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FESTEJO SEM...A FESTEJADA



					    
RUBEMAR ALVES “Festejo de quê?” “E EU sei lá?! O que importa é que estamos aqui, na festa!” ---------------------------------------------------------------------------- Um AMIGO do interior de São Paulo fez 25 anos e em hábito antigo, desde garota, ELA mandou cartão sem nenhum pensamento assim muito especial. Exatos 5 meses depois, num outro dia 30, ELA faria também 25. O rapaz mandou carta muito interessante em que filosofava sobre “um quarto de século” para ambos. Ora, data de nascimento aparecia no cartão de ponto do escritório e todo mundo sabia a data, uns dos outros. Comentário único foi ELA falar com uma íntima sobre o que o fulano escrevera... e veio a pergunta fatal? “Você vai comemorar?” Festa de aniversário tivera desde o primeiro ano de idade: nunca falhou! Em casa, parentes e amigos, presentes abertos em cima da cama... Planejaram uma festa-surpresa nos mínimos detalhes. O pai de um colega de trabalho era metalúrgico e, para mais ainda agradá-la, criou (novidade!) duas exóticas e enormes formas de bolo no formato dos algarismos 2 e 5, cheias de curvas. Arrumaram entre as mulheres do escritório quem fizesse os bolos (no mínimo, vinte vezes a mesma receita), recheasse e confeitasse com muita delicadeza - várias rosinhas de massa mole açucarada, comestível: tons suaves de rosa, lilás, azul, folhinhas verdes. Docinhos tradicionais, salgadinhos clássicos assados ou fritos na hora, sanduíches triangulares decorados. Bebidas variadíssimas. ELA ama champanhe; arranjaram taças antigas de pé bem alto. Escolheram com cuidado um salão perto do centro da cidade, condução fácil para todos os convidados. E o tema da festa? Anos 50? Feminilidade, romantismo, colares de pérolas. 60? Minissaia, rock, guitarras. 70? Flores, unissex, psicodelismo. Por acaso, ELA comentara sobre o prefeito PEREIRA PASSOS, engenheiro-inovador, que modernizara o Rio de Janeiro ao início do século XX. “Belle Époque Brasileira”. Um novo Rio de Janeiro inspirado em Paris. Conseguiram cartazes daquele período, ampliaram fotos e cartões postais - paredes enfeitadas. Pesquisaram. Retrocederam no tempo. Alugariam trajes de época em lojas de roupas e artigos para carnaval e teatro. Mulheres enchapeladas e de luvas. Homens de colete, camisa social com abotoadura, relógio de algibeira, cravo na lapela da casaca. E ELA??? Uma das moças sabia o número do manequim - olharam fotos da década e escolheram um vestido azul-céu, cor predileta. O gerente da loja garantiu modelo de *Balenciaga, estilista jovenzinho em 1910 (*Dior ainda estava “nascendo”) Fase primitiva da música popular brasileira. Bom, sendo ELA uma super feminista, haveria ao piano um artista caracterizada de CHIQUINHA GONZAGA. O convite trazia na capa a foto de Olavo Bilac ao volante de um Serpollet e trecho de um poema: “Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade / Solto para onde estás, e fico de ti perto! / Como, depois do sonho, é triste a realidade! / Como tudo, sem ti, fica depois deserto!” O SONHO - fragmento. Tudo programado certinho, detalhes mínimos, minúcia por minúcia. O carro que iria buscar a aniversariante seria branco, sem capota, bem chamativo, almofadas douradas, uma beleza, motorista uniformizado como um oficial militar. Aí, surpresa é surpresa. A AMIGA que sugerira a festa por muitas vezes tocou a campainha, vestido Balenciaga num cabide, traje para a homenageada. A vizinha fez um ar de espanto e deu a notícia: “ELA viajou ontem ao encontro de um namorado Gigante, doutor advogado, que fala inglês e até alemão... A cidade é *Sorôco, não, este é uma estorinha, Socorro, não, ainda não é isso, é no mesmo Estado......” AMIGA e motorista entreolharam-se e foram embora. “Moça, moça, lembrei. Sorocaba, pode ser?” -------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: CRISTÓBAL BALENCIAGA - Estilista espanhol, 1895/1972, um primeiro desenho de moda aos 12 anos, cognominado “o arquiteto da costura”, mais tarde radicado em Paris. CHRISTIAN DIOR - Francês, 1905/1957 - vestido longo, cintura marcada, saia ampla. SERPOLLET - Carro francês movido a vapor, importado. O do poeta foi o segundo automóvel a rodar no Brasil. SORÔCO, SUA MÃE E SUA FILHA - Conto do escritor e contista mineiro JOÃO GUIMARÃES ROSA - livro Primeiras Estórias. F I M
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Comentários dos leitores

Adoro festa de aniversário e você descreveu tudo muito direitinho. Só esqueceu de "me" (para a aniversariante) oferecer uma orquídea lilás numa caixinho transparente. Hummm, So-ro-ca-ba, é?!...

Postado por lucia maria em 01-03-2013

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