram no dia 20, foram a casa dos pais da moça para o NATAL e ELA achou melhor ficarem em casa para a entrada do ANO NOVO. Faculdade, emprego, recém-casada há somente onze dias, cansadinha até na ponta da orelha (modo de falar). Marido, de outro Estado onde as famílias apenas se reuniam para almoço no dia 25, não se importavam com a meia-noite de 31 de dezembro, depois solteiro invicto, se deslumbrava com idéias dela, rotineiras, só que para ELE todas surpreendentes. Tudo era novidade! Residiam num quarto em casa coletiva, corredor com total de 20, pouco espaço, alumínios necessários, louça básica e pouca extravagância, a ceia foi programada em função dos objetos existentes: pernil e arroz de forno direto do fogão aos pratos, um ovo cozido para cada um (tem mania - diz que “ovo é vida”), pêssego em calda na compoteira de vidro cor-de-rosa, travessa comprida de pirex transparente para castanhas cozidas e frutas secas, prato redondo com borda dourada para fatias de bolo pronto de laranja e de torta idem de chocolate, um quindão na embalagem prateada da confeitaria, duas rabanadas fritas (só duas para não engordarem muito), pirex retangular com salgadinhos miúdos variados e canapés (4 triangulares cada fatia de pão preto descascada), cumbuca de vi dro vermelho com cerejas frescas, dois copos altos para vinho tinto e duas taças tradicionais para champanhe. Mesa de fórmica, toalha nova. Castiçal de barro envernizado e vela azul romântica, apagaria o quarto e só acenderia a vela na hora da ceia, ao centro um vaso transparente magrela com uma única rosa. Lembrou antigas festas familiares e resolveu fazer aletria. Bem pouquinha. ----------------------------------------------------------------------------- ALETRIA (do árabe al-irtiã) - massa em fios finos utilizada em sopas e doces, introduzida na culinária de Portugal através dos mouros invasores da Península Ibérica. Um estouro na rua, o mundo pareceu tremer e explodir (ou explodir e tremer?), escuridão terrível e alvoroço na rua. Nada do outro mundo - Mercúrio, Vênus... - foi estória do terceiro planeta mesmo, a Terra! Sem luz, mas a geladeira demoraria a degelar. Arrumou a mesa, acendou a vela, ficou linda a arrumação, vidros brilhando como se fossem cristais tchecos.... Muito calor, porta do quarto aberta, desfile pelo corredor de curiosos discretos, iam olhar a rua, uma espiadinha não faz mal. No quase total escuro (mantimentos secos guardados na parte inferior do armário de roupas, imaginem), ELA “errou” (deveria abrir uma loja de consertos diversos ou montar peça teatral - ERROS E ACERTOS porque a emenda na máquina de costura ou na cozinha é sempre superior às falhas dela desde garota), pegou o pacote de goela-de-pato e jogou a massa no leite quente adoçado.. Foi um tempo curto de perceber, minutos, conscientizar e desligar o fogo, mas o macarrão já cozinhara um pouco. “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma” - LAVOISIER não foi costureiro nem cozinheiro-doceiro, mas ELA reza esta oração centenas de vezes ao ano. GOELA-DE-PATO (rigatone italiano) - macarrão no feitio de um canudo, que se recheia com sabor salgado. ----------------------------------------------------------------------------- Pensou... Recheou as goelas-de-pato, uma a uma (nem eram tantas assim, felizmente) - ricota amassada com gema (o “aprendiz” ao lado), espalhou no pirex untado com manteiga. Pensou de novo! Fez à parte uma calda bem líquida - nozes moídas (que por sorte na véspera comprara inteiras e moídas também), passas escuras, muito mel, água mineral (exagerar fantasiosamente na receita é sempre bom) e um pouco de cachaça (alguma coisa tinha que ser nacional, ora bolas!). NOZ - botânica: a verdadeira noz é o fruto seco da nogueira, nativa da Europa e da Ásia, com apenas uma semente, raramente duas, no qual a parede do ovário ou parte dele torna-se dura na maturidade; ingrediente da doçaria do Oriente Médio. PASSA - tipo de uva especial de tamanho menor que sofreu desidratação, resultante de exposição prolongada ao sol; as mais usadas cultivam-se em Portugal, Grécia, Itália e Espanha. MEL - líquido viscoso e açucarado produzido por abelhas e marimbondos a partir do néctar recolhido das flores e processado pelas enzimas digestivas desses insetos, armazenados em favos nas colméias para servir-lhes de alimento. Pensou mais uma vez!! (Perigo ou salvação plena quando ELA pensa três vezes!!! Sempre foi assim.) Cobriu a massa leitosa com a calda. Pela mistura de Itália e Oriente Médio, ELA deve ter convocado numa reza ecumênica o Papa e Maomé juntos. Esperou a proximidade da meia-noite, forno quente, assou rapidinho, cobriu com açúcar e canela, serviu quente. Marido não conhecia. “Aletria é isto?” Geminana jamais se atrapalha - e marido Geminiano, pode? “Esclareceu” ter lido tal receita em MIL E UMA NOITES ainda garota, e “explicou” tratar- se de uma tradição familiar, mas aí era a aletria numa data e este doce no dia seguinte ou vice-versa. Ahn................. SEGUNDA ESTÓRIA, acontecida seis ou sete meses depois - falso doce natalino “tradicional” fora de 24 de dezembro. A narrativa está no meu conto intitulado SOPA DE NATAL. F I M
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Comentários dos leitores

Aprenda: mulher nunca erra ou se engana. O macarrão "errado" mergulhou de propósito na piscina do leite quente, foi isso, está mais do que explicado. Esta moça é um gênio genial, tenho certeza! Belo conto.

Postado por lucia maria em 29-12-2012

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