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TOALHA DE PAPEL



					    
RUBEMAR ALVES Pelo que EU soube depois, a simpática novidade (original, somente a Maçã do Paraíso, tudo o mais é cópia...) dos lápis de cera coloridos surgiu em Nova York para distração da garotada, somente assim aquietados e sem a ameaça do chinelo geralmente materno, enquanto o almoço não chega. No Brasil, ah, no Brasil... crianças desenhando calminhas e entre os adultos a escolher entre uma paquera a certa distância ou (in-)equações para traduzir a incógnita ‘quem-vai-pagar-quanto’, na partilha da conta, entre machos ou casais amorosos. Ué, foram ELAS que ao final do século XIX exigiram direitos iguais e NÓS impusemos deveres também. Bom, alguns viajantes de nosso país importaram a sugestão. Há quem prefira paisagens da cidade, palavras cruzadas ou comentários sobre futebol. Antiga tradição italiana, mesas quadradas, toalhona em tecido xadrez vermelho e branco, pintura de um tomatão e duas folhas nas quatro pontas, nos anos mais recentes cobertura de um papel descartável. E lápis cera em cores variadas. São Paulo, bairro do Bixiga, já se vê... Tive uma certa intuição e não queria entrar ali no “L’UOMO MASCHIO”, mas meu AMIGO (super academia) parecia se sentir o próprio, único no mundo, e já foi me pegando pelo braço e forçando a entrar no restaurante. Não criei discussão merecida. Sou eterno contestador, porém faminto a uma da tarde, melhor concordar. Pediu vinho tinto, um “rosso”, lembrou que não tomo álcool, suco de “arancia” (laranja) para mim. Garçonete jovenzinha, pouco além de vinte anos, talvez, busto proeminente e decote tipo ‘minha-filha-ou-minha-mulher- nunca(?)-usaria-isto’, ELE já se exibiu em palavras soltas, num falso poliglotismo. Pediu “porchetta” com (gaguejou aqui)... be-rin-je-la... “cipolla, aglio e tomato” (só faltou ensinar’ a receita!), mas fazia questão de cogumelos - não conhecia a palavra no idioma do eternizado galã MARCELO MASTROIANNI, torceu-se na cadeira, fez gestos exagerados com as mãos, como quem desplanta da terra, improvisou sotaque... A moça riu e levou o pedido “a la cucina”. Como entrada, ELA nos serviu azeitonas gigantescas, alcachofrinhas em conserva e pão Pitta, achatado. (Pesquisei na mesma tarde: “As alcachofrinhas chegaram à Itália via Gr écia, onde o consumo era raríssimo, quase um ritual reservado às pessoas importantes.”) Enfim, chegou o almoço esfumaçantes em alumínios redondos, individuais, duas alças, sobre pratos tricolores. Meu imbecil AMIGO, cultor apenas do corpo, cabeça oca, estranhou... “Ué, não estamos no Rio de Janeiro. ELES torcem pelo Fluminense?” Nestas horas, opção entre chamá-lo de imbecil ou permanecer calado. Começamos a comer. ELE chamou com deseducado assobio, gritou e a “ragazza” trouxe creme de leite em vasilhas pequenas à parte. E mais vinho! Vi que ELE desenhou lábios vermelhos, como símbolo, escreveu “baccio”, o número do celular e num gesto rápido colocou no bolso da saia da moça................ Naquele momento exatinho, vi na abertura da parede um par de olhos observando o salão. (Isso não vai dar certo, porém Mister Bíceps, eleito certa vez com faixa e tudo, se acha o máximo.) Embora acostumado a beber todos os líquidos, ‘inclusive’ água, e muito resistente, meu AMIGO tomara uma garrafa inteira de vinho e agora era um copo grande. Bateu com a mão esquerda no saleiro, a tampa soltou-se e caiu ao chão, quase todo o conteúdo imediatamente espalhado na nossa toalha de papel. Mau índice! (LEONARDO DA VINCI registrou isto no