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COINCIDÊNCIA RARA



					    
RUBEMAR ALVES O PAI da minha AMIGA, português de nascimento, esclarecia sempre: “Portuga é quem vem crescido, somente para trabalhar e encher a “burra” (para eles, a arca, o cofre; para nós, a poupança) de dinheiro. Cresci aqui (e inventava palavra): sou brasiguês!” Dizia-se muito doente, com dores no corpo inteiro, por dentro, por fora... e a ESPOSA, brasileira em gerações a perder de vista, até talvez mesmo um bandeirante, acrescentava: “Até no imaginário mentiroso e carentinho, que está agora muito mais inchado...” Em dia de futebol, ELE ficava bonzinho para muitos copos de vinho da região do Douro (sempre havia quem lhe trouxesse o legítimo em pequeno barril) se o “time do Almirante” ganhasse, caso contrário era o que chamava de jejum parcial: quatro vezes ao dia apenas chá de hortelã com limão (tolerável o siciliano, galego nunca!) e sanduíche enorme de pão preto com maionese, mostarda escura e bacalhau desfiado. Dieta exótica! Mas cismou que era o fim da vida e queria porque queria rever um PRIMO de quem se considerava quase irmão, nascidos com apenas um dia de diferença. Vieram juntos no mesmo navio, houve um encalhe esqueceu onde e levaram exatamente 33 dias para chegar ao primeiro porto no Brasil. Uns saltaram logo, outros continuaram na direção do Sudeste-Sul. ELES continuaram. Daí, que se abrigaram todos em casa de parentes, número 33 de uma rua onde havia muitos patrícios e ciganos; um destes leu a mão de todo mundo recém- chegado e previu para ELE um futuro de muito trabalho, muito progresso, e que casaria ao completar 33 anos (“Antes, non puede, corre o risco de ‘cuerno’, traição!”) com uma moça estrangeira - ‘zoiúda’, grande olhos azuis como os lendários olhos de Nossa Senhora. Lusitanos devotos, estes não gostaram nadinha da palavra ‘lendários’, houve quem desculpasse, talvez o cigano, espanhol de Andaluzia (Sul, em 3.000 anos terra de invasores fenícios, cartagineses, romanos, árabes e...... ciganos) por certo não se expressara bem, talvez quisesse dizer bonitos... O que previu para o OUTRO menino? Impossível saber. O cigano gaguejou, tossiu, engasgou-se e disse uma longa frase em romani, que apenas explicou ser a língua do ciganos, e outra em latim, que aprendera andarilho tribal pelo Vaticano: *“Veritatis simplex oratio”. Não traduziu nenhuma das duas sentenças. Estudou muito. Boas escolas públicas, em segredo *paixão platônica e paixão utópica por muitas mestras, havia quem o tratasse bem até demais, tentando-o, encostando nele num falso sem querer, exibindo na roupa justa o fruto “redondo e estufado” de nossa esplêndida miscigenação racial (única no mundo, amém!)... Sempre junto com o PRIMO. Receberam ainda bem jovens parte de uma herança de terras de avoengos que chegou do além-mar em boa hora: a hora dos sonhos de dois jovens de ainda 18 anos. Montaram um botequim, que depois de algum tempo cresceu, progrediu e vir ou um, dois, três restaurantes de comidas típicas. (Leitor quer alguma receita?) Conheceu a ‘zoiúda’ dos olhos claros, onze anos mais jovem que ELE, por acaso professora de literatura portuguesa (aquela que compara Camões com Vinícius, decora e suspira!), ELE fascinado pela carreira, declarava a viva voz “atração especial por professoras”, resistiu à tentação de cama com a virgem radical e não casar antes dos 33 anos. O PRIMO tinha outras idéias. Desfez a sociedade ainda no tempo do primeiro restaurante, havia um advogado e ao mesmo tempo contador honesto que cuidou certinho do que era de um, do que era de outro, abriu conta num banco de muitas agências em todo o Brasil... e sumiu no mundo. Prejuízo nosso AMIGO não teve, comprou a parte do outro, só lamentando perder o quase irmão, e prosperou muito mais sozinho. A MULHER colaborava pesquisando receitas culinárias. Dezenas de cartas trocadas durante anos, PRIMO sem pouso certo, ora estado de São Paulo, ora Minas Gerais, até que as c artas foram escasseando e muitas voltando. Silêncio