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NÃO FOI FEBRE



					    
RUBEMAR ALVES Um AMIGO foi a um hospital particular para rotineiro exame de sangue. Iríamos depois ao shopping para o café da manhã, em seguida a uma livraria especializada em Direito. Preferi esperá-lo na entrada - há um pátio grande que funciona como estacionamento, porém não fiquei dentro do meu carro: bom olhar o movimento da rua. Não sei se me tomavam por um novo porteiro sem uniforme ou médico sem jaleco, EU numa camisa de malha verde-água e bota curta de couro por fora das pernas da jeans azul clara. Um senhor extremamente idoso, em cadeira de rodas, tirou o boné para me cumprimentar, gritou “Welcome to Brazil! (bem vindo ao Brasil), riu ostensivamente, disse que o carnaval já passara e me chamou de “JOHN WAYNE II” - coitado, achei que era caduquice e ajudei a colocá-lo no veículo da família. Muita gente entrando - “bom dia” - e outros saindo - “muito obrigado/obrigada”. Quase todos me saudavam com o maior sorriso, procurei responder na mesma linguagem, outros agradeceram, falei “não há de quê” para os homens e “volte sempre” para as mulheres: clientela feminina excelente, sem dúvida alguma, bastante... (no mínimo) educadas. Hahan (pigarro saiu sem querer)! 1 - O carro. Ao longe, vi uma coisa aparentemente redonda se aproximando em meio a um trânsito constante para lá e para cá. Bem na minha direção, porém do outro lado da rua bastante larga, como na antiquíssima cartilha de “Eva (ou Ivo ou Vovô...) viu o ovo”, EU o vi. Um carro comum, calculei com dois bancos, todo vermelho. Comum, não - era um gigantesco ovo metálico, de marca desconhecida - na memória, puxei imaginariamente fabricante russo ou japonês, modelo inédito. Evidentemente possuía pneus ou não andaria, mas carroceria construída de tal forma que não d ava para ver se dois ou quatro pneus. EU não vi sozinho. Neste lado da calçada, um “oh” de espanto, os caminhantes vacilaram parados por um minuto, logo o “ovo” seguiu em frente. Filme? Telenovela? Marketing? Encomenda única de um comprador extravagante? Escrevo FICÇÃO em geral - melhor não contar nada, meu AMIGO diria que estou materializando as minhas criações. 2 - O casal de noivos. Um avião passou muito baixo, não sei a quantos poucos metros do solo, e um paraquedas duplo começou a cair certinho, reto, também do outro lado da calçada. A noiva em roupa tradicional, vestido branco, apenas não longo, na cabeça arranjo de flores miúdas e um veuzinho até a altura dos ombros, buquê verde e roxo - pareceram folhas e violetas. O noivo em fraque e cartola, colete prateado, elegância do inicio do século XX, é o que se vê na tela ou em fotos antigas. Muito sérios como se fosse um fato muito natural noivos caírem lá de cima: lua de mel é depois. Juntos, dobraram minuciosamente o paraquedas, arrumaram dentro de uma sacola, deram- se os braços e saíram andando bem tranquilos para longe do ambiente. Vi, não tive ninguém a meu lado para comentar, ficou como se EU não tivesse visto nada de extraordinário. Na rua, demais espectadores indiferentes. 3 - O homem nu. “Pipoca. Quem vai querer? Tem doce e salgada.” Empurrava o carrinho vermelho, inteiramente pelado, nenhum avental, nada... nada.... nada. Deu para perceber que um carro o acompanhava, bem devagarinho. Trote universitário? Filme? Algo a ver com o carro-ovo, da mesma cor? EU estupefato. Ou anestesiado nessa terceira aparição? Algumas pessoas com cara de espanto e curiosidade, outras às gargalhadas, numa espécie de dúvida, “será-que-é-isto-mesmo-que-estamos-todos-vendo?” Minha AMIGA carioca tem fixação pela tese do 1-2-3, de acontecimentos e narrativas tradicionais, em especial contos de fadas, e já me provou a descontinuidade no 4. Então, nada mais esquisito aconteceria “aqui” (ideia ou noção teórica de lugar), neste momento (...de tempo). Porém, e se aparecessem de repente um dragão alado e uma bruxa? Coloquei mão na minha testa - senti como temperatura normal. Outras pessoas também viram... De todo modo, EU agora, mais do que nunca, precisava desabafar com alguém. Explicação: De porteiro sem uniforme ou médico sem jaleco, foi o que imaginei que as outras pessoas imaginaram, passei sem perceber a xerife de faroeste norte-americano. *DAVI, o judeuzinho de 5 ou 6 anos (em verdade, talvez um “anão encolhido” de 15 ou 18 anos, com bastante vivacidade), filho da minha ajudante na administração do prédio onde moramos e exerço há “séculos”, por unanimidade ‘injusta’, a função de síndico, já esteve sacudidas horas em minha companhia, na rua e na minha casa, primeira vez quando mãe levou pai em crise aguda de apendicite para uma cirurgia de emergência. ELE adorou este “tio” aqui e às vezes me aparece de surpresa - só descubro a “surpresa” depois do leite fervente derramado. Não sei como, porém ELE espetou na minha camisa, pendurada lavadinha no gancho da porta do banheiro, uma estrela metálica. À noite, me trouxera um pedaço de *’fluden’ e pediu para fazer “pipi” - deixei... “Brigadinho, *taya bobão...” Ah, MOLEQUE! A estrela do judaísmo se confunde em parte com a de xerife, ambas com 6 pontas. Como é que EU me vesti e não reparei tal coisa? 4 - Xerife, EU? No mesmo terreno do hospital, uma banca de revistas mensais (tevê, HQ, figurinos, culinária) e também publicações kardecistas. Dirigi-me ao jornaleiro, no mínimo para constatar se ELE também teve as mesmas visões (visões?) que EU. Minhas perguntas ficaram a meio................. “Moço, por favor, não me prenda (e apontou a estrela no meu peito - entrei em choque). Não sou nenhum malfeitor. EU também vi aquilo tudo e acho que eram almas penadas. Estas coisas a gente respeita e reza muito para que tenham um caminho de descanso e de luz.” Meu AMIGO apareceu, escutou somente esta segunda parte da conversa, o temor do homem religioso, não entendeu, depois riu e disse ter visto a estrela na minha camisa desde que foi ao meu encontro, bem cedinho, mas podia ser algum símbolo sério, não falou nada comigo. O ator americano fora um de nossos ídolos na infância, filmes projetados numa parede de fábrica desativada para a garotada sem dinheiro. “Você não é tão Gigante coisa nenhuma. JOHN WAYNE tinha 1.92 de altura... Você sabia?” Odeio ‘VOCÊ SABIA?’ - o que é que EU não sei??? --------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: Leiam meu conto OS MONSTROS DE CARA VERDE. FLUDEN - doce tradicional de origem judaica: massa folhada em camadas, com recheio de nozes, passas e geleia de damasco. TAYA - hebraico: tio, irmão mais velho do pai. F I M
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Comentários dos leitores

Onde "alugar" um super-herói, galante, 1.80, que me proteja das intempéries da vida??? Pior é que eu também vi este carro e ninguém me acredita. Parabéns!

Postado por lucia maria em 02-04-2013

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