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Rubemar Alves Minha amiga do Rio reside em antiga região de grandes plantações, perto de bairro histórico onde a Família Imperial tinha um palacete. Ainda existem ali muitos morros cobertos de verde... Uma passarada às vezes exótica. E bichos maiores também. Mas essa estória não é sobre bicho que veio do mato. Ora, numa tarde de sábado ela foi ao tanque, no quintal, lavar uma sacola plástica e ouviu uma risadinha. É “esquentada” mesmo, imaginou alguém debochando por lavar do sangue de carne fresca... uma “simples” sacola de supermercado. Virou-se bruscamente e deu de cara com um macaco, gengivas de fora, todo sorridentinho., abraçado a um pilar de madeira que sustenta um telhado. Manteve-se fria (por dentro). Entrou em casa de costas, pela porta da lavanderia, corredor onde fica a máquina de lavar roupa, fechou porta e janela dos fundos, da frente também, rodou a chave e foi pedir socorro. É um espaço familiar com duas residências e, mais distante, uma grande cozinha para churrascadas, algo assim. Estavam lá um primo e duas amigas. Foi direta. “Tem um macaco lá em casa. O que é que eu faço?” O primo riu. As moças trocaram olhares incrédulos. “Alguém que você convidou para lanchar? Visita que chegou de repente? "Amigo seu da escola (é professora)?” Ela indignou-se. Baixinha: enfezadinha braba. Época de propaganda eleitoral, inconscientemente se defendeu com frase ouvida toda noite pela televisão: “Você me conhece... Eu jamais (sacudiu o dedo: é toda teatral) chamaria uma pessoa negra de macaco. Não fui educada racista. Não tenho preconceito algum (blá-blá-blá)...” (desta vez só não citou a Lei Afonso Arinos – costuma citar). O primo saiu da cozinha um tanto desconfiado, voltou em meio minuto. “Ih, é verdade, sim. Tamanho de uma criança de...” - não soube calcular. Macaco de pêlo liso e brilhoso. Aspecto de bem tratado. Boato é coisa que se espalha fácil. Num tempo recorde, apareceu muita gente adulta e uma garotada infinita. Um vizinho decente sugeriu darem banana ao macaco. Minha amiga pegou em casa, coragem faltou, o rapaz mostrou a pequena banana ao macaco mais ou menos grandinho... Este não se agitou faminto, ansioso, desesperado. Pegou a fruta com a ‘mãozinha’ esquerda, com a direita foi lentamente tirando a casca (a platéia em coro: “Oh!”), esticou para os espectadores como oferecendo, ninguém quis, macaco ‘sorriu’ e devorou a fruta. Deram outra banana – a mesma coisa. No mínimo, educado! Uma criança sugeriu acerola; macaco jogava a bolinha vermelha para cima, aparava com a boca (de novo platéia em “Oh!”), engolia, sorria, esticava a ‘mão’ direita pedindo mais. No mínimo, ensinado! Comeu muitas acerolas. Pior foi um vizinho ambicioso avançar com um pau, em gesto rápido, querendo tontear o macaco e vendê-lo por 50 reais. Já tinha feito, outras pessoas impediram segunda agressão, expulsando o tal vigarista. Macaco saiu pulando pelas diversas árvores, parecia não se cansar. Anoiteceu, as pessoas foram se dispersando, minha amiga trancara a casa desde cedo. Na manhã seguinte, ela ia saindo para comprar jornal, quando encostou um carro vermelho, um homem saltou e minha amiga escutou a (odiosa) expressão: “Minha senhora!” (Só aceita você.) Falou mais: “Eu sou o proprietário...” Palavra pouco usual. Proprietário? Do terreno? Ela é imediatamente imaginosa – já se viu tendo que procurar casa para nova residência, encaixotar pertences etc. etc. etc. (Ué, o terreno é nosso! Acordou do pesadelo em segundos.) “...do macaco que apareceu ontem no seu terreno.” O rosto parecia familiar, ela só não lembrava assim de imediato onde o tinha visto. Explicou – macaco de estimação, autorizada a criação pelo Ibama, inclusive vivia solto em casa. Um cachorro latiu, macaco se assustou, um segundo cachorro apareceu, conseguiu fugir, mas ficou nas proximidades. Quase às vinte e uma horas, um menino, que muito se divertira com as peripécias, declarou que conhecia o dono (mais fácil de falar, convenhamos) do macaco, o primo de minha amiga ordenou que fosse chamá-lo imediatamente. Foi avisado, veio, trouxe comprimidos tranqüilizantes, receitados por veterinário, mas o bicho estava muito excitado, não fez efeito algum e continuou pulando nas muitas árvores do sítio. Comentou saber que o macaco tinha sido agredido, conhecia o agressor e sabia até o valor da venda. Pior: esse vigarista espalhou que o macaco entrara na casa de uma mulher, quebrara “muitas” coisas e a mulher queria ser indenizada, ele seria o (falso) “intermediário” do pagamento... “Pagarei diretamente a ela” - com estas palavras, o ‘proprietário’ frustrou o vigarista. Dono do macaco abriu a carteira. Baixinha se revoltou novamente. “Guarde isso!” - acalmou-se na hora, muitipolar de pensamento e ação, aí reparou a camisa profissional de dois rapazes que seguravam uma jaula, acompanhando o patrão: “Haras.........” Lembrou, mas calou-se. Contou que tudo começara com ela, em casa dela, o macaco não dera prejuízo algum. Sentira-se feliz em doar as bananas. Como as galinhas estavam muito alvoroçadas, foram para lá, macaco no muro pulando muito, colocaram a jaula em cima do telhado do galinheiro. Aí, foi aquela tentativa de fazer o macaco entrar na jaula e ficar... Dono do macaco pediu um ovo. Minha amiga pegou em casa (em verdade, ela estava adorando a quebra da monotonia da casa), macaco pegou o ovo, novamente ofereceu, quebrou um pedacinho, chupou. Idem segundo ovo. Mas não entrava na jaula de jeito nenhum... Dono do macaco descascou uma banana, enfiou pela grade, macaco espertão bobeou e entrou na jaula. Abocanhou a banana, percebeu-se traído, tudo muito rápido, mordeu o dedo do homem. Macaco chorou! Cena até muito triste, aquelas duas mãozinhas unidas, juntas, nos olhos do pobre bichinho. Lágrimas, ninguém viu. No mínimo, um bom ator! Foram-se. Minha amiga pegou suplemento do jornal da semana anterior, apenas desfolhado rapidamente sem ler. Fotos na reportagem. O tal homem é ‘proprietário’, sim, de um haras, negocia vários tipos de animais, inclusive os aluga para telenovelas de tema rural, orientando artistas e diretores. Como se diz “saudades” em macaquês? Foi o que todos sentiram depois. F I M
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Comentários dos leitores

Este autor deve ter "um milhão" de amigas, citadas toda hora e blá blá blá... mas... quem é a verdadeira musa inspiradora? Gostei da estória que me pareceu real, ambiente e pessoas verdadeiras.

Postado por lucia maria em 30-12-2012

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