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AMOR DO OUTRO MUNDO II: SONHO DE UMA NOITE AO FINAL DE OUTONO



					    
RUBEMAR ALVES Surpreendeu-se com um cidadão maduro, culto, fino, educado e sincero. O choque depois foi tão grande que ELA simplesmente “esqueceu” em que sala de bate-papo entrara. Virgens? Não foi – até já conhece os freqüentadores habituais. Talvez em Lésbicas – por acaso: jamais homofobia nem interesse real. Nunca pedi. Multipolaríssima, colaboradora espontânea e gratuita no que ELA chama de “pesquisa”. Minha amiga carioca entra numa sala aleatória, põe nome feminino (jamais nick extravagante), conversa demoradamente - três horas ou sete dias ou até nove meses - e, “jovenzinha até ao máximo de 22 anos”, encanta o interlocutor. (A real no outono da vida? Talvez.) Depois me passa ao telefone os mais interessantes assuntos tratados e acaba me seduzindo para escrever um conto ou uma novelinha; tem lábia! Um detalhe curioso. Todas as personagens dela nasceram na mesma data, geminianas de 30 de maio, dia de Santa Joana D’Arc, heroína francesa, e inevitavelmente cursam uma faculdade de letras, só serve a federal, que ELA cursou num tempo mais antigo. Super hiper extra imaginativa. Escreve de tal forma que, mesmo contactando por acaso outra vez com o mesmo internauta, ambos sob novos nicks, ELA percebe os detalhes da linguagem do outro, jamais falha em si própria, e ELE não percebe nunca. Porque cada pessoa é uma pessoa, cada vida é uma vida – “cada uma das jovens” te m personalidade e características próprias. Início da noite de um sábado qualquer, digitou que “Só Rio, ao vivo...” e com isso descartaria de cara alguns pretendentes longínquos, no geral mais abusadinhos e já nas primeiras sílabas pornográficos. Viu um nick exibindo RJ, pulou em cima como pequena sapinha. ELE atendeu, conversaram, o artista se especificou músico, mas não informou o instrumento. Na primeira idéia, imaginou-o músico de MPB (não roqueiro) e por ser, nas palavras dele, de antemão declarando-se bem mais velho, veio na memória dela, sem falar, o Beco das Garrafas, uma travessa sem saída, que abrigava um conjunto de casas noturnas, reduto da bossa nova nos anos 50 e 60, em Copacabana. Nem que seja de nome, ‘todo mundo’ conheceu ou ouviu falar. Quem não se encanta com ELA? O artista perguntou intenções dela na sala de bate-papo. Respondeu em incógnita, um tanto filosófica e matemática: “Não sei. Proponha sua equação, fracionarei e analisarei cada fragmentozinho... talvez eu some as parcelas depois. Multiplicar é outra estória.” Conversaram muito, mais um descasado na lista (enorme!), três anos separado, mas voltou – acabou não se definindo retornado ou de novo ex. O que ELE disse, todo homem diz: “...uma aventura momentânea, curta ou longa...” E ELA completou: “...ou o início de uma bela amizade.” - frase enciclopédica, filme de 1942, eternizada muito além dos anos 40: estamos em 2012! A casa dela não é pintada de branco – não tomam chá de menta marroquino. “Quer me ver tocar?” Alguns dias para governantes e povos discutirem no Rio de Janeiro ecologia, sustentabilidade, personalidades estrangeiras de montão, ELE iria tocar o quê para esta gente? Jamais “atirei o pau no gato-tô-tô”... “Cidade Maravilhosa”, do André Filho, ainda vá lá que seja. Ah, e o grande Villa- Lobos também! Empolgado, quis marcar um encontro em 20 minutos no Aterro do Flamengo, perto do centro da cidade. ELA justificou-se morar muito longe, subúrbio distante, antiga região rural (ainda existe ali o palacete onde D. João VI passava os verões), quase em outro