Página inicial do portal Autores & Leitores
Quem  |  Autores  |  Leitores  |  Associados  |  Mural  |  Dúvidas  |  Contato  |     PUBLICAR    |
Entrar | Registrar
 Esqueci minha senha
Anúncio KD Inovações Tecnológicas

Área dos LEITORES

Colunistas

Autores Consagrados

Quadrinhos

Bibiotecas Virtuais

Livros

Novos autores

Downloads

Lançamentos

Ofertas

Informações

Autores & Leitores  >  Leitores >  Novos

Apresentação de trabalho publicado

Caro leitor,

Sinta-se à vontade para ler este trabalho e deixar seus comentários.

Bons Textos!




< Visite a Página Pessoal de ATHINGANOI >


VADE MECUM-"Vá de mecum?



					    
Rubemar Alves GAROTO nitidamente desatencioso e desajuizado. Por outro lado, positivamente atirado, impulsivo, destemido, pra frente. ÁRIES. Estava muito difícil para o pai sustentar sozinho a família. Quatro filhos, embora num tempo já usual de pílula, mas às vezes, sabe como é, não pode faltar dinheiro para o leite ou a televisão de quinta mão resolve enguiçar, casal vai dormir mais cedo, acontece... Tinha fascínio pelas palavras, predestinado a ser um ESCRITOR antes dos quarenta anos. Durante muito tempo, o GAROTO pensou que “primogênito” era ser primo... do Gênito, talvez filho de alguma tia distante, avô viajava muito a serviço pelo país inteiro, em assunto de gente madura GAROTOTE não mete o bedelho. Macho, agigantado, sete namoradinhas (ou somente três?), mas ainda 14 anos... Vizinha chamou para biscate de um dia no comércio do marido, agradou (sedutorzinho!) e acabou ficando no emprego. Por conta própria, arrumou vaga na escola noturna, trouxe os papéis, pai/mãe (fez questão dos dois) só precisaram assinar a ficha de matrícula. Professores e colegas do dia fizeram festa de despedida. Bolo gelado com recheio de abacaxi e creme de leite. Empacotador e entregador de bicicleta num mercadinho perto de casa. Mas a ambição falou mais alto e, de novo por conta própria, rasgou um pedacinho do jornal de anúncios com que deveria forrar o cesto do banheiro (Deus sabe todos os nossos caminhos retos!), alegou súbita dor de cabeça para o patrão português ‘sãopaulino’, ambos convictos, perdedores da véspera num terrível pênalti (narrador fanático também...), e foi tentar um emprego de melhor categoria. Novo PATRÃO atrapalhado sem ser trapalhão trapaceiro vigarista. Muita lábia de GEMINIANO. Imediatamente negociou a vinda imediata do GAROTO oferecendo ao ex-patrão um empregadinho que estaria dispensando naquele dia – exímio ciclista, vocação nenhuma para papéis, arquivos e idas a correio e bancos. Nosso HERÓI em três minutos se apaixonou pelo escritório, pela profissão que pobre geralmente desconhece (ou teme por bobeira!) e pelo ambiente de mulheres bonitas, cheirosas e chorosas que vinham requerer pensão do “mau” (?) e rico marido. PATRÃO abraçava e beijava... respeitosamente no rosto... a maioria delas. E ainda era chamado de DOUTOR. Isto, sim, é que é vida boa! Desatencioso ELE tinha sido na sua vidinha de muito jovem, meio avoado às vezes, mas com esse modelo de ADVOGADO intelectual passou a observar detalhes com que nunca se preocupara antes. Juízo veio no momento certo. Mesmo a vizinhança notou isto. Os pais se derretiam com o primogênito, agora modelo para as duas irmãs e o irmão. O PATRÃO era o que hoje a psicologia moderna chama de hiperativo – executava diversas tarefas ao mesmo tempo, concluía ‘mais tarde’ ou ‘no outro dia’, misturava assuntos e pessoas, falava inglês e italiano, esboçava alemão, galanteava a branquela cliente nissei com palavras soltas de japonês, entupia mesa com papéis diversos, livros de Direito e de mitologia grega, e em minutos logo deixava tudo na mais absoluta ordem, jamais trocando pastas, gavetas de arquivo ou prateleiras da pequena biblioteca. Enrolava todo mundo. Vencia sempre incríveis questões, até com aparência de impossíveis. Filho de Mercúrio! Nosso AMIGO se sentia misto de deslumbrado (“Quero ser assim um dia!”) e irritadiço (“Não quero jamais ser assim!”), porque era para “ir ao banco”, aí “não precisa mais”, ou então “telefone para o juiz Xavier” ou “não telefone porque para todos os efeitos estou no Rio de Janeiro, isto é, em Curitiba, não, melhor não explicar nada ou dizer Campinas?” - doidinho o PATRÃO que endoidecia ELE. Mas os vínculos afetivos iam se aprimorando entre os três no