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SOFAZEIRO-PARTE II: CAFÉ-DA-MANHÃ



					    
RUBEMAR ALVES O CASAL não estava exatamente separado, apenas em “crise... gramatical” (menos grave que crise conjugal). Antes de conhecê-la, ELE escrevera anos e anos, sem precisar de uma professora chata que o atrapalhasse: “Tire a vírgula. Marido e mulher separados, sim, mas nunca separar o sujeito do predicado.” “Epifania e não epifânia! Corrija. Garanto que VOCÊ estava pensando na vizinha Estefânia!” “Pesquise e resuma sobre Buda. Combina com este conto. E pare de rir... EU falei B u d a! Resumo em cinco linhas ao máximo: Nota do Autor é muito importante.” Mandona braba! Poderia bem ter casado com uma professora de matemática. Ou esta o perseguiria diariamente com as contas do orçamento? (“Quero ver agora o seu contracheque.”) A de geografia discutiria clima (“Leve o guarda-chuva.”), extensão das estradas e safras regionais, ELE nunca poderia comer morango ou figo mais caro porque fora de época... A de história poderia embaralhar e humilhar, citando Eva como símbolo do feminismo, Cleópatra como sedução (sempre dizendo: “Os homens são eternos bobos...”), esposas de militares graduados como o Segundo Comando nas Guerras mundiais. Mulheres eternas mandonas e prepotentes contra ELE, um coitado e eternizado ‘pré-adolescentezinho, imaturo e frágil’, mesmo com mais de quarenta anos. Casa grande, porém somente quarto (onde ELA se alojou sozinha, a rainha do “eu-quero-eu-mando-saia-daqui-imediatamente”) e sala (“até que dormir no sofá aberto não é tão ruim assim”). Sábado. Acordaram juntos com o detestável canto do galo vizinho em cima do muro. Não se comunicaram, esperaram clarear. Planos secretos de reconciliação. Descalço, ELE abriu silenciosamente o armário da sala e pegou uma bandeja prateada que ELA trouxera da casa da mãe. Na cabeça dele, surgiu uma grande dúvida, quase crucial: “Café-da-manhã com hífen ou café da manhã sem hífen?” Sacudiu os ombros, a angústia gramatical evaporou, entrou no banheiro, chuveirada rápida, bermuda e camiseta, rua. Esquecera a bandeja. Voltou, ELA não percebeu, pegou. Saiu novamente. Descalça, ELA abriu sem som algum o armário da despensa e pegou uma bandeja de vidro que ELE possuía antes dela. “Vontade de quebrar. Quem comprou? Aposto que o cretino está sonhando com a estrutura gráfica. Já falei ‘mil’ vezes: pelo dicionário Houaiss, o desjejum completo se chama café-da-manhã, com hífen, pois café da manhã, sem hífen, seria apenas um café rápido matinal, tomado de manhã, logo ao despertar.” Entrou no bar, misto de botequim e padaria, escolheu garrafinha de meio litro com chocolate gelado, lata de suco de tangerina, pães doces miúdos com recheio de creme e cobertura de açúcar, algumas fatias de queijo amarelo, torradinhas amanteigadas, patê (dúvida do sabor: pegou três diferentes), geléia de cereja............... e roubou uma rosa amarela do jardim da pracinha onde “no passado remoto” (remoto?) costumavam namorar abraçadinhos. (Ah, certa vez, um pombo distraído voou bem pertinho e... Isso é outra estória.) Arrumou tudo na bandeja, cobriu com papel laminado. Mas onde deixar o presente? Sim, aos pés da cama - seria uma surpresa para a Bela Adormecida, um tanto chata, mas a mulher da sua vida. Ocupada com fogão e geladeira, simplesmente não escutou o chuveiro, água caindo, não olhou na direção do sofá. Aqueceu leite, juntou chocolate, bateu, fez ‘milk shake’ (“ele adora expressões estrangeiras nos contos”), separou suco de laranja, pãezinhos salgados com recheio de muçarela (“ih, vem do italiano, zz vira ç em português, as pessoas em geral não aceitam: piazza, praça”) e cobertura de alho tostado, algumas fatias de queijo branco, metade de um pão francês, patê feito em casa com sobras de carne assada e cebola crua (“Lavoisier ensinou transformações!”), geléia de abacaxi.............. e um vasinho de cactus espinhoso, o gênio impulsivo dele. Arrumou tudo n a bandeja, cobriu com café laminado. Mas onde deixar o presente? Sim, aos pés do sofá - seria uma surpresa para o Príncipe Ficcionista, um tanto birrento, mas o homem da sua vida. Porta abriu e se deram cara a cara, DOIS imbecis apaixonados, cada qual com uma bandeja com os sabores que o OUTRO prefere. Verdadeiras ou não, ELE mostrou a ELA umas bolinhas diminutas encontradas no chão da sala. O grito saiu duplo, uníssono: “Cupim!” (ELA pensou em móveis novos, redecorar o ambiente dele desde solteiro. ELE pensou na despesa com móveis novos, mudar antigos hábitos?) Juntos, risadinhas de emoção, queimaram o sofá. No calendário, o 8 de maio que o mundo inteiro comemora todo ano desde a primeira metade do século XX. Fizeram as pazes e dispensaram durante duas horas a refeição matinal. Nem café-da-manhã nem café da manhã.............. ----------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: MAIO, dia 8, 1945 - Fim da Segunda Guerra Mundial. F I M
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Comentários dos leitores

Quase chorei de tanto rir. Onde você me indica um professor assim, que prepara bandejas carinhosas? Pegadinha - tigela ou tijela??? Vai contar a estória do pombo que............?

Postado por lucia maria em 25-01-2013

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