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X" DO MEU (dela!!!) PROBLEMA



					    
RUBEMAR ALVES Sentou-se num banco da rua Xavantes, no bairro do Brás, não longe do Bixiga, e começou a chorar. Copiosamente. Desesperadamente. Mas ninguém a auxiliou... Nenhuma mulher para perguntar: “Súbita vontade na rua de fazer xixi?” Na manhã seguinte daria uma aula experimental de língua portuguesa numa escola de classe alta. Ilustres aluninhos extra viajados (bom, Xangri-la não existe... teriam ido a China?), papai com dinheiro gordo, muito cheque sempre com fundos. Nada xenófoba, porém ELA só fora certa vez a Recife e Olinda e ao triângulo (em ordem alfabética) Argentina / Brasil / Paraguai. Se os alunos se exibissem, dizer o quê? Ter visto o maracatu, os bonecos gigantes... e ter feito umas ‘comprinhas’ à toa pouco além de Foz do Iguaçu, cidade praticamente de passagem, hotel barato para dormir? Um chinelo chinês, mini estrela de xerife (broche de 6 pontas, dourado, bonitinho) e uma echarpe arroxeada linda! Pior. A professora efetiva da turma escolheu para ELA falar sobre o X. Logo agora que o namorado XISTO a despachara, apaixonado por uma xexelenta, mixuruca, a toda sem brilho SHEILA? Que mixórdia, que confusão, que bagunça! Em todo caso, uma lourinha razoável, xereta, mas não xepa, michê. Amanheceu. ‘Xéu’, digo, céu azulíssimo. Chuveiro, um bom xampu de sândalo, nada de cheiro forte, e depois vestiu-se discreta, não chamativa: camisa xadrez, short cor de chocolate não muito curto, bolsa de fecho-éclair e chinelinho dourado. Nada extraordinário. Tempo flexível, dispensável o exagero de um guarda-chuva e galocha de borracha. Não manhã de enchente - possível chover mais tarde. Foi de táxi para a escola - metrô se houvesse próxima vez. Rua Xerxes, Imperador Persa, num bairro bastante chique. Pesquisara na Internet, escrevera numa ficha branca, na aula (45 minutos: longos ou curtos?) passou para o quadro de giz. /// X - O provável ancestral da letra X é a letra pronunciada samek (significando peixe) do alfabeto fenício. Os gregos simplificaram a forma de samek e passaram a usá-lo para designar os sons de ‘k’ e de ‘cs’. /// Explanação muito formal para o sexto ano, mas seria o início da aula, todo mundo escrevendo. Explicou à classe e ditou para que anotassem: “Diversas variantes fonéticas, isto é, de som em língua portuguesa.” ELES responderam: “Muito fácil?!” Só lhe surgiu a cabeça dizer que os alunos é que dariam os exemplos. Olhou-os fixamente. Encheu-se de temor esdrúxulo, sem nexo, idiota e esqueceu tudo o que ensaiara diante do espelho. Sim, eram perguntas estratégicas, porém ELA desmemorizou todo o texto decorado e ensaiado, as perguntas agora quase lhe parecendo chochas, extravagantes, imbecis. Inspiração divina. (De Anchieta, professor de índios?) Improvisou um conto de fadas, sua paixão - teoria de que toda literatura tem base aqui. Seria assim: quando ELA se calasse e levantasse a mão direita (a esquerda simbolizando um chicote suave como um beijo de tia, de carinho, se errassem), os alunos completariam com uma palavra em X. Por onde começar? Dizer o quê? Lembrou de si própria, menina, anos antes, numa escola paulistana experimental, bairro da Lapa, o outro extremo da cidade: novos métodos, novas expressões. “Era uma vez uma princesa alérgica que deveria ter sempre na bolsa um vidro de...” Bateu com o apagador na mesa, levantou vaga poeira, simulou um acesso de tosse, levantou a mão como desesperada, a turma cochichou rapidinho e gritaram em coro XAROPE. “Muito bem, acertaram.” A estória continuou: “ ELA namorava um sujeito muito chato, chamado (isto os alunos não adivinhariam mesmo, mas olhou a ficha de chamada, lista dos meninos, muita