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MENTIRA TEM PERNA CURTA



					    
RUBEMAR ALVES “Mais depressa se pega um mentiroso que um coxo.” PROVÉRBIO ANTIGO Conto ou estorinha para quem conhece o Rio de Janeiro, pela localização de ruas e bairros. A nossa amada ATRIZ, nascida portuguesa, que fez rádio, muito teatro, depois televisão, baixinha, tinha por marido um homem em todo caso apenas quatro anos mais novo que ela, bem apessoado, altão, e estas pequenas diferenças é muito numa mulher. Morreu em 1984 com 74 anos incompletos. Ele, neto de portugueses, nascido no Rio de Janeiro, ATOR. Morreu em 1985 antes dos 71. E depois dizem que saudade não mata. O casamento feliz ou pelo menos calmo e seguro durou 46 anos. Segredo? Esclareceu numa reportagem: “Nunca revistar ou esvaziar os bolsos do marido, jogar direto na máquina caseira de lavar roupa ou recomendar na lavanderia devolver na mão dele qualquer objeto, especialmente papelzinho. “Quem procura, acha.” ADÁGIO MAIS DO QUE POPULARÍSSIMO. Minha AMIGA carioca sabia disso desde garotinha pois a mãe jamais revistava os bolsos do pai – tempo de dinheiro curto e durante muitos anos sem máquina, jogava direto no tanque. Depois, se houvesse papel molhado, esmagado e nada seco, impossível ler. Moravam no bairro da Penha, chamado na época subúrbio da Leopoldina, que era o nome da linha férrea, vários bairros seqüentes. ELE gentilmente perguntou se ELA queria algo do centro da cidade, pois iria comprar tinta: renovação da pintura da casa. A lista de compras foi imensa (bolsa dela ‘sumia sempre’ na hora exata de dar seu próprio dinheiro: era professora) – simplificarei em “creme de leite fresco da fazenda, rua Buenos Aires, pequenos pães doces chamados ‘madrileños’, confeitaria tradicional, rua do Ouvidor, e bacalhau legítimo, rua da Assembléia”. ELE não comprou foi nada. Alegou que a lista voou pela janela do ônibus em movimento. E calou-se. “As mentiras mais cruéis são ditas em silêncio.” ROBERT LOUIS STEVENSON Voou como, se estava dentro do bolso da calça? ELA o viu colocar. ELE foi tomar banho e pendurou a roupa suada no cabide do banheiro. Mais tarde, MULHER precisou de moedas de tamanhos diferentes para fazer um desenho, pediu e MARIDO falou que talvez tivesse no bolso da camisa de botões (bem que logo cedo ELE escolhera camisa de malha, mas mulher mandona sempre faz um carinho, beijinho de bom jeito, afago no rosto, cafuné caprichado, dá palpite contrário e o coitado aceita). Na época, certos ônibus forneciam um papelzinho que ao saltar o passageiro deveria colocar na urna perto do motorista (sistema de roleta surgiu depois) – havia quem se distraísse e carregava o tal comprovante de passagem... Aguardemos o desfecho da estória. ELA jura até hoje que não mexeu no bolso dele por má fé – não achou moeda alguma e só havia o papelzinho “Penha – Méier”, também subúrbio, agora da Central do Brasil, outra linha férrea. Como é que uma pessoa sai de casa para o centro da cidade e paga passagem para o Méier e ainda por cima não traz compra alguma das solicitadas? ELA não era assim uma mulher ciumenta (imaginem se fosse), porém cuidava do que era dela, quase uma posse, contrato pelo juiz, com traje cor de rosa, juramento pelo padre, com quimono de muitas cores que levou um mês costurando. Deveria ter dito: “...até que o ônibus nos separe”. Teve por poucos segundos vontade de jogar (chutar não porque poderia machucar o delicado pezinho 34) no meio da rua as latas de tinta, sem nota fiscal. Continuou procurando... moedas. Outro bolso, outra notinha, agora “Méier – Tijuca”, bairro da zona norte. Latas de tinta emudecidas, solidárias com o patrãozinho. Mandá-lo dormir no sofá durante uma semana? Greve de sexo tem limite para acabar? Nada disso. Tomar satisfação agora. ELE “explicou”. Muito simples (simples?) Ouvira no rádio de pilha dois (dois?) engarrafamentos monstros a caminho do centro da cidade: um na avenida Brasil e outro em São Cristovão, as duas ruas possíveis na direção das compras. Foi ao Méier, não havia a marca da tinta habitual, foi à Tijuca, não havia a cor desejada. Acabou tendo que ir obrigatoriamente ao centro. Muito esquisito... “Oi, carioquinha braba, amor da minha vida, quase um dia inteiro para comprar a tinta na cor que você prefere...” Meia hora depois, entregou a ELA uma rosa vermelha, “...símbolo de paixão”, disse ELE, embrulhada num pedaço de jornal. Mais meia hora, ELA percebeu no pequeno jardim a ausência da primeira, a única rosa que nascera na temporada e faltava uma folha no jornal comprado pela manhã. ELA, Geminiana versátil e multipolar, jamais poderia ter casado com um Geminiano espertão e de mente (escrevi mente???) criativíssima. “O mentiroso faz dois esforços: mentir e segurar a mentira.” JÚLIO CAMARGO. Sei de uma estória em que a mentira feminina foi necessária. MARIDO ainda antes dos 40 anos, idade do lobo, sentiu-se tentado pela vizinha na casa dos 20. ESPOSA com o FILHO ao lado os viu na portaria do prédio, juvenis olhos sorridentes na direção de maduros olhos assanhados, mãos dadas, não brigou, não gritou, pareceu nem ter visto... e engoliu em seco. Duas crianças ainda pequenas. Em seguida, ELA teve uma improvisada “dor de cabeça terrível” e balbuciou vagamente “...marido, eu te amo...” e adormeceu de imediato. Amanheceu. Vestiu a FILHA com aquela capinha que tem um capuz e disse que os três - mamãe, irmãozinho e Chapeuzinho Vermelho - estavam fugindo de um Lobo muito malvado. MENINA ainda inocentinha. MENINO entendeu, baixou a cabeça sob o signo de ‘homem-sofre-mas-não-chora’. Arrumou pequena bagagem, MARIDO saiu para o quartel, a comitiva saiu para a casa de uma amiga e por lá ficaram dois dias inteiros. ELE enlouquecido arriscou alguns telefonemas inúteis. No terceiro dia, quando voltou do militarismo (não podia ficar em casa, ponto de interrogação na testa), a MULHER serenamente corrigia redações escolares, FILHO brincava com antiquíssimos soldadinhos de chumbo, FILHA coloria na cor roxa um lobo de dentes arreganhados. Ganhou coragem e perguntou. Não, absolutamente, o trio não saíra de casa. Ah, ELA “esqueceu”: saíram, sim, bem cedinho, cada um deles para uma escola diferente onde ficaram até a hora do almoço. ELA jurou, esticando a mão direita sobre uma Bí blia imaginária, que tinha sido assim mesmo... MARIDO gripado teria talvez tido uma febre altíssima, quem sabe? Ao que se saiba, ELE nunca mais arriscou: ter uma alucinação de novo? F I M
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Comentários dos leitores

Ficção ou realidade, inspiração na vida, suas personagens femininas são todas especiais ("nada" ciumentas) e você, galã atrapalhado, deve fugir delas igual aluno preguiçoso foge de livro...

Postado por lucia maria em 14-01-2013

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