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O ENTERRO DOS URUBUS



					    
RUBEMAR ALVES A casa dela é coberta com telhas de amianto, onduladas, grandalhonas. Bom, EU não vou questionar aqui bases científicas de toxicologia................ ELA deitou às duas da madrugada, casualmente após bate-papo descompromissado com um engenheiro civil de Curitiba (premonição?) que explicara bastante sobre este assunto. Acordou às cinco horas com um barulho terrível no telhado. Espiou a varanda e o enorme chão de grama. Pensou “Alta. Vi ontem. Precisando aparar.” Nem chuva nem vento. Esperou. Não viu nada nem ninguém. Ladrão destelhando a casa? Impossível. Abaixo das telhas, a laje. Ladrão chegaria a um grande espaço vazio, extensão da casa inteira, com apenas uma caixa d’água. “E se colocar cianureto?” Excesso de imaginação. “Imaginação, é?!” Lembrou. Numa época de terror, correu esse boato numa grande ilha do Rio de Janeiro, e - pela dúvida (?) - durante algum tempo revezavam-se dia e noite os militares da farda branca e os da aviação, vizinhos do aeroporto internacional. Nunca se vendeu e comprou tanta água mineral engarrafada... Aí, não dormiu mais. O barulho diminuiu, escutou algo parecido com gritos agudos e enrouquecidos ao mesmo tempo, som de um fardo pesado atirado ao chão. Lembrou. *“Um corpo que cai”, cinema. Depois o Grande Silêncio. Aqueceu leite, mexeu café solúvel (ave, São Paulo!), sanduíche de queijo branco (ave, Minas Gerais!). “Primazia? A quem EU amo acima do outro?” O pensamento dela é totalmente disperso, mistura mil assuntos contrastantes ao mesmo tempo, enlouquece todo mundo que a escuta ou lê, depois estrutura e une as partes, e ainda pergunta: “Não é simples?” N-ã-o! Lembrou. Quatro anos de latim, na escola municipal, não conseguia aprender as declinações, odiava; um ano de latim, faculdade federal, nem sabe como, mas aprendeu, amava; ah, o amigo advogado paulista digita e-mail e ELA traduz aleatoriamente de propósito, o que o deixa furioso: “Amoras dadas por amor irado podem ter veneno injurioso.” Como se diz popularmente, isto ELA sabe de cor e salteado. AVE - “palavra latina: expressão designativa de cumprimento, saudação; igual a salve”. Ultimamente, fixação em latim. “Ave, Maria, me ajude a esquecer um amigo muitas vezes ingrato e desatencioso, cheio de graça....................” ELE, um quase ave de rapina com grande ambição, que não vê obstáculos para atingir o que deseja. Em todo caso, qualidade honesto - não derruba rival. “Salve, Estrela do Mar, Iemanjá, deusa poderosíssima, mãe e advogada de todos que navegam no mar agitado da vida!” Computador. Do iorubá, idioma africano, “Yéyé mon ejá”, depois evoluiu para “Yemonjá”, significando Mãe cujos filhos são peixes. Como seria este “ave/salve” em terras da África? Não é hora de continuar pesquisando etimologia. Nem rezas. Desenho animado na tevê. “A esta hora?” Personagem urubu, produção Hanna-Barbera, roupa elegante, andar desengonçado, perseguindo “minhocão” que se enrosca no pescoço dele. Ah, e se for cobra? Horror. Desligou. Perdera o sanduíche. “Quem roubou?” Achou em cima do sofá onde ELA ‘acha’ que não estivera. Nesse meio tempo, amanhecera. Dois enormes urubus mortos. ELA se diz altamente intuitiva. Pode ser. A um amigo em idade de ser avô, “previu” pai e avô ao mesmo tempo - ELE morre de medo da frase-clichê “tenho-razão-até- quando-não-tenho- razão”, que ELA conhece há anos e pronuncia enfática. Bebezinho rebelde encantador desde a sala de parto - cara e personalidade do pai. Dicionário. AVE - desta vez, “animal vertebrado, ovíparo, de respiração pulmonar, sangue quente, pele coberta de penas, asas para voar, bico córneo e desdentado”. “Não, nome de telenovela era LIVRE PARA VOAR, ambiente mineiro de Poços de Caldas”. Lembrou. Saudades de quem digitava em piada: “Uai é uai, uai.” O que fazer com dois monstros *‘mais-negros-que-a-asa-da-graúna’? Hoje é sexta, não é dia de lixeiro. No folclore, sexta-feira é dia de urubu. “Ué, o meu amado Flamengo joga hoje?” Enterrar num lugar qualquer do terreno. Carne humana (humana? EU digo sempre que ELA é meio doida...) fertiliza a terra. Ou cremar? Não. Seria muito luxo. E espalhar a cinza aonde? A fênix da mitologia grega? Urubus renascidos de suas próprias cinzas? Convocou um menino da vizinhança. Veio, saiu correndo convidou três colegas e uma menina. Exigiram velório. “Como assim?” Na escola, estavam justamente estudando costumes regionais do nosso Brasil tão grande. Num tempo curto, a garotada comprou na vendinha local biscoito de polvilho, do tipo que se esfarela na boca, pão-de-queijo, espiga de milho cozida, colocaram limonada numa garrafinha vazia de cachaça, mas com rótulo, ELA fez café, apareceu um violão, a “carpideira” se enrolou num pano preto e “chorou” muito. Como na Grécia e no Egito Antigos, estas em traje branco. Cantaram louvores inventados e um deles perguntou de repente: “Machos ou fêmeas?” Dúvida cruel. Interessante a expressão horrível “matar para defender a honra”. Talvez machos, dois bichos enormes como certos Gigantes masculinos de 1.80. Ouviram à distância um grasnido e pareceu uma “urubua”, bem menor, espiando à distância. Agora sem dúvida nenhuma: o marido e o amante mataram-se um ao outro. *Capitu, ambígua (seria Geminiana?), traiu ou não traiu Bentinho? Um “compadre” gigantesco logo apareceu, que viúva nem sempre fica viúva para o resto da vida, e voaram juntos na direção do sol, como em certos finais do cinema norte-americano. Um “padre fajuto”, enrolado em toalha de mesa de plástico furadinho, por acaso auxiliar de um verdadeiro, deu a bênção, todos de mãos dadas: “Requiescant (plural) in pace.” A “carpideira” falou Shalom! Depois colocou flores vagabundas (a tal da maria-sem-vergonha... de germinar em qualquer lugar), brancas e roxas, sobre os dois cadáveres. Vai sem caixão mesmo. Haverá *memórias póstumas? Lembrou novamente. “Plantar um jardim é como parir um filho. É preciso que o jardim se forme como sonho.” RUBEM ALVES O jornal mural da escola estava sem assunto novidade para esta semana. Acabado o cerimonial, ELA cantarolou sozinha: “...cena de sangue num (bar) telhado da (avenida São João) praça.......” Desculpe, PAULO VANZOLINI. --------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: UM CORPO QUE CAI - filme norte-americano de (grande) suspense - 1958 - direção de Alfred Hitchcock. IRACEMA - romance de José de Alencar, escrito em 1865. DOM CASMURRO - romance de MACHADO DE ASSIS, escrito em 1899. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - romance de MACHADO DE ASSIS, escrito em 1880. F I M
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Comentários dos leitores

Esse conto poderia ter sido escrito por mim, mas não foi. Por que digo isso? É uma grande e embaralhante "salada" geminiana, o pensamento do leitor vai para lá e volta, ele fica doidinho... e aprende. A d o r e i!

Postado por lucia maria em 23-03-2013

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