sorte casual, levantou o dedo bem alto e o próprio se reconheceu)... MÁXIMO... que desacatou o rei ALEXANDRE (improvisou e apontou para baixo)... que era bem baixinho... (gritaram) MÍNIMO, e foi expulso daquelas terras, indo morar em outro país, isto é, no... (acertaram de novo) EXÍLIO. A princesa era bonita, mas não tão inteligente quanto as irmãs, por vezes se sentia um tanto infeliz, tinha assim um certo (outra vez acertaram) COMPLEXO de inferioridade. Feliz de repente porque o carteiro trouxe uma (desenhou no quadro) CAIXA com bombons e um pedido de casamento.” Aluninha nissei gritou: “...caixamento” - gargalhada geral. Teorizou rapidinho sobre: “FONEMA, som linguístico, e LETRA, representação gráfica, isto é, a escrita do som”. (Crítica do autor sobre este assunto linguístico: fonema X letra, como versus/oposição, ou fonema & letra, como união?) Hora de colocar no quadro de giz os valores fonéticos da letra X, alunos participando quase aos gritos (aula alegre e até divertida...) e copiando, X - 1-som de ch - exemplos: caixa, enxame - 2-som de z - exame, exalar, exótico - 3-som de ss - máximo, excêntrico, auxílio - 4-som de cs - boxe, fluxo, complexo - 5-som de is - extremo. Maravilha! ‘Bola cheia’, como se diz no esporte do chute. Convidada para a aula-continuação três dias depois: ‘xegunda-feira’?! Mentalizou de imediato: “Quando se escreve X (mas cuidado com as exceções!): depois de ditongo - depois da sílaba -me - após sílaba inicial -en - nas palavras de origem indígena e africana.” Em casa, rascunharia e criaria exercícios ou testes de verificação. No intervalo, experimentou compota de chuchu e aceitou chá de camomila em xícara cheia de desenhos coloridos. (Nada de salgado com recheio de salsicha - corpo baixinho, sentia-se um tanto rechonchuda, sem exagero. Dois professores se desmancharam com ELA, em extravagantes emoções súbitas - PRAXEDES e XAVIER. Nada desenxabidos, insípidos, chochos... Deram chamativos cartõezinhos, número de celulares, até disputaram convidá-la para churrascaria.... “Bom, consegui dois apaixonados.” Crise existencial nunca! Despediu-se com amplexos de simpatia. Sineta exótica. Som de chamada para aulas. Passou na porta da sala de matemática, espiou, era PRAXEDINHO como o chamaria futuramente, deu uma paradinha e ouviu: “Significados do X: 1-pode ser uma incógnita, um valor desconhecido a ser descoberto, o X do problema; 2-corresponde ou tem o valor de 10 nos algarismos romanos.” ELA não resistiu e completou em voz alta: “X = 10; XX = 20; XXX = 30.” Passou na porta da sala de ciências, espiou, era XAVIERZINHO como o chamaria futuramente, deu uma paradinha e ouviu: “O X é o nome de um dos cromossomos sexuais dos mamíferos e representa o cromossomo feminino.” ELA não resistiu e completou em voz alta: “O masculino é Y, um X incompleto.” (Odeia exibição inútil de machismo.) Decididamente, esta sexta-feira era o DIA DO X. Pensou em XISTO e distorceu a tradição popular: “Mais valem dois pássaros excelentes na mão do que um chato voando...” A escolher agora entre louro (xanto, amarelo em grego) e moreno (pele oliva mediterrânea). Ou dividir a semana ao meio, sobrando o domingo para ler e escrever CONTOS e CRÔNICAS? Ainda não era compromisso de noivado. Taí, um interrogativo X solucionado... Axé, boa sorte em iorubá, língua africana, para ELA & ELES, inclusive para os leitores! F I M
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Comentários dos leitores

Voxê agora é profexor? Não foi xeu deboche pois xei que admira profexoras axima de todas as outras. Voxê me deixa abraxá-lo? Conxeguiu me emoxionar. A d o r e i.

Postado por lucia maria em 02-04-2013

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