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SOTAQUES



					    
RUBEMAR ALVES ELA não estudou Artes Cênicas, exatamente, apenas durante longuíssimo tempo acompanhou um ex-aluno, um tanto ator e um tanto diretor, que muitas vezes ia ao Conservatório de Teatro pedir entradas gratuitas e largava a amiga em qualquer sala, até mesmo na esgrima (dá muita flexibilidade ao corpo, interessante...), enquanto visitava antigos professores ou consultava a biblioteca. Aí, por tabela, como se diz popularmente, ou bisbilhotice, assistia a determinadas aulas, em especial as de expressão vocal, com exercícios de sotaques e *trava-línguas. Ora, com ELA, os fatos aconteciam de repente e recordava como os futuros atores procediam nas improvisações. Sabia que o namorado passara a encontrar outra e o novo casal jantava às terças-feiras em casa de uma tia. Ora, antes que fosse despachada, planejou um no mínimo “ver de longe”. Não escândalo: bastaria memorizar características da rival e depois descrevê-la em detalhes ao futuro ex. Usava neste dia uma saia vermelha rodada, blusa branca de mangas fofas e um colar de medalhas douradas. Fez compras e saiu andando até a tal casa - bolsa tiracolo e muitos pacotes miúdos em total desequilíbrio. De repente, a porta foi aberta, surgiu uma mulher, talvez a tal tia. Ficaram cara a cara, e do nada ELA improvisou um portunhol muito doido e totalmente ilógico, se naquele endereço havia um (fez o gesto) “saca dientes”... Falou muitas coisas na esperança do casal aparecer. A senhora, assustada, se imaginou diante de uma cigana, aí os embrulhos despencaram, papel rasgou, a tia quase a empurrou para a loja ao lado, onde ELA refez os pacotes, não viu namorado surgindo, acompanhado ou não, mas escutou a tal mulher falar com alguém que “há poucos minutos apareceu uma CIGANA falando numa língua esquisita e eu tive muito medo porque........” Uma amiga tinha um amigo cujo maior desejo era conhecer o Espírito Santo, projeto de anos e anos pois seria viagem muito cansativa para a mãe e ao mesmo tempo não queria deixá-la sozinha. Judeu e a expressão “espírito santo” o intrigava bastante: “Como é isto de Terceira Pessoa da Santíssima Trindade?” Todo mundo sabe que o tempo não pára, frase já lugar comum, e o “próximo ano” começava, terminava, ele não ia nunca. Teve uma doença neurológica repentina, febre altíssima e, sem saber como e porquê, ficou paralítico, sem poder sair da cama. Assim, o sonho da viagem foi para o espaço, mas continuou escrevendo para as secretarias de turismo e recebia sempre folhetos de muitas cidades. Ora, ELA também colecionava postais e folhetos, nacionais e internacionais; também nunca estivera naquele Estado. Ora, a outra convidou-a a visitar o tal rapaz, mesmo não ostentando coroa e faixa de “miss” estadual. Estudar e memorizar folhetos, tarefa simples - fizera certa vez um trabalho escolar e passou a “conhecer” ruas e praças de Paris... Estudou sobre o Estado - história, geografia, principais cidades, agricultura, pecuária, minérios, siderurgia, ainda festas populares e artesanato. Acontece que ELA não conhecia nenhum nativo, não sabia como eles pronunciavam as palavras, se havia algum som assim muito especia l. Como o ESPIRITOSSANTENSE fala? Ensaiou qualquer coisa, tomou como base o som do ‘r’ ao final da sílaba, ensaiou e foi visitar filho e mãe. Conversaram muitos assuntos numa l o n g u í s s i m a tarde, ele muito feliz, a mãe também, despediram-se, quase hora do “avião” de regresso. Há uma expressão popular, “deu-nó-na-língua”, não, não foi exatamente isso, mas ficou cerca de duas horas com dor na língua no sentido literal, que só curou com muito bochecho de água morna - inventou no momento, deu certo.. Resolveu ser JAPONESA durante uma hora. Participou de uma excursão turística, curto fim de semana em cidade mineira onde sabia existir um parque em estilo japonês. Levou às escondidas um quimono que ELA costurara anos antes - tecido de fundo preto, barra larga e estamparia menor em flores brancas, róseas e lilases, folhas verdes. Foi a última pessoa a sair do ônibus, vestiu rapidinho sobre a blusa de malha e a calça comprida, nos pés meia branca e chinelo de palha. Maquilou-se como uma geisha, flor no cabelo... Caminhou bem devagar, passos coreografados, subiu a ladeir inha, cruzou com japoneses idosos verdadeiros e se cumprimentaram em reverências e “konitiwa” (boa tarde). Todo mundo perguntando por ELA - simpática, falante, levou e na madrugada distribuiu chocolate quente e bolo com calda de laranja, não discriminava ninguém, oferecidinha para ser fotografada... e sumiu de repente? Só de muito perto viram que a figura caminhante era ELA e não alguma artista, não fazia parte de espetáculo público nenhum. E riram muito quando cantou o que não sabia traduzir de tradicional música infantil: “Sakura sakura Yayoi no sora wa...............” Falou também palavras soltas, apontando com o dedo: hana (nariz), aoi (azul), basu (ônibus), koohii (café), mizu (água)... e ainda tentou contar de 1 a 10 (parou no 5): iti, ni, san, shi, go... Louca passiva e simpática! Em certa ocasião, ganhou um vestido branco usado, mas ainda novinho, cor não muito do seu agrado. ELA possuía um enorme lenço português legítimo, de seda, estamparia de muitas uvas, fez um amarrado na cintura e tomou um ônibus. PORTUGUESA que nasceu aqui nunca saiu do Brasil! Não sei a motivação, porém passou a viagem de quase uma hora descrevendo regiões portuguesas, sem nunca ter ido lá (coleção enorme de folhetos de muitos países!), usando sotaque e toda a terminologia aprendida através dos livros de EÇA DE QUEIROZ, estudado na Faculdade de Letras. Convenceu a ouvinte desconhecida, com quem se sentara. E ainda ensinou a outra algumas receitas verdadeiras da doçaria portuguesa. Segredo! Qual o signo astrológico desta pessoa? Gêm... Cala-te, boca. --------------------------------------------------------------------------- NOTA DO AUTOR: *TRAVA-LÍNGUA - Jogo verbal: dizer com clareza e rapidez sílabas simples, apenas difíceis de pronunciar em conjunto. Exemplos: “O rato roeu a roupa do rei de Roma, a rainha com raiva remendou os restos corroídos.” “O sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar.” F I M .
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Comentários dos leitores

O mundo seria um mundinho sem graça se "todos fossem iguais" *(Vinícius?, por isso nós, as Geminianas somos especiais porque conduzir equilibrar as nossas tristezas e alegrar e dvertir os outros. Obrigada, anjinho! Oarabés!

Postado por lucia maria em 20-04-2013

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