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PRÍNCIPE-PRINCESA-DRAGÃO OU JORGE-BÁBARA-JERÔNIMO???



					    
RUBEMAR ALVES JORGE e BÁRBARA eram oficialmente casados e atravessavam no momento a famosa “crise dos 7 anos”, quando a rotina e o tédio tornam o amor a um passo da indiferença e do quase total desinteresse. É terrível o desamor... O padre dissera e juntos repetiram em coro, olho no olho, apaixonadíssimos: “Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza...” Doença?! Pobreza?! ELE, forte taurino de 23 de abril, mais parecia saído de uma arena espanhola, engenheiro metalúrgico, dirigente empresarial, vestia-se preferencialmente na cor azul. Jeans claro, camisa de malha, bem justas, fazendo sobressair a musculatura. ELA, sagitariana de 4 de dezembro, nascida numa noite de muita ventania, crescera agitada e palradora, preferia o vermelho, bem sensual e escandaloso. Era adolescente quando começou vendendo leques e ventarolas de porta em porta, e como vendia! Casada, acabou abrindo uma loja de artesanato, em agitação e inquietude eternas. Quando flagrada falando sozinha, tentava explicar: “Que nada, gente! Minha avó está aqui do meu lado, a bisavó que nem conheci... E um tal de ‘mentor espiritual’. Estamos conversando. Vocês são bobos. Medo nada.” Só ELA enxergava. Almas penadas ou já libertas? Ninguém acreditava. Impressionante! UM até hoje não conhecera ninguém da família do OUTRO pois as cidades eram muito distantes. JORGE, baiano, nascera e ainda havia familiares em ILHÉIS, sul da Bahia, região do poderoso cacau... (Ah, a antiga SÃO JORGE DE ILHÉUS! Como e por que mudaram o nome da cidade, meu Deus? Tempo antigo de Gabriela, a morena mais cravo e canela que o mundo já viu.) JERÔNIMO surgiu de repente - elegantíssimo, terno e calça na cor marrom, peças de alfaiataria granfina (loja popular jamais!), só faltava um manto de rei, gravata italiana legitimam prateada como um raio celeste, e em minutos se enamorou da cunhada. Advogado e sindicalista, justiceiro, libertário e conquistador extremo, ah, tinha muita lábia! BÁRBARA logo se sentiu atraída, mas segurou a emoção. Amava o marido. No que se cumprimentaram e ELE a beijou ainda cerimoniosamente no alto da cabeça, o coração da moça disparou ao mesmo tempo em que trovejou forte, apesa r do céu azulzinho, sem a menor nuvem. A casa pareceu tremer por três segundos. Eparrei! De férias, hospedado num hotel-fazenda, com piscinas, riacho, cachoeira e três pequenas grutas, dispensou tudo isso e passou a visitá-los diariamente, pouco a pouco seduzindo a cunhada com selecionadas frases de fácil conquista. Gostava muito de amalá, veio da rua já trazendo as compras: quiabo, rabada (dispensou peito de boi), camarão seco, fubá branco, azeite de dendê e cebola (que ELE mesmo ralou, depois); ensinou a receita afro- baiana, delícia dos deuses, e sugeriu que a cunhada cozinhasse para ELE. Foram juntos para a cozinha, rindo bastante, e JERÔNIMO, num tramadíssimo ensaio de “substituição” amorosa, colocou o avental que JORGE usava nas domingueiras festivas e musicais de c hurrasco na laje da casa de dois andares. Na véspera, consultara uma pomba gira bem arretada. Os dois à mesa para o almoço, JERÔNIMO discretamente assoprou um pó mágico sobre a comida de BÁRBARA, que logo sentiu a garganta em fogo; achou que exagerara na pimenta... Ou seria o fogo da paixão? Imediatamente ELE a beijou e foram para a cama. A princesa e o dragão dos contos de fada - aquele que solta fogo e queima cidades inteiras; ESTE, acostumado a incendiar corações desprevenidos. JORGE, que encurtara a viagem de trabalho por saudades da mulher, surpreendendo-os em pleno idílio amoroso e se desesperou com a traição das duas pessoas que ELE mais amava no mundo - o irmão e a esposa. Expulsou-os da casa imediatamente. Como que sumiram na ventania ou “num rabo de foguete”, como na canção popular. A partir daí, tornou-se um eterno viajante: engenheiro ferroviário, abrindo estradas e caminhos por todo o país. BÁRBARA e JERÔNIMO se tornaram marido e mulher, felizes como se nunca tivessem tido outro amor na vida. Amam-se principalmente no quintal de casa, ao ar livre, sob a bênção sonora e brilhante de VENTANIAS, trovões, RAIOS e tempestades. ------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: SÃO JORGE - Nasceu na Capadócia, província romana no interior da atual Turquia. Criança, foi morar na Palestina. Adulto, fez brilhante carreira no exército romano, como cavaleiro, tribuno militar e orador revolucionário político defendendo em Roma os interesses do povo. Passou a ser cristão e atraiu a ira do imperador Diocleciano, que o tomara por conselheiro. Foi submetido a várias torturas e sua coragem inspirou várias conversões, inclusive de outros militares e até da esposa do imperador. Degolado em 23 de abril do ano 303, tornou-se depois um dos santos mais venerados no mundo. - Sincretizado nas religiões afro-brasileiras, ora recebe o nome de OXÓSSI (na Bahia) ora o nome de OGUM (no Rio de Janeiro). SANTA BÁRBARA - Nasceu na cidade de Nicomédia, na atual Turquia. Virgem martirizada no final do terceiro século por ser cristã, viveu quase toda sua curta vida confinada na torre de uma fortaleza, na Ásia Menor - degolada pelo próprio pai, homem rico de origem nobre, levantou-se uma tempestade logo após a execução e seu carrasco foi fulminado por um raio - protetora contra raios e tempestades e também venerada pelos militares, pelos escavadores mineiros e trabalhadores que lidam com fogo. - No sincretismo religioso, é IANSÃ ou OIÁ, deusa do rio Níger. SÃO JERÔNIMO - Nasceu no ano de 331 e morreu em 420 com 90 anos de idade. Sacerdote, doutor da igreja e santo dos primeiros séculos do Cristianismo, por muito tempo morou em Belém, onde se dedicou ao estudo e à tradução da BÍBLIA do hebraico (Antigo Testamento) e do grego (Novo Testamento) para a LÍNGUA LATINA. Esta Bíblia traduzida é a que passou à História com a denominação de “Vulgata”. Consta que vivia numa gruta de pedreira, tendo a seu lado um leão. - Sincretizado com XANGÔ OGODÔ, mais maduro, não muito velho. - Ambos festejados a 30 de setembro. F I M
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Comentários dos leitores

BÁRBARA (cadê o 'r'?)... Intertextualidade africana. Em verdade, "nós" somos índios-portugueses-africanos, o único país do mundo com tal mistura sadia e gostosa. A d o r e i a estória!

Postado por lucia maria em 31-03-2013

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