quadro “A última ceia” - ano de 1495.) Minha intuição raramente falha e começou a ferver mais ainda: detesto minha orelha esquerda em fogo. Apesar do céu azulíssimo, humana tempestade a caminho, EU me sentindo um bruxo da magia etrusca, um dos antigos povos colonizadores, de muitos séculos passados - ‘streghone’? Do nada, ELE, o Gigante de prováveis três metros de altura, surgiu tal e qual um verdadeiro NETUNO - na cabeça, não a coroa metálica, mas um pano branco todo torcido, cabelos escuros misturados a poucos fios cinzentos à mostra (inadequado para um cozinheiro), olhos verdíssimos faiscantes, muito mais claros que esmeralda. Retalhos de alface nova? Idade indefinível entre 46 anos ou milênios de energia mitológica. Na mão, um gigantesco tridente prateado, o contista e cronista aqui logo imagina e se inspira, pisquei por meio segundo, olhei melhor, de qualquer jeito era um garfo imenso de meter medo... talvez usado para revirar em fogueira ou panela gigantesca um “capretto” inteiro. (Rubemarzão, 1.80, inocente JOÃO D’ARC.........) Apresentou-se com voz rude: “Io sono MASSIMO”, nome comum no povo italiano. Em seguida, esbravejou um dialeto estranho e EU entendi um mínimo de “LA MIA MOGLIE” (que meu imbecil companheiro ‘traduziu’ algo referente a molho). Bateu com o cabo do garfo no chão, EU escutei imaginários trovões do deus máximo JÚPITER, senhor do raio, do trovão e da justiça. Depois sorriu como um gentil comerciante (proprietário e cozinheiro ao mesmo tempo), dirigiu-se à mesa ao lado, vazia, numa fração de segundo despejo u o conteúdo inteiro de uma garrafinha, rasgou um grande pedaço da toalha de papel, voltou para nossa mesa, chamou em voz baixa “Signore...” (daí em diante, duas ou três palavras impublicáveis!) e esfregou o fragmento molhado no rosto do meu AMIGO. Ah, e me apontou: “O outro, não!” Era EU. Saí incólume. O máximo se tornou mínimo, ardor terrível nos olhos, MASSIMO voltou sereno para a cozinha, EU estarrecido, sem ação. Em todo caso, pronto socorro, onde fomos recebidos sob risadas: “Quem mandou mexer com a mulher do bravio calabrês? Paciente chega com os olhos ardendo, nem precisa explicar o acidente.............” Sugestão do meu AMIGO: “Vontade de almoçar yakisoba amanhã, que tal?” É, agora a escolher entre karatê, judô, jiu-jitsu..................... ---------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: FUNGHI - Cogumelos em italiano, palavra derivada do latim ‘fungus’, um alimento completo (açúcar, amidos, proteínas, sais minerais, vitaminas etc.), consumido há cerca de 10.000 anos, prova evidentes nos achados em sítios arqueológicos, na maioria lagos italianos e suíços. O cogumelo Porcini seco é chamado “carne dos pobres”, em certas regiões da Itália onde é difícil e caro criar gado, muito mais fácil colher os “guarda-chuvas de duendes” que nascem e se multiplicam espontaneamente. CALÁBRIA - Convívio de cultura milenar entre o mar e a montanha, abaixo de Nápoles, sul da Itália, o “dedo” da península itálica, tendo a leste o Mar Jônico - do outro lado do mar, a Albânia e a Grécia. Em termos de folclore tradicional, gente da Calábria misturada a gregos e albaneses, festas populares com produtos típicos: as castanhas, os cogumelos e a colheita da uva. F I M
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Comentários dos leitores

Achei este Massimo o máximo. Arranjarei um grandão que também me defenda desse jeito. Seus relatos são maravilhosos.

Postado por lucia maria em 15-04-2013

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