município. Helicóptero ou jatinho? Impossível. Só trem mesmo. Saiu-se bem. Perguntou se ELA iria ao centro da cidade no meio da semana: “Sim.” ELA brincou - encontros nas tardes de quarta-feira para um chá na Confeitaria Colombo (tradicional desde 1894, patrimônio cultural e artístico da cidade, onde houvera orquestra, freqüentada no passado por mulheres de chapéu e luvas) e nas noites de sábado como andarilhos a procura de um hotel discreto em Santa Teresa, bairro de artistas, ou na Glória, de alegrias clássicas, históricas, eternas. Convidou-a, então, para o Teatro Municipal. ELA fez piada e citou famosíssimo e simpático pianista, hoje regente (ou maestro?), cuja doçura emocional supera qualquer sofrimento físico, sempre entrevistado na televisão. A voz ELA conhece, porém conversavam agora, sem som, pela telinha escrita do notebook: “Você NÃO É o...” “Não. Mas já toquei várias vezes com ELE, a última vez ano passado.” A jovem estremeceu e gracejou ter encontrado “um gênio fora da garrafa”. ELE negou com modéstia – absolutamente não era gênio, apenas um músico estudioso. Indicou que ELA ouvisse VIVALDI, BACH e duas......... emocionada, MARCELA não fixou muito bem se cantatas ou sonatas, porém anotou Brandenburgo nº 3 e 6 (garanto ao leitor que revolverá o mundo e ouvirá em êxtase). Depois que se despediram, ELA fez uma “pesquisa”, agora cultural mesmo, séria - Vivaldi, barroco, biografia, obras. Na programação do teatro, na data indicada, uma ópera! Inevitável e-mail para ELE: “25 de junho, 20 horas, VIVALDI – ópera GRISELDA, de 1718.” (E pelo resumo da estória no site em duas ou três linhas, concluiu que o nome da personagem homônima, em recente telenovela, saiu dali.) ELE respondeu às 23:20, parabenizando pela descoberta detetivesca e querendo estabelecer amizade. Escapar como peixe que não se deixa agarrar com as mãos. Ou como um fantasma. Lembrou-se de que sob esse tema EU tenho um conto muito delicado: AMOR DO OUTRO MUNDO. Indicou a leitura. Tempo escorrendo na ampulheta, sem perceber encerrara o segundo e-mail para ELE a dois minutos da meia-noite. Não poderia falhar um segundo. Testou em “Salvar rascunho”, saiu o horário idealizado, enviou com o reloginho do computador marcando exatamente 00:00, a Hora Grande, a hora mística da magia e do mistério, como se diz no espiritualismo... nunca a hora do medo. Processo evolutivo de todo ser humano. Assinou: “MARCELA (fantasma sem ópera)”. Terceiro e-mail para ELE. Sentia-se uma ninfa, quase desnuda fada sem asa, leve e delicada, acordada pelo som doce e melodioso da flauta de um pan ainda bastante moço. “Você, um artista, idade sempre emocional de 30 anos.” Resposta no outro dia. Também 00:00. ELE adorou a descrição mitológica a que chamou de “Prelúdio” – assim mesmo: letra maiúscula e entre aspas. Leu o conto. Mas capricorniano, deve ter pelo menos um dos pés na terra, bases sólidas. MARCELA vai muito breve se esvair no ar, como fumaça. Sim, porque é geminiana – signo de AR, seu elemento vital. Afogar-se (ÁGUA), queimar (FOGO) ou enterrar (TERRA), não vai, seria contrariar a natureza dela: comunicativa, diplomata, instável como o próprio vento... Aliás, multipolaríssimas, minha amiga e ELA! F I M
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Comentários dos leitores

SugestãO: Pesquisadora perfeita, inteligentérrima, colaboradora, exibida, espontânea, fique com ELA! Pesquisadora humilde Ratinha, esforçada, lutadora, mas "chaaata", dispense(-me)! Conto espetacular. Amei...

Postado por lucia maria em 03-03-2013

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