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PAVÃO/PAVOA



					    
RUBEMAR ALVES ELA fez uma séria pesquisa para trabalho da faculdade de letras, montou textos diversos e anotou um resumo. “Incerteza sobre a origem dos CIGANOS - provinham da Ásia e da África, principalmente do Egito, passando a Europa no começo do século XV. Em Portugal, registrados na literatura: em 1516, no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, e em 1521, na Farsa das Ciganas, de Gil Vicente. Séculos perseguidos, presos, açoitados, expulsos daqui e dali, mas insistentes, eternizados imigrantes, sempre voltando. Cigano é teimoso, nunca derrotado!!! (Do signo de Áries, todos?) Neste vai e vem, 1817, casamento de dom Pedro com a princesa Leopoldina, muitos ciganos apareceram a cavalo no Campo de Santana (um campo enorme, na época, reduzido muitos anos depois com abertura de ruas), no Rio de Janeiro, e entre bailados e cantigas próprias ao som de guitarras prestaram reverência em frente ao palanque real. Houve época bem mais antiga de muitos acampamentos ciganos naquele local, porém no século XIX já não era mais um espaço assim tão livre porque nesse tempo os ciganos haviam prosperado através de lucros obtidos com a venda de escravos, o comércio de artesanato e de animais de montaria, além de serem “meirinhos do rei”, isto é, impassíveis ‘recadeiros’ como oficiais de justiça. Moradores agora ao redor, em casas no centro da cidade e em bairros próximos. Festejavam Santana, a quem chamavam Cigana Velha.” ELA simplesmente viu lindos pavões - na verdade são 7 - no Campo de Santana, óasis verde no centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda um tanto filhotes, seis meses de vida na primavera, época de acasalamento. As penas destas aves caem no inverno, recuperando todo o seu esplendor na primavera; a plumagem da cauda em aberto é uma atração para a fêmea que muitas vezes irá integrar um harém de 8 esposas - pa-ci-fi-ca-men-te ou a primeira delas é a chefona sem contestação alguma? Sentou-se num banco de pedra, livro de poesias medievais da Provença (traduzidas, claro), trovadores, amor cortês, total desvanecimento... Só que um biólogo da Fundação Parques e Jardins colocara uma argola dourada em um dos tais espécimes, em observação numa séria pesquisa científica. Sol, calor suave, cochilou e numa fração de segundos ELE apareceu do nada, mistura de 2013 com séculos passados: altura agigantada (ELA é mini), jeans azul clara, pequenos rasgões na altura do joelho, sandália de borracha, camisa acetinada em vermelho berrante, cinto (como é que ELA ‘intuiu’ comprado pela Internet?), argola dourada na orelha esquerda, ao pescoço uma grossa corrente também dourada com estrela metálica de seis pontas (união do Céu com a Terra - hexagrama protetor de origem indiana há 4.000 anos a.C.), lenço vermelho no alto da cabeça. O cigano sorriu para ELA, entre cara cínica e debochada, olhar sedutor e hipnotizador, som de violino perto dali (ou samba carioca em loja de eletrodomésticos?), jogou no chão um jornal atualíssimo, fotos de jogadores de futebol e políticos em evidência, esticou a mão, apenas disse VENHA, MINHA PAVOA! TROUXE DOCES E FRUTAS PARA MIM? Não chegaram a se tocar. Escandaloso carro de bombeiros despertou-a do “quase” encontro romântico. Acordou louca-furiosa. A seus pés, quem? O pavão de... brinco à moda cigana, trazendo no bico um pedaço de um tecido qualquer, porém... ELA viu na certeza... cetim e vermelho. E na sua imaginação fertilíssima de Geminiana o pavão a olhava com olhos apaixonados. E mais vezes voltou ao campo e mais vezes o mesmo pavão se aproximou dela, cauda abertinha, com cara de pedinte. “Leu” os pensamentos dele: MEUS DOCES? MINHAS FRUTAS? Lembrou-se de ter bisbilhotado por cima do muro, na infância, certas festas ciganas familiares, casas enfeitadas com palmas e flores brancas, perfumadíssimas, cortinados de rendas nos umbrais, os “bródios” no bairro de Catumbi, não muito distante no tempo e no espaço. Danças e cantorias, pandeiros enfeitados de fitas multicoloridas, violinos ora chorosos ora alegres. Pesquisou novamente, agora para si mesma, e selecionou nas predileções daquele povo simpático o que havia de mais simbólico e ancestral: “doce de ouro” (muitas gemas cozidas em calda com temperos do Oriente), uma receita árabe (aletria torrada, recheio de mel e ricota) e quindim (que ELA ama); e ntre as frutas, sabores doces e suculentos, nunca ácidos, maçã-pera-morango-melancia-uva. Não perguntou a ninguém sobre a alimentação dos animais, soltos, talvez comendo até restos de cachorro- quente, de pizza ou lambendo no chão sorvetes derretidos. Toda sexta-feira, lá vem o pavão! ELA distribui guardanapos de papel com as iguarias, dois dias inteiros longe dele (o que faz um Cigano livre, errante, aos sábados e domingos? carrão na estrada? praia? cinema? praça de alimentação do shopping?) e “pensa”: ATÉ BREVE, CIGANO! TENHA MUITO JUÍZO OU ENTÃO NA SEGUNDA-FEIRA EU................. Perigo à vista, certamente. ---------------------------------------------------------------------------- NOTAS DO AUTOR: CAMPO DE SANTANA - Em tempos coloniais, era um grande pântano, cerca de 150 ou 140 mil metros quadrados até o século XVII, local insalubre, terreno desvalorizado com diversas espécies de arvores e centenas de animais. Lentamente aterrado, o campo era utilizado para grandes festas públicas, fossem religiosas ou oficiais. Passou por melhorias entre 1873 e 1880, segundo projeto do paisagista francês AUGUSTE FRANÇOIS MARIE GLAZIOU (1833/1906). Ainda mais mutilado para a abertura urbanística da avenida Presidente Vargas, em 1941, hoje sua superfície é apenas de... 18.219 metros quadrados. Na atualidade, há no local diversos animais vivendo em liberdade, acostu mados com a presença humana: cutias, galinhas d’angola, gatos, patos- do-mato e pavões. PAVÃO - Na Grécia Antiga, era um dos animais de Hera, a deusa do casamento, e acreditavam que seu corpo não corrompia com a morte. Cultuados na Antiguidade como ave do Paraíso, o animal de cem olhos”, mais tarde símbolo até no Cristianismo - visão de Deus pela alma - cores exuberantes, pavão associado à beleza e à perfeição: muitas vezes desenhado no cálice eucarístico representando a ressurreição. Na Índia, até hoje é ave sagrada e protegida pelos monges. F I M
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Comentários dos leitores

Adoro meu Cigano, meu Gigante, meu autor predileto. Prazer imenso em ler você! Parabéns e carinho sempre!

Postado por lucia maria em 27-04-2013

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