epistolar. Contando vantagens de macho ou não, quando escrevia, de tempos em tempos mudando de região, contava ora estar “amigado” (eta palavra ridícula - para mim, “juntado com fé, casado é!”) com uma loura, ora com uma morena, depois uma negra, uma mulata, uma índia, uma japonesa, uma alemã, até uma “gringa” (que não define a nacionalidade exata). Cartas lidas em família, sob gargalhadas gerais. Em se tratando de português, DNA de descobridor e conquistador do mundo bem antes de 1500 e de muitas mulheres ao redor do planeta, por que não? Duvidavam, embora tivesse boa estampa, altão, espadaúdo, Gigante não-mítico-Adamastor do “jardim da Europa à beira- mar plantado”... Frase belamente patriótica, leitor concorda plenamente? Ah, e muita lábia com as mulheres em geral. Mas aí nosso AMIGO cismou porque cismou de rever o PRIMO. Como achá-lo num país tão grande? (E se tivesse voltado para Portugal?) Pensou-se em jornais? Qual? Em que cidade? Nem tentaram. Televisão. Até em tribos indígenas existem antenas parabólicas. Ainda não. Listas telefônicas online. Sim. 102, Brasil quase todo, 123, o Estado locomotiva do país. Mas qual cidade? Onde? Voltaram a estaca zero. Ora euforia e muito vinho pelo Vasco da Gama ora macambúzio com a soma de mil (falsas) doencinhas. Mulher de décadas passadas trocava de sobrenome ao casar (conheço uma que detesta isso porque se sente “objeto possuído” e o sobrenome ridículo não lhe deu honraria ou santidade alguma!). Homem jamais (o possuidor?), até se casasse legitimamente. ELE continuava nomeado como nasceu. Sugeriram redes sociais, o tal do famoso PRIMO não constando de nenhuma. Em último caso, em grave fuga, nunca se sabe, poderia ter trocado de identidade ou feito mesmo alguma plástica no rosto. Pensou-se na antiga conta bancária. Banco só informaria alguma coisa, uma localidade, digamos, com mandato judicial, porém um gerente de uma agência aleatória viu no computador, havia apenas um endereço de caixa postal para correspondência de extratos e garantiu que ELE recebia tudo. Aí, naquela inspiração que surge do nada que é tudo - “Minas Gerais? Pois bem, talvez uma pista...” Alguém, acostumado a viagens para descanso, informou que portugueses gostam muito de São Lourenço, no sul do Estado, quem sabe? Folhetos geográficos e Internet, fizeram contato com a emissora de rádio local, pedindo colaboração direta via microfone. Nada ainda. O locutor comentou que havia um serviço de alto-falantes, um homem andando para lá e para cá com uma kombi anunciando re staurantes, hotéis, produtos da região, dava até recados românticos na voz de duas moças que dizia serem suas filhas. Falou detalhes: uma loura quase desbotada de tão branca, outra morena clara, olhos nitidamente amendoados Assim se fez. Redigiram o anúncio de saudades, incluindo o número do telefone da casa do lusitano, DDD 21; digitaram para a emissora, enviaram o dinheiro do tal anúncio. Contratado o serviço de anúncios, o locutor ouviu exatamente isto: “PQP!!! Pois se é o meu PRIMO a minha procura...................” Emocionados, conversaram animadamente à distância, o PRIMO contou suas aventuras verdadeiras por todo o país e lá veio... ... a frase fatal: “Tenho 33 filhos...” Cumpriu-se o ‘veredictum’ (de novo latim) do cigano revelador. --------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *Tradução - A verdade dispensa enfeites. *Paixão platônica - idealizada, pura, calma, desprovida de loucuras e arrebatamentos. Paixão utópica - ânsia recíproca de paraíso perto da perfeição (dois = um só), porém doentia, opressiva, ciumenta, acusadora, violenta, rancorosa de sufocar emocionalmente e capaz de matar o outro se não houver igual intensidade. F I M
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Comentários dos leitores

Texto altamente intelectualizado, cheio de mil voltinhas. Nossa, você dá aulas sem perceber. Um dia vai virar livro? P a r a b é n s e carinho, sempre.

Postado por lucia maria em 10-03-2013

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