escritório. Aprendeu informática ali mesmo com a SECRETÁRIA sofredora, que um dia ganhava rosas e no outro dia tremenda bronca. ELE a demitia em palavras confusas, de indeterminada significação, ao final da tarde, a moça nem ligava ou perdia o sono, e a cada manhã ELE pedia que ELA “deletasse” e esquecesse o mau humor da véspera. Bom salário, ambos permaneciam. E se divertiam com as excentricidades do ‘CHEFINHO’, palavra-chave para hipnotizá- lo em segundos: “Chefinho manda, secretária obedece.” Em pouco menos de um ano tornou-se “secretário da secretária” e até recusou férias. Curso de inglês bem cedinho, escritório só abria às nove e meia. PATRÃO, enlouquecido como sempre, mandou que ELE digitasse um texto traduzido para levar a certo consulado (bastava rubricar), bilhete de despedida a uma namorada incomodativa (bastava um rabisco), ao correio despachar o bilhete e pegar uma encomenda, comprar um carimbo com a palavra URGENTE, trazer revistinha de palavras cruzadas, depositar três cheques, passar na livraria jurídica e perguntar ao gerente quando... quando... quando (esqueceu ou confundiu?!)... ELE só escutou o grito: VÁ DE MECUM! E imediatamente se trancou na salinha particular para um cochilo. Bom, a pensar que veículo seria aquele. A SECRETÁRIA ausente. Táxi não devia ser, a menos que a encomenda fosse pesada, mas aí seria VENHA DE MÉCUM! Uma nova linha de metrô ou de ônibus? Não havia a quem recorrer e as atividades eram para aquele exato dia. Será que não escutara direito? Pegou o dicionário e consultou m e c, ‘mécum’ deveria estar ali. Achou “MECENAS – protetor das artes e das letras”. Não tinha lógica “ir de... mecenas”. Logo abaixo “MECO – indivíduo/sujeito libertino; espertalhão/atrevido”. Pegar carona com o vizinho esperto, que há pouco tempo se libertara de uma esposa traidora? E se não estivesse indo com o carro naquelas direções? Achou “MECÔNIO – primeira evacuação do recém- nascido”. ELE já bem cres cidinho e sem vontade de ir ao banheiro naquele momento. Finalizou com “MECÓPODE – que tem pés compridos”. De fato o pé crescera muito neste último ano. Seria “VÁ A PÉ”? Impossível. Escritório em bairro nobre, longe do centro da cidade. Pegou o metrô, saltou na estação do consulado, depois caminhou um tanto apressado, correio era perto, despachou o envelope, a encomenda era um boné do Flamengo, comprou o carimbo e a revista, depositou os tais cheques (um deles perfumado a jasmim e manchado de batom). E a livraria? Não sabia o que perguntar ao gerente, mas pode ser que este tivesse uma resposta para a pergunta não efetuada. Já o conhecia e ouviu da recepcionista a clássica pergunta “...água, café ou suco?” sempre dirigida a clientes VIP – very important person. Bom, estava ali representando o ‘senhor-doutor-afamado-advogado’. “Ah, caríssimo, você veio buscar o VADE-MÉCUM? Chegou ontem uma edição atualizadíssima, com as mais recentes mudanças jurídicas. Capa azul ou marrom?” (Secretamente pensou na cor de XANGÔ, o orixá da justiça, que o patrão muito admirava. Azul era de OGUM, guerreiro, mais combinava com ELE, porém descrente.) “Marrom.” E o homem mais velho, uns 45 anos, também advogado, entregou ao jovem (futuríssimo advogado) um livro bastante volumoso. Sorriram-se mutuamente, apertaram-se as mãos e ELE teve sua primeira lição da língua latina. -------------------------------------------------------------------------- Nota do autor: VADE-MÉCUM - (adapt. do latim ‘vade mecum’) – qualquer livro de conteúdo prático e formato cômodo, e muito consultado; em linguagem jurídica, conjunto de leis compiladas no mesmo livro. F I M
Copyright ATHINGANOI © 2013
Todos os direitos reservados.
Este trabalho já foi visitado 497 vezes.

ENVIE este trabalho para um(a) amigo(a). ESCREVA para ATHINGANOI.

Comentários dos leitores

Não é uma comédia, mas ri às gargalhadas. Quem é o mais enrolado: o advogado ou o secretário da secretária? Se tiver vaga, me convide para trabalhar. A d o r e i. Assinou Athinganoi, parabéns!

Postado por lucia maria em 07-03-2013

COMENTE ESTE TRABALHO, DIZENDO QUAL FOI A IMPRESSÃO QUE ELE LHE CAUSOU.





AJUDE-NOS a manter o bom nível deste portal!

Se você achou que este texto é ofensivo, imoral ou que fere
a nossa POLÍTICA DE USO, por favor, AVISE-NOS!




Autores & Leitores
  • Copyright A&L © 2005-2013
  • Todos os direitos reservados.